Este blog é filho de uma disciplina que se fazia necessária. Li em algum lugar um editor dizendo que a melhor prescrição para quem quer ser escritor é fazer um blog e ir experimentando, gastando o verbo num espaço próprio. Escrever é difícil, mesmo para quem tem talento com as palavras. O remédio é escrever e escrever e escrever a fim de ganhar musculatura verbal e gramatical. E sempre há a esperança de algum olheiro cibernético gostar do seu trabalho e resolver publicar.
Passei um bom tempo publicando textos a cada três ou quatro dias, uma insanidade. Tinha bastante coisa aguardando ser escrita, e lá se foram textos sobre cristianismo, religião, ciência, filosofia e afins. Desde o início este temas ficaram de sobrenome do blog, um subtítulo informativo e útil. Alguns temas viraram séries. O tema campeão de posts foi o evolucionismo, que mereceu onze textos, o número de textos que julguei necessário para dizer o que tinha a ser dito. E assim fui escrevendo, gastando a gordura que tinha acumulado ao longo dos anos de leitura e reflexão.
Disse a mim que não faria um "blog de relacionamento" que incluísse minhas fortuitas opiniões sobre astrologia e as fotos do meu cachorro com óculos escuros e boné do Timão. Usar emoticons, escrever "chuiff", "rsrsrs..." ou "huahuahua" estavam igualmente banidos. O blog seria de conteúdo, não de peculiaridades da minha pessoal. Nada contra. Fiz um blog que eu gostaria de visitar, então estas foram as opções óbvias.
Logo vi que um blog de textos e mais textos seria coisa muito árida para os olhos. Foi quando comecei a publicar caricaturas, charges políticas, pinturas, cartuns e tiras, todos pertencentes à categoria afins. Talvez pudesse usar "blog do Marson: bom de ler, bom de ver" como uma ótima descrição das minhas intenções. Saiba que todos os artistas publicados neste blog me deram permissão por escrito, algo de que me orgulho muito.
Recentemente me dei conta que não havia mais necessidade de produzir textos a cada três ou quatro dias, não sentia que isso era necessário. Estava mais preocupado em dar um salto em vez de dar mais um passo. O texto "Dez anos" representou para mim uma virada, o abandono de maneirismos que usei por tanto tempo, especialmente o exagero nos detalhes e uma tendência sarcástica ao automenosprezo.
Mais recentemente comecei achar que o subtítulo "cristianismo, religião, ciência, filosofia e afins" está desafinando com o tom dos últimos textos. Faz um bom tempo que não escrevo nada sobre ciência, e nem lembro quando foi o último texto sobre filosofia. Tenho escrito sobre afetos e estou sempre tentando enxergar o que Cristo tem a ver com eles. E agora não sei o que fazer: mudo ou não o subtítulo? Os visitantes costumeiros vão estranhar? Vou atrair mais audiência? Sei lá.
Sei, no entanto, que ciência e filosofia não têm sido objeto das minhas reflexões. Estou em paz com estes assuntos, é difícil escrever sobre temas que parecem confortáveis. Aparentemente é preciso uma certa tensão benigna para que as palavras encontrem fluidez. Estes temas voltarão à baila, por certo. Mas enquanto isso não acontece, optei por deixá-los em paz, fermentando lentamente para um dia irromperem com força na consciência. Então voltarei à carga.
Já fui moleque ávido por informação e carente de boa interpretação. Gostaria que alguém tivesse escrito para mim o que escrevo neste blog. Isso teria me poupado de muitas angústias e dissabores. Minha esperança é que as palavras que escrevo sirvam para alimentar sua mente e alma, e que as imagens publicadas encham seus olhos.
Alvíssaras. Estamos apenas começando.