EU NÃO GOSTO DE ANO-NOVO

 

Eu não gosto de ano-novo

Quem pensa muito tende a ser meio para baixo, sem muita animação. Isso nem sempre é verdade, mas a propensão à macambuzice é real. É que o mundo não é um lugar convidativo, pois está cheio de armadilhas e maldades. É ingenuidade pensar que não.

Quem pensa muito tende a não entender o mundo, pois as coisas que antes pareciam ajustadas saem do lugar e perdem o foco. O mundo é um lugar estranho.

Quem pensa muito vê muito defeito nas pessoas. Mais dia, menos dia, começa a ver mais defeitos em si mesmo do que nas pessoas. Então, a sensação se estranheza aumenta. E você pode começar a não gostar daquilo que (quase) todo mundo gosta.

Eu não gosto de ano-novo.


 

Sei bem o que me incomoda nessas festas de fim de ano: a hipocrisia e o auto-engano.

A hipocrisia é aquela sensação que as pessoas me dão de que o Natal e o ano-novo são uma purificação compulsória dos impulsos destrutivos que as pessoas carregam dentro de si. Funciona mais ou menos assim: se eu entrar no espírito do Natal só na época do Natal, abraçar gente que eu gostaria de esfaquear pelas costas, desejar feliz ano-novo e sentir uma pontinha de carinho pelas pessoas que odeio, então estou livre para odiar e esfaquear essas pessoas durante o resto do ano. Parece-me que essa ilusão é tão forte que a pessoa chegar a acreditar nela, ainda que momentaneamente.

O auto-engano é a sensação acalentada de que o ano seguinte será melhor apenas porque um dia no calendário mudou. Convencionou-se que um ano teria 365 dias. Passados esses dias, outro ano começa a ser contado. A mudança no número do ano - de 2007 para 2008 - exerce um fascínio que considero difícil de explicar. É como se fosse necessário o auto-engano de que a mudança de um ano para outro vai resolver todas as pendências, curar todas as feridas, eliminar todos os desesperos e derramar abundante sucesso e felicidade para todos.

Fico então preso entre a escolha de pensar muito e ficar meio deprê e não pensar nada e me deixar seduzir pelo canto sedutor da alienação. Daí a sensação de estar imobilizado.


 

Há sim uma raiz saudável para essa hipocrisia e auto-engano: a esperança. Parece que a esperança está no DNA da humanidade. É possível viver sem um montão de coisas, mas a falta de esperança seca uma pessoa por dentro.

A hipocrisia é uma deturpação da esperança, pois é um jeito de não se comprometer pessoalmente com a coerência, menos ainda com o bem. Mas essa trégua nas hostilidades também pode ser um grito de socorro, um grito de quem quer viver uma vida decente sem saber como, sem ter como.

O auto-engano de fim de ano também pode ser analisado sob esse prisma. Para quem não tem esperança, a opção é a ilusão de que um dia as coisas voltarão para o eixo, que tudo funcionará como deveria funcionar - coisas e pessoas. Você consegue afirmar, a sangue frio, que acredita em um final feliz, para você e para o restante da humanidade? Não? Então, em vez de ficar com a fria lógica, entregue-se por algum tempo ao auto-engano. Às vezes um pouco de ilusão auto-infligida é melhor que a dura e fria constatação que o mundo é um lugar estranho, cruel e nada convidativo.


 

Embora eu pense muito e tenha a inclinação ao cenho franzido, devo dizer que, tendo Jesus Cristo como meu Mestre, tenho motivos para não me entregar à hipocrisia nem ao auto-engano.

E seu eu descobrisse que o mundo vai ter jeito? Que há uma conspiração cósmica para fazê-lo funcionar como deveria? E se eu descobrisse que as pessoas serão reformadas? Que elas nunca mais teriam vontade de esfaquear ninguém pelas costas, e que o ódio simplesmente pareceria algo impensável? Bem, nesse mundo não há necessidade de hipocrisia nem de auto-engano.

É assim que vou brindar 2008 – 2007 não vai deixar muitas saudades. Não vou renovar minha esperança, vou apenas relembrar a mim mesmo qual é esperança pela qual eu vivo. Na Bíblia a esperança é esperar com certeza, é aguardar algo que já existe surgir no horizonte e ficar ao alcance da vista. Para a Bíblia, o mundo ficar perfeito é apenas uma questão de tempo: quem vai consertá-lo é fiel à sua promessa de consertá-lo. É esse meu brinde: a um mundo perfeito que ainda não vejo, mas que certamente chegará. Até lá ando pela esperança, que não me deixa ficar triste demais nem iludido demais.

É assim que desejo para você um feliz 2008: lembrando-o que a esperança é a âncora da alma, e que a antiga ordem – o mundo no qual ainda vivemos – vai passar.

 

Temos essa esperança como âncora certa e segura para nós mesmos.

(Hebreus 6:19) 

 

[Deus] enxugará dos olhos deles toda lágrima. Não haverá mais morte; nem tristeza, nem choro, nem dor; porque a antiga ordem já passou.

(Apocalipse 21:4)

 

Feliz 2008!



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 00h32
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MUPPETS - UM BATERISTA ANIMAL

 



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 00h28
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MOISÉS BRAZUCA

 

Por Marco Jacobsen (link).

 



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 02h09
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NÁRNIA I - ASLAM

 

Por Martin French (link).

 



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 13h33
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NÁRNIA II - CASPIAN

 

Por Martin French (link).

 



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 13h32
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NÁRNIA III - JADIS

 

Por Martin French (link).

 



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 13h30
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NÁRNIA IV - TUMNUS

 

Por Martin French (link).

 

 

 



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 13h28
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DARWIN

 

Por Baptistão (link).

 



Categoria: Ciência
Escrito por Marson Guedes às 14h21
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CONVERSAS SINCERAS

 

Durante as minhas andanças de leitor compulsivo, aprendi que debates nem sempre são vencidos por aqueles que estão certos. Os vitoriosos normalmente são os bons debatedores, não aqueles que defendem a posição correta.

Nos primórdios da reforma protestante, houve um debate entre um representante da igreja católica e um dos reformados (perdoe-me, mas não lembro dos nomes menos famosos). O representante dos reformados foi escolhido porque tinha um raciocínio sistemático, e Lutero, o pai da coisa toda, ficou em segundo plano – Lutero não era conhecido por seu rigor sistemático. Mas o desenrolar do debate mostrou que rigor sistemático não estava sendo suficiente para vencer o debate. Então, Lutero assumiu o lugar de debatedor e as coisas começaram a funcionar. Supondo que a verdade estivesse ao lado dos reformados, ela só tornou-se evidente porque um debatedor talentoso assumiu as rédeas. Não houvesse um Lutero naquela situação, a posição reformada teria sofrido um duro golpe.

Em algum momento do século XIX houve um grande debate científico na neuroanatomia entre os localizacionistas e os holistas. Para os localizacionistas, pedaços diferentes do cérebro exerciam funções diferentes. Assim, se um paciente tivesse uma lesão cerebral próxima à testa, as seqüelas seriam diferentes das geradas por uma lesão cerebral próxima à nuca. Os holistas afirmavam que o lugar da lesão não é importante. Para eles, o que realmente define a seqüela é a quantidade de tecido cerebral que foi danificado, independentemente da região lesada. Para encurtar a conversa, os holistas venceram o debate, mas estavam errados. Há farta documentação, tanto experimental quanto clínica, que cada região do cérebro desempenha uma função específica. Por que os holistas venceram o debate? Porque eles tinham o melhor debatedor.

Quando penso no debate entre criacionismo e evolucionismo, penso nessas situações. É possível que o vencedor do debate esteja correto, que suas afirmações sejam verdadeiras e resistam ao teste do tempo. Mas vencer um debate não é garantia de estar correto. Assim, caso você assista ao debate entre um criacionista e um evolucionista, e o seu lado preferido vencer o debate, não descanse nos louros da vitória: você apenas escolheu o time que ia ganhar. Nada garante que você não será desmentido em 20 anos, ou menos.

Há algumas técnicas para ganhar um debate – qualquer debate – caso você tenha talento para isso. Uma delas é trazer o outro debatedor para sua área de conhecimento, tirando dele as condições de fazer uma boa defesa. Se você é bom em filosofia, traga-o para a discussão filosófica e afogue-o com minúcias técnicas e termos indecifráveis. A única forma de evitar essa armadilha é ter a presença de espírito de dizer algo como: "Não creio que a discussão filosófica seja tão determinante nesse caso, pois..." Aí você está encrencado, porque seu oponente tentará levá-lo ao campo de conhecimento em que ele domina. Mas, se o oponente não perceber o que você fez e topar a mudança de terreno, você está com a vitória nas mãos.

Outra forma de fazer isso é acelerar a argumentação, fazendo um raciocínio tão elaborado que ele perde você de vista. Acelere, diversifique os argumentos e, quando ele estiver tonto, jogue a discussão no colo dele: "E o que o senhor pensa disso? Teria alguma resposta convincente?" Quando ele começar a gaguejar, deixe-o por alguns minutos até ele ficar sem graça e a platéia pedir o golpe de misericórdia. Com seu oponente abalado e gaguejante, aplique mais uma saraivada frenética de argumentos e diga "É por isso que não posso concordar com a posição adotada por meu colega". Vitória acachapante, ou seja, você conseguiu fazer de seu oponente um capacho onde limpar os pés.

Tem mais uma técnica muito eficiente, que é a técnica do espantalho. Para aplicá-la, basta você encontrar uma forma de ridicularizar seu oponente. Imagine que um cristão está expondo as evidências a favor do criacionismo. O evolucionista pode se valer do fato de a igreja ter ido contra algumas descobertas científicas – Galileu Galilei é o preferido – e fazer de seu oponente cristão um legítimo herdeiro dessa posição tacanha e violenta. Ele fez seu oponente cristão virar um espantalho, uma caricatura grosseira, um arremedo de gente. Se funcionar, nada que o oponente disser terá efeito, pois ele foi vestido com um manto de ignorância e ninguém mais lhe dará crédito. Essa técnica é muito eficiente e causa forte impacto na audiência.

Mas eu tenho problemas com isso. Conversar sobre criacionismo e evolucionismo deveria ser um comprometimento pessoal, debates entre pessoas que se respeitam e que concordam em um ponto: nossas origens são muito importantes. Há em nossos primórdios respostas para coisas que ainda nos parecem estar fora de foco. Usar técnicas para vencer debates só serve para acirrar os ânimos, para tentar desprezar o outro lado, coisa indigna dos seguidores de Jesus. É por isso que os debates já não me atraem.

Houve um homem que conseguia debater e ainda assim ganhar seus "oponentes". O nome do santo é Gilbert Keith Chesterton, mais conhecido como G. W. Chesterton. Para sentir os pensamentos do cidadão, bastar saber que "Eu realmente tentei encontrei uma heresia que fosse minha, e, quando dei a ela os retoques finais, descobri que ela ortodoxia". O homem tentou ser revolucionário, só para descobrir que isso era a ortodoxia cristã.

Por seu jeito espalhafatoso e raciocínio mordaz, Chesterton era convidado com freqüência participar de debates. Seus "oponentes" incluíam gente como George Bernard Shaw. Ele ganhava a todos, inclusive a seus "oponentes", e os levava a um pub depois do debate. Cosmo Hamilton dizia que ver Chesterton rindo a valer, depois de ter conquistado a audiência, era como ver e ouvir os deuses. Para Hamilton, Chesterton era uma espécie de Peter Pan filosófico, um querubim bondoso e vistoso. Esse sim é um debatedor digno de Jesus, aquele que abraça seus inimigos, ou seja, seus oponentes.

Mas eu não sou o Chesterton. Ainda prefiro conversas honestas com gente que insiste em perguntar "de onde viemos?", para então poder perguntar "para onde vamos?". Admito que as conversas são raras, mas nenhum debate pode substituí-las.

Nesse quesito, abandonei tanto evolucionistas quanto criacionistas. Optei pela sinceridade.



Categoria: Ciência
Escrito por Marson Guedes às 14h19
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PRESENTE EM PRESTAÇÕES

 

Se você tem acompanhado os textos deste blog, já sabe que eu não gosto da época de Natal.

Meu presente para você foi dado em prestações suaves. Ao longo desse ano foram quase 400 posts.

Já apareceram nesse blog 49 artistas diferentes. Tentei escrever um texto a cada quatro dias.

Em vez de dar um presente único, escolhi oferecer o resultado da jornada de quase um ano.

Fiz o que sei fazer, e espero que você tenha se beneficiado disso. Eu me diverti muito com a brincadeira.

Feliz Natal,

 

 

Marson



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 14h05
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É FÁCIL RECONHECER O MENINO DO NATAL

 

Por Laerte (link).

 



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 13h54
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WYNTON MARSALIS

 

Por Wouter Tulp (link).

 

 

 



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 21h49
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