RESPOSTA A BART EHRMAN - PARTE 5
Ele não sabe, eu também não
Encontrar uma resposta que satisfaça não é o mesmo que ter resposta para tudo. Aprendi logo que humildade é coisa sempre bem-vinda no debate sobre o sofrimento. Discordar de Bart não é mesmo que jogar fora todos os seus argumentos. Hoje é dia de falar sobre o desconhecimento que compartilho com Bart.
Sobre a tomada de Jericó, coisa que Deus ordenou a Josué, Bart diz: "O que importa na narrativa é que Deus queria que os filhos de Israel habitassem a terra, e para isso eles precisavam se livrar dos habitantes anteriores. Mas e quanto aos inocentes em Jericó, as garotas de dois anos de idade crescendo em seus pátios e seus irmãos de seis meses de vida? Assassinados ali. Para o Deus de Israel, evidentemente, isso não foi um pecado" (p. 95). Não sei responder a isso, porque isso me perturba. Bart não conhece os motivos para isso, eu também não.
Falando sobre o sofrimento imposto pela AIDS na África, Bart diz: "É não apenas homofóbico e odioso, mas também impreciso e inútil atribuir essa epidemia a preferências sexuais e promiscuidade – mas, para começar, por que a doença existe?" (p. 145). Não sei porque as doenças existem, muito menos como elas se encaixam no plano de Deus em que acredito. É perturbador. Bart não sabe, eu também não.
Bart está acostumado a pessoas que pensam ter resolvido o problema do sofrimento sacando o livre-arbítrio, como se fosse uma chave-mestra a abrir todos os mistérios. A resposta deve costuma ser: "Como eu esperava, ela [uma aluna] estava pronta e ansiosa para me dar ‘a’ resposta: ‘Há sofrimento’, disse ela, ‘porque precisamos ter livre-arbítrio, do contrário seríamos como robôs’. Eu fiz minha pergunta-padrão: se o sofrimento diz respeito apenas ao livre-arbítrio, como explicar furacões, tsunamis, terremotos e outras catástrofes naturais? Ela não tinha certeza, mas estava confiante de que tinha alguma relação com o livre-arbítrio" (p. 201). Eu não sei porque os acidentes naturais acontecem, e a simples existência deles me perturba. Bart não sabe, eu também não.
Não consigo imaginar nenhuma passagem bíblica que trate deste assunto. Mesmo que elas existissem, não tenho garantia de que as compreenderia. Com estas dúvidas, Bart me ajudou a lembrar da atitude apropriada para momentos assim, a posição adotada por Jó depois de questionar Deus e não obter resposta: "Quem é este que sem conhecimento obscureceo conselho? De fato falei do que não entendia, coisas que me eram maravilhosas demais e eu não compreendia" (Jó 42:3). E se Jó resolveu não falar nada, também não me pronunciarei, nem responderei com vento a perguntas que me perturbam.