ESPECIAÇÃO, UM BARCO NO QUAL EU NÃO ENTRO
Seria interessante se você lesse o texto anterior
A especiação é o processo de uma espécie se transformar em outra espécie por meio da seleção natural, e isso ao longo de períodos de tempo muito longos. Todo evolucionista que se preza sabe que a força do darwinismo depende de a especiação ser verdadeira, ou seja, de ela ser realmente o mecanismo para explicar a diversidade da vida.
Olhe à sua volta e verá um número enorme de animais e insetos. Há pássaros de todo tipo, insetos há em profusão. Pássaros e insetos têm formas, cores, comportamentos e habitats diferentes. Como se faz para explicar essa diversidade?
O evolucionista afirma que essa diversidade vem da especiação, que nada mais é a seleção natural chegando a seu ponto máximo, ou seja, uma espécie transformou-se tanto devido às pressões do ambiente que passou a ser outra espécie. Assim, é possível que os cachorros, daqui a alguns milhões de anos, tenham mudado tanto que não podem mais ser chamados de cachorros: eles terão se transformado em outra espécie.
Todo evolucionista que se preza sabe que o poder explicativo do evolucionismo reside na especiação. Alguns parecem compreender que esse é também o aspecto mais frágil da teoria. Se eu fosse evolucionista, apregoaria com alta voz o poder da especiação para gerar toda a diversidade da vida que existe na terra. Faria também outra coisa: nunca apregoaria que as evidências para a especiação são poucas e de difícil interpretação.
Para provar que uma espécie se transformou em outra é preciso achar fósseis bem preservados de uma determinada espécie. Depois é preciso achar registros fósseis de uma espécie que surgiu pela especiação a partir da primeira. O mais importante: é preciso achar o registro fóssil da espécie intermediária. Como exemplo, podemos citar a idéia de que os répteis surgiram dos peixes. Uma espécie de peixe adaptou-se a viver perto das margens. Por alguma pressão ambiental, junto com alguma variação proveitosa dentro daquela espécie, aquele peixe conseguiu tirar oxigênio da água e do ar. Você pode imaginar o processo seguindo até o ponto em que o peixe faz incursões na terra firme e, por fim, depois de milhões de anos, virou um réptil. O peixe começou respirando na água e no ar, depois só no ar, depois suas nadadeiras foram se adaptando e viraram patas, e então ele conseguiu viver em terra firme, dando origem aos répteis. Um peixe virou réptil ao longo de milhões de anos: a especiação é isso. Pense nos macacos e no homem, e o processo é o mesmo – pelo menos, segundo os evolucionistas.
Eu olhava para isso tudo e ficava sem saber o que fazer. Por um lado a especiação faz sentido, mas por outro exige demais de mim. São muitas as variáveis que eu preciso supor que não são variáveis para então admitir que algo semelhante possa ter acontecido. Analisar o registro fóssil é muito complicado, e fazem-se muitas suposições na hora de montar esqueletos e tal. No caso de fósseis humanos, a coisa fica ainda mais complicada. Ossos podem durar mil anos, mas não duram duzentos mil anos. Sabe o que resiste mais ao tempo? Os dentes, pois a dentina que reveste os dentes é a mais dura substância produzida pelo corpo. Assim, se eu estiver interessado nas origens do homem, os fósseis que mais me interessam estarão nas piores condições.
Há outro problema. Não é difícil analisar os diferentes bicos dos tentilhões das ilhas Galápagos se você tiver em mãos um bom número de exemplares e ferramentas teóricas adequadas. Tentilhões em uma ilha longe do continente são praticamente um experimento ao vivo. Mas quanto à especiação, a coisa é muito diferente. Se o registro fóssil é escasso e as análises muito toscas, o que sobra é muita especulação e poucos dados. Além disso, seria necessário fazer vários experimentos com duração de milhões de anos para obter dados confiáveis para apoiar ou contradizer a especiação. E então nós voltamos para os fósseis, sua escassez, a dificuldade de analisá-los e...
É por isso que não acredito na especiação. Há muito em jogo, mas os dados são muito frágeis. Para adotar a especiação como explicação para o surgimento dos humanos, e da diversidade das espécies, eu precisaria ter muita fé em algo inacabado e frágil. Fé porque teria que acreditar em algo que não vejo, e dizer que aquilo é a verdade inquestionável. Eu teria que dar a fósseis escassos e muito incompletos o status de provas incontestes. E isso eu não faço, mesmo depois de ser bombardeado de todos os lados no meio acadêmico que me é tão caro.
Não acredito na especiação porque ela exige que eu tenha fé demais nela. Não acredito na especiação porque sou cético demais para engolir o que hoje é o establishment no meio acadêmico. Tudo bem. Já tenho a fama de revoltado mesmo...
Há ainda dois motivos pelos quais abandonei a evolução como teoria válida: a imprecisão irritante de seus textos e as "viagens" conceituais. Fica para a próxima.