HONESTIDADE INTELECTUAL E SELEÇÃO NATURAL
Abre a cortina
Vou contar a história como a ouvi. Quando finalmente Darwin apresentou sua teoria da origem das espécies diante dos cientistas ingleses, um senhor de nome Wilberforce pediu a palavra e fez uma pergunta: "Senhor Darwin, o senhor descende de macaco por parte de mãe ou de pai?" Quase consigo sentir a tensão no auditório aumentar, com risinhos nervosos de uns e debochados de outros. Wilberforce assumiu naquele momento a posição de porta-voz dos que davam risadinhas debochadas. Não durou muito tempo.
Darwin respondeu mais ou menos assim: "Prefiro descender de um macaco a ser uma pessoa como o senhor, que usa todo o intelecto que possui para fazer uma pergunta imbecil como essa".
Fecha a cortina
Se eu estivesse presente àquela reunião, eu teria vergonha do que o Wilberforce fez. Reduzir a discussão sobre a origem das espécies a piadinhas – ainda que espirituosas – é desonestidade intelectual. Só serve para agregar os adeptos e afastar os críticos, aumentando o fosso do desentendimento. Pretendo seguir outro caminho, que é o da honestidade intelectual. Ser honesto assim é difícil, e exige muita disciplina pessoal, pois é preciso estar aberto a rever conceitos arraigados. É preciso apostar tudo, rever tudo, revirar tudo. Caso contrário, as conclusões não passarão de areia movediça que não serve nem para defender a própria fé cristã.
Eu fiz essa aposta, coloquei em xeque minhas vacas sagradas, revirei tudo que encontrei pela frente. Mesmo depois desse processo, que levou pelo menos cinco anos, emergi como um cristão convicto, que serve a um Deus que criou tudo o que há.
No entanto, é necessário reconhecer o apelo intelectual que o darwinismo exerce hoje na ciência como um todo, não apenas na biologia. Esse apelo não pode ser explicado apenas pela teimosia de cientistas anti-religiosos, mas principalmente porque o evolucionismo é uma explicação muito boa para muitos fenômenos biológicos. Mas não foi fazendo piada com o evolucionismo que eu continuei sendo criacionista.
Nosso primeiro passo é um dos conceitos mais importantes do darwinismo, a seleção natural. Uma das formas conhecidas é "os mais fortes sobrevivem", mas essa é uma forma equivocada de explicar a seleção natural. O mais certo é dizer que "os mais adaptados sobrevivem e geram mais descendência". As espécies que se adaptam melhor a um ambiente em mudança sobrevivem e conseguem gerar descendentes. As que não conseguirem se adaptar, vão sumir do mapa.
O resto da conversa fica para a próxima.