JONAS E A BALEIA

 

Por Gabriela Kimura (link).


 

Para Floquinho

 

Lembro de muitas cenas distintas: um moleque com uma franja na testa, a cara redonda na porta perguntando se alguém tinha visto seu bongô. Um bongô que foi do seu avô. Todo mundo riu e achou aquela figura engraçada. O sotaque mais arranhado do mundo, denunciando o que eu já previa. O cara era carioca.

Sim, eu e os meus pré-conceitos. Folgado, pensei. E era. Viu-me um dia com o violão na mão (sim, na época eu vivia com um violão a tiracolo) e pediu: "toca aí Mano Velho, da Marisa Monte". Oi? Não conheço essa música, respondi. "Conhece sim, já te vi tocando". Depois de muito tutano, fui me tocar que a música que o garoto pedia era "Sobre o tempo", do Pato Fu. Rimos muito aquele dia.

Mas voltemos ao folgado. Conheci esse cara num encontro de comunicação. Um frio de doer, em Florianópolis. Todo mundo querendo conhecer quase todo mundo. E ali mesmo, faltando quase dois meses para o meu aniversário (quem me conhece sabe que espero o ano inteiro por essa data), decidi que iria fazer uma festa em Campinas. Chamei o cara e seus dois amigos. E num é que eles apareceram? De mala e cuia, bongô, violão, cobertas, instrumentos. Meu pequeno apartamento de estudante virou, de repente, uma imensa república.

Dali para frente, nos tornamos amigos. Ele sempre que me via ou falava comigo ao telefone, adorava me irritar dizendo que o Papa era carioca, que o Romário era carioca e como as coisas boas ficavam sob e sobre o Cristo. Deus-me-livre, eu dizia.

Um dia, reclamei do preço da água de coco. Era o tipo de "deixa" que ele agarrava com as duas mãos. "Aqui no Rrrrrrrio é muito barato. Temosssssss água de coco quase de graça". Retruquei, desdenhei. De manhã, o cara apareceu numa Saveiro quadrada e lotada de coco na porta da minha casa. O maluco dirigiu do Rio até Campinas só para me provar que estava certo. Descarregou a mercadoria em casa e ainda me deixou na faculdade. Depois, foi embora.

Essa e outras histórias faziam da nossa convivência, algo irritantemente delicioso. Cuidava do meu apartamento, de mim, mesmo de longe. Insistia em chamar a Sushi, minha tartaruga, de Susi. Sempre.

Um dia me ligou dizendo que queria que eu fosse madrinha do seu casamento. Naquele tempo ele sabia que eu torcia o nariz para esse tipo de cerimônia. Aceitei. A última vez que o vi foi aqui mesmo em São Paulo. Nessa época acho que eu ainda estava em BH. Almoçamos numa cantina e rimos pra cacete.

Isso tem uns 4 anos. Esse é o tempo que deixamos a correria tomar conta da gente. E realmente acreditamos que algumas coisas e pessoas são para sempre. Não sou de fazer sensacionalismo e tampouco gosto de homenagens. É que algumas histórias, quando são boas, devem ser compartilhadas. Temos muitas delas. O casamento dele não aconteceu. A vida tem dessas coisas. Alguns amores acabam antes de se tornarem chatos e penosos. Ele e ela, acredito, foram grandes amigos.

E foi ela quem pediu que me avisassem que o garoto carioca, folgado e com todos os "erres" entre os dentes, foi tocar bongô em outras bandas navegando, quem sabe, em cima de uma grande baleia branca. Tchau muleeeeeeeeeeeeque.



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 14h48
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CHICO

 

Por Mario Alberto (link).

 



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 14h41
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BUSH [AMY-A OU DEIXE-A] WINEHOUSE

 

Por Marco Jacobsen (link).

 



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 14h20
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NARCISO POLUÍDO

 

Por Rodrigo Rosa (link).

 



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 10h51
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FIDELIO

 

Por Sam Weber (link).

 



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 10h30
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REFORMA ORTOGRÁFICA

 

Por Orlandeli (link).

 

 



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 11h43
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COSMOVISÃO: CRISTÃ E SÃ

 

Parte 2 - final


 

Se existe um mar revoltoso que representa a maldade humana, existe também uma plataforma sólida, inexpugnável de segurança acima do penhasco. Se existe uma maldade que vai às raias da malignidade, existe também uma bondade totalmente confiante na regeneração do homem. Diante da ansiedade o cristianismo apresenta a providência divina: "Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus". Diante da violência, o cristianismo propõe a regeneração da natureza humana.

Resolvidos os problemas da ansiedade e da violência, pode-se na plataforma pensar, refletir, correr e brincar. É exatamente a firmeza e a solidez que permitem à plataforma ser um lugar propício à imaginação e à criatividade, convidativos à reflexão intelectual e à discussão profunda dos temas existenciais. Tudo funciona com muita fluidez e liberdade porque a plataforma é sólida, firme. Há quem diga que tal robustez mais assusta do que abraça. Ao contrário: é nos braços fortes do pai que uma criança se atira, sem sequer pensar na possibilidade de não ser pega no ar para a diversão entusiasmada de ambos. É somente a firmeza que faz a criança voltar correndo e pedir "de novo" com aquele gritinho agudo de satisfação.

O cristianismo não poderia ser inventado. Não há criatividade humana que possa produzir um Deus que assume a forma de suas criaturas humanas, e que então se deixasse morrer para pagar o preço da sentença para a ansiedade sem solidariedade e da violência maligna. A sentença de morte Jesus, o Deus feito homem, sofreu para satisfazer a justiça divina e para tornar possível a regeneração do mais vil dos seres humanos. É o abismo do mar revoltoso anulado para sempre pela plataforma seguro e cheio de vida. Isso é salvação.

Há mais um sentido em que o plataforma responde aos mais prementes anseios do ser humano, o anseio pela eternidade. Se o Senhor da plataforma venceu a morte na ressurreição, aqueles que vivem na plataforma também experimentarão a vitória sobre a morte quando esta for engolida pela vida. Os que vivem na plataforma receberão vestes novas para combinar com um corpo glorificado. Então teremos a eternidade para conhecer o Senhor da plataforma. E lá - seja onde for este lá - será um lugar ainda mais propício à imaginação e à criatividade, ainda mais convidativo à reflexão intelectual e à discussão profunda dos temas existenciais.

É por estas e outras que continuo cristão. É que a cosmovisão cristã explica muito bem o mundo em que vivo sem me privar dos desejos de esperança e eternidade. Ela é sã porque é cristã.



Categoria: Filosofia
Escrito por Marson Guedes às 11h08
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ELTON JOHN

 

Por Baptistão (link).

 



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 11h00
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SALVADOR DALI

 

Pora Valéria Fernandes (link).

 



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 12h27
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