REFORMA ORTOGRÁFICA

 

Por Jean Galvão

 



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 12h09
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




 
 

COSMOVISÃO: SECULAR E MONOCULAR

 

Parte 2


 

Basta-nos dizer que o secularismo é a antítese de tudo o que é religioso. Ser secular é não ser religioso. O secularista sente como a coisa mais óbvia do mundo o dever de defender o mundo da corrupção religiosa. Foi esse dever que moveu o editorial daquele jornal a escrever contra o ensino do criacionismo ao lado do evolucionismo que, na opinião do jornal e na de muita gente, tem inúmeras evidências científicas que lhe dão suporte.

No secularismo não existe nada que vá além da natureza, do natural, nem se cogita o sobrenatural. Portanto, não existe espaço para o criacionismo. Se o criacionismo avança na esfera pública, a mentalidade secular se sente obrigada a manifestar sua dicordância e desfilar, ainda que sucintamente, sua defesa. Mas acho que o secularismo a insuflar aquele editorial cai sobre o próprio peso da inadequação à vida, e então o alegado peso da evidência científica a favor do evolucionismo perde sua força.


 

Estudar o evolucionismo foi uma coisa muito chata, ossos do ofício de qualquer apologista que se preze. Li, pensei e ouvi bastante. Estudei com defensores do evolucionismo, e sei o que digo. Fui direto à fonte, não peguei atalhos nem me vali de resumos duvidosos. Duas coisas me fizeram desistir do evolucionismo. A primeira é que os textos, especialmente os de psicologia evolutiva, estão coalhados de expressões como "supondo que...", "teoricamente é de se esperar que...", "os registros sugerem que...". Eu tinha a expectativa de encontrar uma boa porção de respostas e uma medida razoável de suposições. Foi o contrário com que me deparei.

Essa primeira razão é subsidiária, mas a segunda razão vai ao coração do evolucionismo, tirando-lhe a vitalidade: a afirmação mais importante do evolucionismo é também a mais carente de provas científicas, a saber, a especiação. Esta deriva sua força mais do apelo teórico do que dos dados apresentados em seu favor. Especiação acontece quando uma espécie se transforma em outra de tanto se adaptar: peixes que viram répteis que viram aves, e assim por diante. O único empecilho é que não se pode de fato provar a especiação porque ela se dá ao longo de era geológicas, impossibilitando qualquer arranjo experimental que a possa comprovar ou negar definitivamente. Por que o editorial cantou os louros da teoria evolutiva e de suas comprovações? Porque não conhece os meandros da teoria - nem era de se esperar que o fizesse - e porque sua cosmovisão diz que este é o certo. Assim como a especiação é um artefato da teoria evolucionista, defendê-la com o argumento fraco das evidências científicas é um artefato das cosmovisão secularista.

Desafiei o irmão mais velho, e constatei que ele não era tão forte nem tão assustador.


 

Passada esta fase, descobri que havia um problema ainda mais grave com o secularismo, a saber, ele não satisfaz os anseios mais persistentes do ser humano. Quanto à imanência o secularismo é adequado, mas quanto à transcendência a nota é zero. Zero porque o secularismo sequer admite que exista tal coisa. É possível argumentar que estou usando uma cosmovisão para criticar outra cosmovisão, e o argumento seria válido. No entanto, o que me importa é quão bem a cosmivsão explica o mundo e nos ajuda a navegar nele - afinal, é para isso que a cosmovisão serve.

De uma coisa sei, da qual estou certo: o ser humano tem dentro de si uma necesidade premente e persistente de transcender, ou seja, envolver-se com algo que seja maior do que ele mesmo, com algo que tenha significado. Não existe ciência nem secularismo que dê jeito nisso. A ciência simplesmente não pode se pronunciar sobre questões de significado, ela não tem Instrumentos para tanto. O secularismo, em vez de dar uma resposta - qualquer resposta - resolveu sabe-se Deus lá porquê que a transcendência sequer existe. O secularista fica a ver navios em seu momentos de transcendência, navios palpáveis, mas nunca os navios metafóricos de esperança, significado ou eternidade. O secularismo fracassa em satisfazer a alma humana porque lhe nega a existência.

Além de não ser tão forte nem tão assustador, o irmão mais velho também não usa o alfabeto completo na hora de dizer o que tem a propor. Arriscaria ainda a dizer que, em momentos de nervosismo, ele perde as palavras e chega a gaguejar.

Quer mais? Tem. O secularismo sequer consegue criticar com a acidez necessária a religiosidade à qual professa resistir.

 

(continua)



Categoria: Filosofia
Escrito por Marson Guedes às 11h11
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




 
 

WATCHING YOU

 

Por Audrey Kawasaki (link).

 



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 11h05
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




 
 

THRILL

 

Por Martin French (link).

 



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 11h52
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




 
 

JOKER

 

Por Celso Mathias (link).

 



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 13h15
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




 
 

CARTUM

 

Por Duke (link).

 



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 11h59
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




 
 

COSMOVISÃO: SECULAR E MONOCULAR

 

Parte 1


 

É como se eu estivesse em um imenso pavilhão, um misto de estacionamento de subsolo com teto de escritório. As vigas são quadradas, muito largas, feitas daquele concreto claro que parece estar polido, nas quais se divisam reflexos das luzes vindas de luminária compridas e amaciadas por um plástico leitoso. Tudo é muito limpo, quadrado, organizado, asséptico. Se fosse um estacionamento, caberia bem uns trezentos carros sem aperto; se fosse um escritório, abrigaria bem umas quinhentas pessoas trabalhando sem se acotovelarem.

Toda a iluminação é artificial, não há janelas nem frestas por onde a luz do dia consiga se imiscuir. Não imagino lá marqueteiros tentando bolar o próximo comercial sobre o qual todo mundo fala. Não. Entretanto, é possível imaginar uma equipe de engenharia dos velhos tempos, daquelas que usava prancheta, régua paralela, lapiseira 0,5 mm, canetas nanquim, calculadoras científicas, compasso e transferidor. O lugar não é antiquado, apenas combina com esta imagem de rigor manual, exatidão e minúcias de cálculo.

Não é um lugar intimidador, mas dá a impressão que falta algo. Quem solta um grito no meio deste pavilhão de subsolo não ouve o eco típico dos lugares abertos. Não. Junto com o eco vem muita reverberação que confunde o ouvido com o richocheteio das ondas sonoras que batem e voltam no piso liso e nas vigas nuas. A voz em seu tom normal fica amplificada, com som alargado, mas qualquer coisa mais alta ou estridente recebe de volta mais confusão do que amplificação. O ganho de volume se perde no esforço maior que é necessário para compreender o conteúdo no meio de um amontoado de ondas sonoras que se cruzam, se anulam e se contaminam com a poluição acumulada na reverberação. Ali é lugar de se falar baixo, comedidamente e com boa dicção. Qualquer barulho divertido dói o ouvido. Não serve, por exemplo, como playground nem campinho de futebol. Essas coisas são divertidas demais para este pavilhão. É lugar muito bom para deixar o carro, mas não serve como moradia, lugar de lazer nem ambiente de trabalho.

O lugar é limpo, quadrado, eficiente, asséptico. Mas não é bem um lugar, é uma cosmovisão.


 

Recentemente li o editorial de um jornal que criticava o ensino do criacionismo nas escolas. Referia-se a algum estado ou município que aprovara uma lei que permitia o ensino do evolucionismo e do criacionismo. Nem me dei ao trabalho de descobrir onde tal fato se dera. Eu acho esse assunto muito chato, mantenho-me a léguas de distância dele. O tema me lembra do ranço religioso herdado dos batistas americanos, que se apegou a mim tal coisa grudenta e asquerosa, coisa da qual me afasto bruscamente sempre que a identifico.

Li o texto e minha primeira impressão foi muito boa, pois estava bem escrito, bem estruturado e sucinto apesar de dizer tudo o que precisava dizer. Fiquei sem ação. Se estivesse em um debate, eu teria ficado sem fala, sem palavras decentes que compusessem uma resposta respeitável. Certo é que as respostas vieram, e elas evocaram em mim a imagem de um pavilhão com teto de escritório e piso de estacionamento, lugar que não comporta barulho nem serve de ambiente para a criatividade.

Cosmovisões são coisas elusivas, são como o ar que não se pode enxergar, mas que podem matar se faltarem. São coisas invisíveis, mas que definem quase tudo (ou tudo - é que fiquei temeroso na hora de dizer "tudo") em uma sociedade e, por extensão, para cada indivíduo.

É por isso que uma observação feita dentro de uma cosmovisão tem mais peso que a observação em si. O que vale mais? A ameaça que você faz para os meninos folgados da sua rua, ou seu irmão mais velho que lança olhares raivosos aos moleques folgados? O que vale mais? Dizer que o evolucionismo tem inúmeras evidências científicas, como fez aquele editorial, ou dizer isso dentro do arcabouço secular que o aceita com a maior naturalidade? A cosmovisão é o irmão mais velho que põe para correr as críticas feitas por moleques atrevidos. A menos, é claro, que você queira enfrentar o irmão mais velho.

 

(continua)



Categoria: Filosofia
Escrito por Marson Guedes às 13h28
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




 
 

BJÖRK

 

Por Chris Wahl (link).

 

 



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 13h24
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ ver mensagens anteriores ]


UOL
 



Meu perfil
BRASIL, Sudeste, COTIA, GRANJA VIANA, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese, English, Gastronomia
Histórico
Categorias
  Todas as Categiorias
  Cristianismo - Religião
  Ciência
  Filosofia
  Afins
  Miscelânea
Outros sites
  Fotos lançamento do meu livro
  Meu site
  Spiritualitate
  Marson na Ogeda IT Solutions
  Gustavo Duarte - caricaturas
  Baptistão - caricaturas
  E-Sword - Electronic Bible
  download do livro - O Caminho de Jeremias (clique e depois digite a senha: blogdomarson)
  Blog do Marson - download de todos os textos (clique e depois digite a senha: blogdomarson)


Onde estão os blogueiros?
Creative Commons License
blog do Marson by Marson Guedes is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License
.

 Adicione esse feed


O que é isto?