Ciência



 
 

SOBRE ESSE NEGÓCIO DE PROVAR A EXISTÊNCIA DE DEUS - PARTE 3

 

Quando um cientista vai colocar a mão na massa, ele deve se preocupar bastante com o arranjo do experimento que vai conduzir.

Em primeiro lugar, o cientista precisa saber o que está procurando, qual é o fenômeno que está investigando. Para isso, ele precisa de uma teoria que dê conta dos fatos, que os explique adequadamente. Uma boa teoria responde bem às questões existentes e suscita novas perguntas, novos questionamentos que, por sua vez, suscitarão novos experimentos. É assim que a ciência funciona. Já se disse que a ciência avança como em uma dança entre teoria e experimento. Nenhum experimento científico sobrevive em um vácuo conceitual.

Em segundo lugar, o cientista deve se assegurar que o experimento responde à pergunta que ele, inspirado pela teoria, está fazendo. Esta é uma parte delicada do processo, pois um arranjo experimental capenga leva a resultados capengas que não podem ser devidamente interpretados. Vou dar um exemplo da pesquisa com surdos sinalizadores (aqueles que usam a língua de sinais como meio preferencial de comunicação).

Na época em que fiz pesquisas com surdos, minha pergunta era a seguinte: se a língua de sinais tem subcomponentes visuoespaciais à serviço da linguagem, é possível que estes surdos, por conta do uso prolongado da língua de sinais, sejam mais rápidos do que os ouvintes não sinalizadores em tarefas que exijam o raciocínio visuoespacial? Calma.

Quando os surdos sinalizadores se comunicam, eles usam os sinais, que são totalmente visuais. Por assim dizer, os surdos sinalizadores conversam usando os olhos. Nos ouvintes, a mesma comunicação se faz com o ouvido. Pense: se os surdos sinalizadores usam o espaço para definir sujeitos, verbos e objetos, eles devem usar componentes do raciocínio visuoespacial para isso. Movimento de braços, mãos e dedos são cruciais para a sinalização eficiente: eles usam e interpretam visualmente os sinais, espaço e movimentos servem de apoio para a linguagem.

Depois de ler a literatura relevante deste campo, a pergunta que me fiz foi: será que os surdos sinalizadores apresentam um desempenho superior ao de ouvintes não sinalizadores em tarefas puramente visuais, ou seja, em que o espaço não é usado como meio de linguagem? O que eu precisava fazer era submeter surdos sinalizadores e ouvintes não sinalizadores a uma tarefa que demandasse unicamente o raciocínio visuoespacial, livre de qualquer componente linguístico.

Um experimento feito desta maneira, comparando o desempenho destes dois grupos, responderia à minha questão? Aparentemente sim, mas não. É que ficaria faltando algo na hora de explicar uma possível diferença: ela seria atribuída a quê? Como este tipo de diferença tende a favorecer os surdos sinalizadores, pode-se argumentar que é a longa experiência com a língua de sinais que causa o desempenho superior dos surdos sinalizadores em tarefas visuoespaciais. É igualmente possível argumentar que o fator determinante não é a experiência linguística dos surdos sinalizadores, mas o simples fato de que eles são surdos. A primeira explicação é linguística, a segunda é sensorial; a primeira enfatiza a plasticidade neural direcionada pelo uso da língua de sinais, a segunda enfatiza a plasticidade neural direcionada pela ausência da audição.

É possível sair desta encrenca adicionando um terceiro grupo experimental composto por pessoas que sinalizem e sejam ouvintes: os intérpretes. Eles são ouvintes, a língua falada é seu meio preferencial de comunicação, mas eles são sinalizadores proficientes e usam a língua de sinais faz muito tempo. Se este grupo entrar no experimento, podemos interpretar adequadamente uma possível diferença de desempenho entre o grupo de surdos sinalizadores e o grupo de ouvintes não sinalizadores. Se os intérpretes (ouvintes sinalizadores) apresentarem desempenho semelhante aos surdos sinalizadores, concluiremos que o fator determinante da diferença entre estes grupos é o uso prolongado da língua de sinais. Por outro lado, se os intérpretes apresentarem desempenho semelhante ao dos ouvintes não sinalizadores, concluiremos que o fator determinante da diferença é a perda auditiva.

(Ah sim: neste caso, os surdos sinalizadores estão mais próximos do surdo sinalizador do que dos ouvintes não sinalizadores, favorecendo a interpretação linguística).

É preciso muita arte, muito planejamento para que um experimento seja bem conduzido e apresente resultados aproveitáveis. O erro de não incluir o grupo de intérpretes neste experimento deixaria sem resposta uma das perguntas mais importantes, que é saber a que se deve uma possível diferença de desempenho em tarefas visuoespaciais. Seria uma ciência capenga.

A coisa se estende a outros aspectos do experimento, notadamente à estatística complexa usada para analisar os dados. Se isso não for feito com cuidado e precisão, o experimento torna-se inaproveitável.

Fazer ciência não é fácil, é um processo lento e doloroso, especialmente num Brasil que ainda carece dos recursos e apoio necessários. Mas o que me importa agora é dizer que os experimentos começam com uma teoria, e que não é qualquer experimento que responde às perguntas que a teoria suscita.

Estamos prontos para conversar sobre o que significa uma prova da existência de Deus.

(continua)



Escrito por Marson Guedes às 12h35
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SOBRE ESSE NEGÓCIO DE PROVAR A EXISTÊNCIA DE DEUS - PARTE 2

 

Provado cientificamente é, na verdade, uma expressão forte demais. As pessoas costumam pensar que toda ciência é exata, com precisão de dez casas decimais, e que os achados científicos não podem ser questionados. Elas estariam certas se a natureza da evidência científica fosse a exatidão.

Percebeu a mudança de discurso? Estava falando da impressão injustificada de que a ciência é exata, incontestável, e usei, como quem não quer nada, a palavra evidência. Evidência é uma palavra menos contundente do que prova, mas ela é mais apropriada para a ciência. Obter evidências é um jeito de dizer "acúmulo de dados que sugerem uma interpretação compatível com uma determinada teoria". Tem outra expressão interessante, que é "evidências convergentes". Ela quer dizer "dados obtidos de diferentes áreas de pesquisa apontam para a validade de uma determinada teoria". Evidências convergentes são mais fortes do que evidências.

Vamos aos exemplos. Evidência é quando se descobre que o hemisfério esquerdo do cérebro é dominante para linguagem, e que o hemisfério direito é dominante para o processamento espacial e visual. Como se descobre um negócios desses? Estudando o caso de pessoas com lesões cerebrais, normalmente causadas por AVCs (acidente vascular cerebral), os famosos derrames. O resumo da ópera é que pessoas com lesão no hemisfério esquerdo do cérebro apresentam dificuldades com a linguagem, quer dizer, elas não conseguem falar direito ou não compreendem direito aquilo que ouvem, dependendo da localização e da extensão da lesão. Pessoas com lesão no hemisfério direito do cérebro apresentam dificuldades na hora de copiar desenhos e de montar cubos pintados de acordo com um modelo. Estas são as evidências, e esta é a interpretação destas evidências.

Por que estes dados não são provas, apesar de serem contundentes? Porque há muita variação entre o tamanho das lesões, de sua localização, da idade dos pacientes, das suas habilidades adquiridas antes da lesão, da origem da lesão e diversos outros fatores. Isso impossibilita um estudo preciso, e por isso os neurocientistas precisam trabalhar com evidências e não se dão ao luxo de chamá-las de provas.

Evidência convergente é quando se descobre que surdos sinalizadores apresentam o mesmo padrão de deficiências cognitivas em consequência de lesões no hemisfério esquerdo ou direito. Surdos sinalizadores são aqueles que usam preferencialmente a língua de sinais, que no Brasil se chama LIBRAS (língua brasileira de sinais). Estes surdos usam o espaço para sinalizar, eles processam os sinais e seus movimentos complexos usando a visão. Então, a primeira suspeita seria que o processamento linguístico dos surdos sinalizadores seria feito no hemisfério direito, que é especializado no processamento visual e especial. Certo? Não, não é assim que acontece. As pesquisas mostraram que o mesmo padrão ocorre nos surdos sinalizadores: eles apresentam problemas linguísticos quando a lesão é no hemisfério esquerdo do cérebro, e problemas visuo-espaciais quando a lesão está localizada no hemisfério direito. Eu acho isso impressionante, e mostra que o hesmifério esquerdo é dominante para linguagem independentemente da modalidade em que essa linguagem se apresenta (auditiva versus visuo-espacial).

Evidências convergentes são assim: elas vêm de áreas diferentes de pesquisa e apontam para a mesma direção, para a validade de uma determinada teoria.

No entanto, mesmo as evidências convergentes têm suas limitações, que são bem parecidas com as das evidências. Apesar de serem impressionantes, elas apontam para a mesma falta de imprecisão. As lesões nos surdos apresentam as mesmas complexidades apresentadas pelas lesões em ouvintes. Elas acontecem em lugares diferentes, têm tamanhos diferentes, e têm origem diferentes (AVC, acidentes de carro, tiros etc). Essas lesões não são diretamente comparáveis e, portanto, são evidências de alcance limitado e de difícil interpretação. É assim que caminha a neurociência. Agora a ciência não parece tão exata, parece?

Mais uma coisa: estes estudos do funcionamento do cérebro humano usam, sem exceção, a estatística para tirarem sua conclusões. São análises de variância, de contraste, análise multi-variadas, coisas que assustam os mortais só de pensar nelas. É importante observar isso, pois a estatística aplicada nestes experimentos trabalha com faixas de valor e determina se as faixas são significativamente diferentes entre si. Se a ciência fosse tão exata como se costuma pensar, ela não precisaria da estatística e trabalharia com valores absolutos.

Isso não depõe contra a ciência, a neurociência ou outros ramos de pesquisa. Longe disso. É a maneira árdua e lenta de a ciência avançar. É notável que, apesar destas dificuldades, a ciência avance.

É assim que a coisa funciona. Vamos tomar cuidado com a expressão "prova científica". Ela é um equívoco.

(continua)



Escrito por Marson Guedes às 00h46
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SOBRE ESSE NEGÓCIO DE PROVAR A EXISTÊNCIA DE DEUS - PARTE 1

 

Ouvi dizer que as palavras não se dão ao respeito. É verdade.

Não culpe as palavras, o problema está com quem as usa. De fato, é bastante natural que as palavras não se respeitem ao ponto de permanecerem enrijecidas, inflexíveis. Palavra rígida demais é palavra morta. Não se admira que usem o latim para denominar as espécies animais – homo sapiens, por exemplo. O latim morreu, ninguém mais bole com aquelas palavras. Homo é sempre homo, sapiens é sempre sapiens, e ponto final.

"Causa-me espécie" é sinônimo de "causa-me estranheza", e nem por isso deixamos de captar em "Descobriram uma nova espécie de roedor" um outro significado da palavra "espécie". É uma palavra viva.

Dito isso, causa-me espécie o que se faz com a palavra "científico". Sei bem que preciso deixar esta palavra livre para se expandir e assumir novos significados, mas tem coisa que me parece exagero. Hoje usa-se "científico" para descrever o funcionamento de pranchas de alisamentos, para descrever a ação de cosméticos e para descrever os movimentos de artes marciais. "Funcionamento garantido cientificamente para alisar seus cabelos com o mais novo e revolucionário jato de íons"; "Hidratação e limpeza profundas – testado cientificamente"; "A magia das artes marciais explicada cientificamente"; e assim vai.

Meus queridos, "científico" precisa ter um significado mais profundo do que "comprovado", "garantido" ou "medido com muita precisão". Caso contrário, a coisa perde o sentido e o equívoco é inevitável. Por significar coisas demais, o termo passa a não significar muita coisa.

Assisti um especial da Discovery com a chamada "A ciência desvenda as artes marciais" ou coisa que o valha. Gostei do programa. Custou uma hora de sono, mas valeu a pena. Foram convidados campeões ou especialistas de cada modalidade: kung-fu, karatê, jiu-jitsu (era o brasileiro Royce Gracie), taekwondo, uns caras com espadas e outros com bastões. A estrutura do programa era pedir que os especialistas dessem golpes em um boneco de medições usados na indústria automobilística nos ensaios de impacto. O "científico" estava principalmente no boneco, que registrava com precisão os mais diferentes tipos de pancada. Só isso. Senti no ar uma intenção velada de determinar qual era o golpe mais mortal. Tudo "científico", bem apropriado para a televisão.

Pergunte-se: faz sentido medir com precisão alguma coisa sem saber o que se pode esperar daquela medição? Que informação traz o mais preciso luxímetro se você não sabe para quê está medindo a luminosidade? Precisão, por mais importante que seja no esquema geral das coisas científicas, não é suficiente para transformar medidas em conhecimento científico.

(continua)



Escrito por Marson Guedes às 16h51
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SOBRE A CERTEZA CIENTÍFICA

 

"Pai", diz ela, "o que veio primeiro: o ovo ou a galinha?"

Inalterados, desesperados até, temos recusado a nos comprometer. Nada menos do que a verdade vai satisfazê-la. Nada menos. Passa-se um bom tempo antes de juntarmos coragem e fazermos um pronunciamento solene sobre o assunto:

"Sim!"

Então é isso.

"Pai, é onda ou partícula?"

"Sim".

"Pai, o elétron está aqui ou ali?"

"Sim".

"Pai, os cientistas sabem de verdade o que estão falando?"

"Sim!"


 

Banesh Hoffmann (1906 - 1986). Citado em Oxford Dictionary of Scientific Quotation, página 289 [4].



Escrito por Marson Guedes às 11h05
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OS CAMINHOS DA CIÊNCIA E DA FÉ

 

Por Marcos David Muhlpointner (link).


 

Até onde a ciência pode nos levar? Até onde a fé pode nos levar? Será que esses dois caminhos vão para o mesmo lugar? Ou seriam a ciência e a fé como automóveis e não os caminhos? Essas questões parecem complicadas num primeiro momento, mas acredito que não sejam tão difíceis assim.

Hoje em dia, a educação moderna visa capacitar os alunos a enxergarem o mundo com diversas lentes. A visão cartesiana e engessada de mundo caiu por terra há muito tempo. Não há apenas o preto e o branco. Existem várias matizes de cinza entre esses dois opostos. Nesse sentido, os colégios mais modernos trabalham para capacitar os alunos a olharem um mesmo fenômeno com os olhos das Artes, da Matemática, das Ciências Naturais, da História.

Talvez hoje, em linhas gerais, existam três grandes questões científicas: qual é a origem do universo, qual é a origem da vida e qual é o destino final do universo. Essas não são questões fáceis de serem respondidas, porque elas envolvem muitas outras questões periféricas. Para um naturalista convicto, as duas primeiras respostas nem cogitam a existência de uma entidade divina. Para um cristão convicto as duas primeiras respostas são Deus.

Isso poderia ser válido há algum tempo atrás, porém, a ciência e a fé, para muitos cientistas e religiosos, hoje estão lado a lado. Em A Linguagem de Deus, o famoso biólogo Francis Collins tenta mostrar sua crença no que a ciência diz atualmente conciliada no Deus da Bíblia. O Dr Collins afirma sua total aceitação da origem evolucionária das espécies dos seres vivos e, ao mesmo tempo, declara crer "num Deus que tem interesse pessoal em cada um de nós". Para ele, a ciência e a fé não se contradizem. Devo acrescentar que ele não está sozinho nesse pensamento.

Em relação ao pensamento evolucionista, há muita gente crente no Deus da Bíblia e que subscreve o evolucionismo como apresentado por Darwin. A propósito, há 150 anos atrás, exatamente em 1 julho, ele lançou o livro mais revolucionário da ciência, A Origem das Espécies. Conciliar a evolução e a existência de Deus, para mim, é um grande erro. Um erro porque o próprio Darwin tinha receio em publicar suas idéias, pois ele sabia que sua teoria negava a necessidade da intervenção divina na criação das espécies. Ele afirmou que seria "como confessar um assassinato". Ele entendeu que tinha descoberto uma "maneira mais simples" de explicar a biodiversidade sem a necessidade de Deus. A esse mecanismo "simples" ele chamou de seleção natural.

Ora, seu próprio nascimento mostrou que a teoria da evolução tinha embutida a negação da necessidade de Deus. Se as espécies eram aparentadas entre si, provavelmente descendiam de um ancestral que lhes fosse comum. A idéia é realmente simples e naquele momento – e por algum tempo depois – as pessoas não estavam tão interessadas em como os animais teriam surgido.

Para mim está muito claro que a teoria da evolução destrona Deus do seu lugar e o deixa vazio, uma vez que essa teoria parte simplesmente de leis naturais para explicar a diversidade das espécies. Visto que naturalmente podemos explicar as diferenças entre as espécies, por que recorrer a explicações sobrenaturais? Não vejo como a proposta do evolucionismo teísta se sustenta à luz da Bíblia. À luz da filosofia naturalista, do naturalismo científico, do pensamento pós-moderno ele se sustenta, e com bastante facilidade.

Acredito firmemente que os caminhos da ciência e da fé são bem diferentes. Ainda fico a pensar se ciência e fé são estradas ou carros que nos conduzirão para algum lugar. A ciência se propõe a buscar a verdade. A Bíblia afirma ser ela a verdade. A ciência é altamente mutável na sua essência. A Bíblia é imutável, porque Seu autor é imutável. Nós até podemos usar a ciência, a fé ou as duas juntas no nosso caminho. A fé bíblica nos dá uma direção e um destino, a ciência não.



Escrito por Marson Guedes às 14h16
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QUERER EU NÃO QUERIA, MAS... VALEU A PENA

 

Pelas minhas contas, esse é o décimo primeiro texto sobre o tema evolução. Nunca tinha escrito tantos textos sobre um mesmo tema antes. Espero que o resultado esteja a contento para você e para meu amigo Alexandre Robles, o encomendante.

Como palavra final, escolhi o tema que considero o mais espinhoso do pensamento humano: o problema do mal.

A existência do mal no mundo é um caroço duro e grudento que fica entalado na garganta de qualquer cristão que se preze. Deus é bom, certo? Deus é todo-poderoso, certo? Então, por que existe mal no mundo? Talvez ele não seja bom. Ou – quem sabe? – ele não seja todo-poderoso. Seja como for, Deus passa a ser deus.

Mas quer saber, a situação do evolucionista que usa o problema do mal para criticar o criacionista é uma situação bem esquisita. Veja, esse problema é um problema do cristão, que acredita em um Deus bom e todo-poderoso. O evolucionista, para quem pressões evolutivas que amoldaram a vida na terra, não tem esse problema. O processo é aleatório, o que existe surgiu porque foi favorecido por adaptações que permitiram a sobrevivência. Não há porque o evolucionista se preocupar com o problema do mal. Afinal, o mal não passa de um termo genérico para se referir à necessidade da sobrevivência. O problema do mal é um problema do cristão. O evolucionista não deve se preocupar com ele, nem perder noites de sono por causa disso.

A existência do mal é um problema para o cristão, mas o mal é uma decorrência muito natural da teoria evolucionista. Nesse caso, o evolucionismo tem maior poder explicativo do que o criacionismo. Ponto.

Mas, quer saber? Isso não me incomoda. Embora a mente do evolucionista esteja em paz quanto a essa questão, o evolucionista dificilmente deriva dela algum tipo de consolo pessoal. Qual é o evolucionista que enterra o irmão, vítima de assalto a mão armada, e fica em paz porque, afinal, essa é a luta pela sobrevivência e aquele bandido estava mais preparado para sobreviver do que meu irmão? Duvido que exista um só.

É aí que não consigo engolir a explicação do evolucionista para o mal, pois fica faltando algo. Mesmo aqueles que acreditam na evolução têm esperança de que esse mundo vai melhorar. Mas de onde eles tiram essa esperança? Da teoria? Certamente que não. Na minha opinião, essa necessidade de ter esperança já está dentro dele, não foi a teoria que a colocou lá – o evolucionismo só pode dizer como foi, como está, mas é manco para dizer como será. Se isso é verdade, e meu raciocínio está correto, a teoria evolucionista simplesmente não considera a esperança como algo real. No máximo, seria algo que as pressões evolutivas selecionaram: talvez o sentimento de esperança seja algo que aumente o vínculo de algum grupo humano e isso aumente a chance de esse grupo sobreviver e gerar descendentes com o sentimento endógeno de esperança. Talvez, bem talvez. Isso é muito pouco, explica quase nada, é especulativo demais.

Por outro lado, o cristianismo é abundante em promessas de restauração. Sem nunca negar o mal, o cristianismo faz promessas de restauração, que são o fundamento da esperança. Em vez de afirmar que o sentimento de esperança possa, talvez, ser um vínculo vantajoso para a sobrevivência, o cristianismo afirma que o ser humano não consegue viver sem esperança. Mas a esperança não é um sentimento ilusório: na Bíblia, a esperança é o esteio da nossa luta contra o mal.

Esperança é esperar com certeza. Esperança não é torcer para que as coisas dêem certo algum dia. Esperança é saber que, um dia, tudo o que está debaixo das garras do mal estarão novamente debaixo da mão bondosa e poderosa de Deus. Não me é oferecida uma esperança que anestesia meus sentidos ou raciocínio. A esperança que me é oferecida é a esperança que consegue me dar ânimo para prosseguir: afinal, já sei com antecedência que tudo vai dar certo. Só não sei quando. Mas enquanto não sei, espero, e espero com certeza. Isso sim é esperança.

A evolução não pode fazer isso por mim. Embora explique bem a existência do mal, não oferece nenhuma saída para ele. Enquanto a maldade executada por seres humanos for uma vantagem evolutiva, o mal só tende a crescer. Os evolucionistas acreditam que o mal pode existir como uma conseqüência da sobrevivência, e acreditam que não há juízo de valor nisso: não está certo nem errado. O que importa é sobreviver e gerar descendentes.

Mas isso não satisfaz ninguém, nem mesmo ao mais empedernido evolucionista.

Depois de tudo o que já rejeitei na evolução, esse é o golpe de misericórdia. O evolucionismo consegue apontar com precisão a origem da maldade. A Bíblia também. O evolucionismo não tem nenhuma esperança para oferecer, coisa que contraria o ser humano em seus recantos mais íntimos. A Bíblia tem esperanças para oferecer, promessas de um mundo regenerado que vai vir. Quando esse tempo chegar, não haverá morte, sofrimento nem lágrimas, porque essa ordem de coisas terá passado.

É por esses tantos motivos, meus queridos e queridas, que continuei sendo criacionista depois de tanto ler e pensar no desafio imposto pelo evolucionismo. E tenho dito.



Escrito por Marson Guedes às 13h10
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DARWIN

 

Por Baptistão (link).

 



Escrito por Marson Guedes às 11h53
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ESPECULAÇÕES ESPECULATIVAS

 

Parece ser contraditório afirmar que boa parte da ciência evolutiva é especulativa por natureza. Estamos acostumados com a noção de que a ciência é exata e suas afirmações categóricas. Já mencionei em um post anterior que o evolucionismo é uma ciência observacional, o que, em parte, explica minha afirmação.

É possível argumentar que a ciência evolucionista é exata, mas não é exata nas coisas que considero mais importantes. A datação de crânios e artefatos pode ser exata, mas interpretar o registro fóssil não é. Há lacunas demais para que as teorias sejam realmente explicativas. É aí o ponto fraco da teoria evolucionista, é aí o ponto de vital importância. É como um jogador de futebol que dribla todo mundo, mas que não consegue fazer o gol.

A primeira vez que notei isso foi na matéria Comportamento humano: origens evolutivas. Em matérias desse tipo a evolução nunca é discutida, apenas pressuposta. Nessa matéria foi mencionado um autor que defendia a seguinte idéia: as chimpanzés fêmeas ficam com o traseiro bem vermelho quando estão no cio, e nenhum macho fica em dúvida sobre seu estado. Isso não acontece com as fêmeas humanas. A ovulação delas é interna. Então, para evidenciar de alguma forma seu estado de prontidão sexual, o decote que revela a união dos dois seios indica as nádegas da mulher em um local onde os machos humanos conseguem enxergar. Tem mais: os lábios da fêmea humana são uma espécie de representação da vagina, motivo pelo qual elas costumam realçá-los com cosméticos. Seria um jeito de a fêmea humana indicar sua prontidão sexual, um jeito favorecido pelas pressões evolutivas. É preciso reconhecer que, mesmo dentro da comunidade evolutiva, essa é uma idéia controversa, mas é um bom exemplo de até onde podem chegar as especulações evolutivas.

Infelizmente não tenho a referência desse texto – não lembro do título, também não lembro de quem escreveu. Mas tenho ao meu lado quilos de textos dessa matéria. Para ilustrar meu argumento, vou citar alguns trechos. Tenha em mente que esses textos são usados em matérias sérias, oferecidas para alunos de mestrado e doutorado na USP. Portanto, não são uma caricatura.

 

Os pênis humanos são relativamente grossos, e isso deve ter aparecido na evolução humana simplesmente porque Lucy [fóssil bem preservado de uma fêmea humana] e suas amigas os preferiam assim. (...) Se as fêmeas primitivas escolhiam machos com falos mais grossos – como deve ter acontecido – os machos com essa característica tinham mais amigas especiais e também mais amantes ao longo de suas vidas. Portanto, tinham mais filhos; e os pênis grossos evoluíram.

Fisher, H. (1992). Anatomia do amor. Rio de Janeiro: Record (Cap. 9 – A rede da sereia, p. 207).

 

Por exemplo, não é óbvio por que a nossa perda de pêlos deveria ter tornado o sexo recreativo mais atraente, nem por que nosso controle do fogo possa ter favorecido a menopausa. Eu diria o contrário: o sexo recreativo e a menopausa foram importantes para nosso desenvolvimento do controle do fogo, da linguagem, das artes e da escrita, assim como o foram nossa postura ereta e nossos cérebros grandes.

Diamond, J. (1997). Por que o sexo é divertido? A evolução da sexualidade humana. Rio de Janeiro: Rocco. (Cap. 1 – O animal com uma vida sexual muito esquisita, p. 19).

 

Mais recentemente, Robin Dunbar sugeriu que a fala poderia ter evoluído de modo a facilitar a interação social nos grupos de hominídeos, o equivalente ao "grooming" [catação] nos primatas não-humanos. Acima de um certo tamanho de grupo, argumenta, o grooming torna-se ineficiente para manter os laços sociais. A fala é poderosa porque pode incluir indivíduos que não estão presentes. Estas linhas de investigação – o mundo mental interno e o mundo social – sustentam uma dinâmica de evolução gradual da fala e que tem início em uma época mais remota.

Lewin, R. (1998). Evolução humana. São Paulo: Atheneu Editora. (Cap. 32 – A evolução da fala, p. 465).

 

Citações semelhantes podem ser multiplicadas sem grande esforço. Mas esses são exemplos de idéia especulativas que me fizeram gradualmente perder a fé na evolução darwinista. Não que realmente a tenha aceitado, mas eu fui com honestidade intelectual procurar respostas. Li os textos, fiz perguntas a autoridades no campo, pensei, li mais. No entanto, essas especulações exageradas me fizeram desencantar da explicação evolucionista. O que o controle do fogo tem a ver com a menopausa? Talvez tudo, mas é impossível saber porque não há dados concretos. A solução? Especular com o pouco que existe de dados. Como concordar com o raciocínio sobre pênis grossos, e imaginar que eles foram selecionados evolutivamente porque a Lucy – de quem só conhecemos os ossos – gostava que fosse assim? Pode até ser verdade, mas há um exagero de suposições nesse raciocínio. Fico me perguntando: de onde vem tanta confiança para o autor observar que "deve ter acontecido"? É uma coragem especulativa que não consigo acompanhar nem aceitar. Por fim, a última citação tenta lidar de maneira desajeitada sobre a origem evolutiva da fala, da linguagem. Tenta-se partir da catação que os primatas não-humanos fazem e chegar nos vínculos sociais dos hominídeos e então – mágica! – concluir que esses aspectos sociais foram as pressões evolutivas que nos deram um cérebro grande e nos fizeram falar. E não se esqueça da importância do sexo recreativo.

Que você pense e tome uma posição. De minha parte, essas especulações são especulativas demais. Foi aí que a teoria da evolução morreu para mim.



Escrito por Marson Guedes às 11h48
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CAÇADORA DE FÓSSEIS

 

Por Jean (link).

 



Escrito por Marson Guedes às 15h33
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ESPECIAÇÃO, UM BARCO NO QUAL EU NÃO ENTRO

 

Seria interessante se você lesse o texto anterior


 

A especiação é o processo de uma espécie se transformar em outra espécie por meio da seleção natural, e isso ao longo de períodos de tempo muito longos. Todo evolucionista que se preza sabe que a força do darwinismo depende de a especiação ser verdadeira, ou seja, de ela ser realmente o mecanismo para explicar a diversidade da vida.

Olhe à sua volta e verá um número enorme de animais e insetos. Há pássaros de todo tipo, insetos há em profusão. Pássaros e insetos têm formas, cores, comportamentos e habitats diferentes. Como se faz para explicar essa diversidade?

O evolucionista afirma que essa diversidade vem da especiação, que nada mais é a seleção natural chegando a seu ponto máximo, ou seja, uma espécie transformou-se tanto devido às pressões do ambiente que passou a ser outra espécie. Assim, é possível que os cachorros, daqui a alguns milhões de anos, tenham mudado tanto que não podem mais ser chamados de cachorros: eles terão se transformado em outra espécie.

Todo evolucionista que se preza sabe que o poder explicativo do evolucionismo reside na especiação. Alguns parecem compreender que esse é também o aspecto mais frágil da teoria. Se eu fosse evolucionista, apregoaria com alta voz o poder da especiação para gerar toda a diversidade da vida que existe na terra. Faria também outra coisa: nunca apregoaria que as evidências para a especiação são poucas e de difícil interpretação.

Para provar que uma espécie se transformou em outra é preciso achar fósseis bem preservados de uma determinada espécie. Depois é preciso achar registros fósseis de uma espécie que surgiu pela especiação a partir da primeira. O mais importante: é preciso achar o registro fóssil da espécie intermediária. Como exemplo, podemos citar a idéia de que os répteis surgiram dos peixes. Uma espécie de peixe adaptou-se a viver perto das margens. Por alguma pressão ambiental, junto com alguma variação proveitosa dentro daquela espécie, aquele peixe conseguiu tirar oxigênio da água e do ar. Você pode imaginar o processo seguindo até o ponto em que o peixe faz incursões na terra firme e, por fim, depois de milhões de anos, virou um réptil. O peixe começou respirando na água e no ar, depois só no ar, depois suas nadadeiras foram se adaptando e viraram patas, e então ele conseguiu viver em terra firme, dando origem aos répteis. Um peixe virou réptil ao longo de milhões de anos: a especiação é isso. Pense nos macacos e no homem, e o processo é o mesmo – pelo menos, segundo os evolucionistas.

Eu olhava para isso tudo e ficava sem saber o que fazer. Por um lado a especiação faz sentido, mas por outro exige demais de mim. São muitas as variáveis que eu preciso supor que não são variáveis para então admitir que algo semelhante possa ter acontecido. Analisar o registro fóssil é muito complicado, e fazem-se muitas suposições na hora de montar esqueletos e tal. No caso de fósseis humanos, a coisa fica ainda mais complicada. Ossos podem durar mil anos, mas não duram duzentos mil anos. Sabe o que resiste mais ao tempo? Os dentes, pois a dentina que reveste os dentes é a mais dura substância produzida pelo corpo. Assim, se eu estiver interessado nas origens do homem, os fósseis que mais me interessam estarão nas piores condições.

Há outro problema. Não é difícil analisar os diferentes bicos dos tentilhões das ilhas Galápagos se você tiver em mãos um bom número de exemplares e ferramentas teóricas adequadas. Tentilhões em uma ilha longe do continente são praticamente um experimento ao vivo. Mas quanto à especiação, a coisa é muito diferente. Se o registro fóssil é escasso e as análises muito toscas, o que sobra é muita especulação e poucos dados. Além disso, seria necessário fazer vários experimentos com duração de milhões de anos para obter dados confiáveis para apoiar ou contradizer a especiação. E então nós voltamos para os fósseis, sua escassez, a dificuldade de analisá-los e...

É por isso que não acredito na especiação. Há muito em jogo, mas os dados são muito frágeis. Para adotar a especiação como explicação para o surgimento dos humanos, e da diversidade das espécies, eu precisaria ter muita fé em algo inacabado e frágil. Fé porque teria que acreditar em algo que não vejo, e dizer que aquilo é a verdade inquestionável. Eu teria que dar a fósseis escassos e muito incompletos o status de provas incontestes. E isso eu não faço, mesmo depois de ser bombardeado de todos os lados no meio acadêmico que me é tão caro.

Não acredito na especiação porque ela exige que eu tenha fé demais nela. Não acredito na especiação porque sou cético demais para engolir o que hoje é o establishment no meio acadêmico. Tudo bem. Já tenho a fama de revoltado mesmo...

Há ainda dois motivos pelos quais abandonei a evolução como teoria válida: a imprecisão irritante de seus textos e as "viagens" conceituais. Fica para a próxima.



Escrito por Marson Guedes às 15h30
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EVOLUÇÃO?

 

Por Enrique Lacoste (link).

 



Escrito por Marson Guedes às 00h20
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SELEÇÃO NATURAL

 

A seleção natural proposta por Darwin pode ser resumida pela expressão "a sobrevivência do mais adaptado". A idéia pode ser estendida para "a sobrevivência do mais adaptado às mudanças do ambiente", e ainda mais esticada para "a sobrevivência do mais adaptado às mudanças do ambiente e que deixa mais descendentes".

Exemplos podem ajudar. Imagine que um grupo de cachorros-do-mato que habita uma região de savana na África. Cada família gera um número de filhotes, e esses filhotes apresentam algumas características: um é mais gordinho, outro um pouco mais peludo, um mais ativo e outro mais molenga, e assim por diante. Essas variações não são comprometedoras no ambiente atual em que vivem. Mas imagine o seguinte cenário: uma tremenda mudança climática transforma a savana em um lugar gelado, e isso ao longo de milhares de anos. A mudança climática é lenta, gradual, e dentro desse período de queda de temperatura os cachorros-do-mato se reproduzem muitas vezes. A tendência é que os filhotes que nasceram com pelagem mais abundante e espessa tenham mais chance de sucesso do que outros filhotes. Depois de várias gerações, haverá um número maior de animais com pelagem mais espessa, e isso fará que esses animais sejam a maioria no grupo. Uma característica que era uma variação aleatória nos filhotes tornou-se um fator decisivo de sobrevivência.

É a sobrevivência do mais adaptado: a pelagem mais espessa provou ser um fator decisivo na sobrevivência. É a sobrevivência do mais adaptado às mudanças do ambiente: o ambiente mudou, e um tipo de característica prevaleceu, nesse caso a pelagem mais espessa. É a sobrevivência do mais adaptado às mudanças do ambiente e que deixa mais descendentes: os animais que sobreviveram geraram mais descendentes e fizeram da pelagem espessa a característica predominante no grupo.

Um exemplo clássico é o dos tentilhões. Darwin fez uma longa viagem a bordo do navio Beagle, cumprindo a função de naturalista. Os espécimes das mais variadas regiões do mundo deram a ele muito o que pensar. Um dos espécimes que ele coletou foi o de tentilhões, mais tarde batizados de os tentilhões de Darwin. Os tentilhões eram habitavam as ilhas Galápagos. O mais notável nesses tentilhões era a diferença dos bicos. Observou-se que os diferentes bicos eram adaptados ao tipo de alimento disponível na região da ilha em que foram encontrados. Alimentos mais duros favoreciam a presença de tentilhões com bicos maiores e mais fortes, e assim por diante. Como se pode interpretar esse dado de acordo com a seleção natural?

Um grupo de tentilhões conseguiu migrar do continentes para a ilha. Esse grupo era bastante uniforme em suas característica físicas. Com o tempo foram ocupando partes diferentes da ilha, que ofereciam alimentos diferentes. Ao longo de muitas gerações, foram favorecidos os tentilhões com o bico mais adaptado ao alimento disponível. Os que não tinham bicos adequados tinham menor chance de sobrevivência. Os que tinham bicos adaptados sobreviviam e geravam mais descendência, fazendo prevalecer essa característica física. Havendo diferentes tipos de alimentos, o bico dos tentilhões foram se especializando até se tornarem bem diferentes.

É por isso que considero a seleção natural uma teoria com alto poder explicativo.

 

             

             Tentilhão                                        Tentilhões de Darwin, das Ilhas Galápagos


 

Deve-se observar duas coisas importantes. Em primeiro lugar, a variação dentro da espécie tentilhão é aleatória, ou seja, nenhuma espécie "decide" se especializar em algo que vai aumentar suas chances de sobrevivência. Em segundo lugar, não há mudanças de espécie, apenas uma variação dentro da mesma espécie. Isso será importante quando tratarmos da especiação.

Sendo cristão e criacionista, não vejo nenhum problema em aceitar a seleção natural como mecanismo de diferenciação dentro da mesma espécie. Um Poodle pertence à mesma espécie do Rotweiller, que pertence à mesma espécie do Fila, que pertence à mesma espécie do Chiuaua: apesar disso, as diferenças não poderiam ser mais evidentes. Lembre-se: características diferentes, mesma espécie.

Assim, a seleção natural não coloca nenhum obstáculo para o criacionista. Para mim é uma excelente explicação, desde que não se fale em especiação, ou seja, de uma espécie transformando-se em outra. É aí que "o bicho pega". Mas isso é assunto para o próximo texto.

Ah sim: a seleção natural também é chamada de microevolução.



Escrito por Marson Guedes às 00h15
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EVOLUÇÃO CEREBRAL

 



Escrito por Marson Guedes às 16h53
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HONESTIDADE INTELECTUAL E SELEÇÃO NATURAL

 

Abre a cortina

Vou contar a história como a ouvi. Quando finalmente Darwin apresentou sua teoria da origem das espécies diante dos cientistas ingleses, um senhor de nome Wilberforce pediu a palavra e fez uma pergunta: "Senhor Darwin, o senhor descende de macaco por parte de mãe ou de pai?" Quase consigo sentir a tensão no auditório aumentar, com risinhos nervosos de uns e debochados de outros. Wilberforce assumiu naquele momento a posição de porta-voz dos que davam risadinhas debochadas. Não durou muito tempo.

Darwin respondeu mais ou menos assim: "Prefiro descender de um macaco a ser uma pessoa como o senhor, que usa todo o intelecto que possui para fazer uma pergunta imbecil como essa".

Fecha a cortina


 

Se eu estivesse presente àquela reunião, eu teria vergonha do que o Wilberforce fez. Reduzir a discussão sobre a origem das espécies a piadinhas – ainda que espirituosas – é desonestidade intelectual. Só serve para agregar os adeptos e afastar os críticos, aumentando o fosso do desentendimento. Pretendo seguir outro caminho, que é o da honestidade intelectual. Ser honesto assim é difícil, e exige muita disciplina pessoal, pois é preciso estar aberto a rever conceitos arraigados. É preciso apostar tudo, rever tudo, revirar tudo. Caso contrário, as conclusões não passarão de areia movediça que não serve nem para defender a própria fé cristã.

Eu fiz essa aposta, coloquei em xeque minhas vacas sagradas, revirei tudo que encontrei pela frente. Mesmo depois desse processo, que levou pelo menos cinco anos, emergi como um cristão convicto, que serve a um Deus que criou tudo o que há.

No entanto, é necessário reconhecer o apelo intelectual que o darwinismo exerce hoje na ciência como um todo, não apenas na biologia. Esse apelo não pode ser explicado apenas pela teimosia de cientistas anti-religiosos, mas principalmente porque o evolucionismo é uma explicação muito boa para muitos fenômenos biológicos. Mas não foi fazendo piada com o evolucionismo que eu continuei sendo criacionista.

Nosso primeiro passo é um dos conceitos mais importantes do darwinismo, a seleção natural. Uma das formas conhecidas é "os mais fortes sobrevivem", mas essa é uma forma equivocada de explicar a seleção natural. O mais certo é dizer que "os mais adaptados sobrevivem e geram mais descendência". As espécies que se adaptam melhor a um ambiente em mudança sobrevivem e conseguem gerar descendentes. As que não conseguirem se adaptar, vão sumir do mapa.

O resto da conversa fica para a próxima.



Escrito por Marson Guedes às 16h49
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DARWIN

 

Por Baptistão (link).

 



Escrito por Marson Guedes às 14h21
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