ILUSTRAÇÕES

 

Por Robin Eley (link).

 

 



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 01h08
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RESPOSTA A BART EHRMAN - PARTE 4

 

Está faltando alguma coisa

Cristãos bem intencionados de vez em quando dizem que a Bíblia é um livro simples, direto: basta querer para entender. É bem fácil entender o que Jesus queria dizer quando disse "amem seus inimigos" ou "eu sou o pão da vida", mas é preciso bem mais tutano para entender o que significa "comer do meu corpo e beber do meu sangue", como relata João em seu evangelho. Tenho dito sempre que posso que a Bíblia não se abre para gente displicente. É preciso abraçar o texto, lutar com ele, debater-se com seu signifcado. Poucas exeperiências me são mais espirituais do que quando um texto bíblico se abre para mim, como se uma portal existencial tivesse se escancarado bem na minha cara.

Isso também vale para os profetas, aquele bando de homens malucos que diziam falar em nome de Deus, cada um com sua esquisitice característica. Eles sofriam por obedecer a Deus e, em escala muito reduzida, sentiam as mesmas angústias que Deus. Aparentemente Deus fazia seus profetas experimentarem a dor divina para então profetizarem na mesma nota triste as advertências, rejeição, juízo e promessa de redenção. Oséias é o exemplo arrematado deste estilo divino de lidar com os profetas.

Veja que situação. Deus chama Oséias para ser profeta e lhe diz para casar com uma mulher que não presta. Ele obedece, tem filhas com nomes depreciativos escolhidos pelo próprio Deus, e depois vê sua mulher infiel largar dele para ficar com outros. Então Deus pergunta "entendeu agora, Oséias, o que sinto em relação a meu povo?" E complementa: "vai agora e fala com conhecimento de causa, chama de volta sua mulher infiel do mesmo jeito que eu chamo de volta meu povo que me traiu".

Por mais que esta situação seja trágica para Oséias, ela ainda é bonita, é o sofrimento dos devotos, daqueles que amam a Deus mais o que a si mesmos. É o tipo de abnegação que se espera de profetas como Oséias. Não é uma beleza estética, evidentemente, mas uma beleza elevada, espiritual. Sou bastante sensível a este tipo de estética que leva consigo muita dor e uma redenção ainda maior do que a dor.

Nem tudo é assim tão belo. Assim como nos livros de outros profetas, o livro de Oséias está cheio de violência patrocinada pelo próprio Deus. Funciona assim: Deus promulgou sua lei, o povo desobedeceu, se encheu de violência e injustiça, Deus manda seus profetas para advertir sobre o julgamento, o povo ignora, Deus manda mais profetas com advertências mais veementes e, quando não tem mais jeito e a ferida é incurável, Deus traz seu povo a juízo. É em situações como essa que Deus faz exércitos de outros países se levantarem contra Israel para castigá-lo. O resultado são as atrocidades da guerra, vistas por todos, banho de sangue à luz do meio dia, da qual não escapam velhos, mulheres nem crianças. É uma cena repugnante, mesmo quando é apenas uma advertência. Abra o livro de Oséias, e mesmo uma olhada displicente vai tornar evidente o que digo.

Um dos grandes prazeres de ler o livro de Bart Ehrman é que ele tem suficiente intimidade com o texto para notar essa grosseria da violência patrocinada por Deus, ainda que seja com o objetivo de resgatar seu povo. A situação é crua, e é com crueza que ele a descreve. É uma das razões pelas quais o chamo de amigo.

Bart não consegue ler estes relatos sem se revoltar. Como é que Deus pode originar a violência da guerra para corrigir seu povo? Mesmo que isso seja justo, como ele pode permitir que mulheres, crianças e velhos morram inocentemente? Por que não manda matar só os culpados? Bart entrou nessa vala, e dela não saiu. Embora seus questionamentos me perturbem por causa da honestida e do sentido que fazem, eu me recuso a permanecer nessa vala, mais por teimosia do que por qualquer outra coisa. Tem que ter algo mais.

Eu acho mesmo que tem esse algo a mais. Deus sempre diz por meio de seus profetas que a última palavra não é o juízo nem os horrores da guerra: a última palavra é sempre de redenção. Bart cita as passagens certas dos profetas certos, mas notei uma ausência notável, exatamente uma referência no livro de Oséias que ele cita extensamente. Ele mencionou o juízo e os horrores da guerra, mas deixou de lado – conscientemente ou não – a que parece ser a mais pungente declaração de amor que Deus faz a seu povo: "Como posso desistir de você, Efraim[1]? Como posso entregá-lo nas mãos de outros, Israel?... O meu coração está enternecido, despertou-se toda a minha compaixão. Não executarei a minha ira impetuosa, não tornarei a destruir Efraim. Pois sou Deus, e não homem, o Santo no meio de vocês" (Oséias 11:8-9). Outra versão traz "Meu coração está comovido dentro de mim, as minhas compaixões, à uma, se acendem".

Por mais que admire Bart, não consigo ficar com a não-solução dele, uma vez que ele é preciso na hora de rejeitar e impreciso na hora de propor. Prefiro ficar com um Deus que nem sempre entra na minha cabeça, mas um Deus que, no fim das contas, quer mesmo é seguir suas compaixões, que se acendem todas de uma vez quando seu povo se aproxima da curva que não tem volta.

A ausência notável das divinas contorções compassivas no texto do Bart é o que abre um fosso entre mim e ele. Ambos temos inquietudes quanto às soluções de Deus para o sofrimento, mas eu permaneci abraçado a um Deus repleto de intenções redentoras.

 

[1] Efraim é uma maneira poética de se referir a Israel.



Categoria: Cristianismo - Religião
Escrito por Marson Guedes às 16h24
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RINHA DE TUCANO

 

Por Marco Jacobsen (link).

 



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 02h22
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DEPENDENDO DA MULHER, É MELHOR BEBER MAIS DO QUE 5 CERVEJAS

 



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 01h28
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MPB

 

Por Fernandes (link).

 



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 14h08
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L'AMOUR

 

Animação de Louis Clichy, ao som de Edith Piaf e Theo Sarapo.

 

 



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 13h04
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CARTUM

 

Por Miran (link).

 



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 11h53
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