BETTY CARTER

 

Por Martin French (link).

 



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 14h54
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A CAIXA PRETA DO LULA

 

Versão benettiana (link).

 

 

Versão jacobseniana (link).

 



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 14h48
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A CAIXA PRETA DE BRASÍLIA

 

Charge do Duke (link).

 



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 14h45
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A FELICIDADE FOTOGRAFADA

 



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 13h43
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STILL

 

Não é foto, mas uma pintura do Chris Stott (link).

 



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 13h38
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BEACH FLAGS

 

Por Sarah Wimperis (link).

 



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 00h14
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COMO VOCÊ VAI?

 

Charge do Duke (link).

 



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 00h13
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CULTURA E RELIGIÃO: CONFRONTO DESNECESSÁRIO

 

Faz pouco mais de um mês que eu recebi um e-mail que solicitava aos remetentes que se posicionassem contra a emenda Crivela, que inclui igrejas como beneficiárias do Programa Nacional de Apoio à Cultura, mais conhecido como Lei Rouanet. Li a mensagem e, pela primeira vez na vida, resolvi me manifestar e explicitar minha discordância. É que a mensagem inclui um preconceito preocupante.

O primeiro pedaço é a mensagem que recebi, o segundo é minha resposta.


 

Mensagem

O Senado está a um passo de aprovar um projeto de lei, de autoria do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), sobrinho de Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus) que incluiria as igrejas entre as beneficiárias do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac). Mais conhecida como "Lei Rouanet", aprovada em 1991 pelo Congresso Nacional, o Pronac permite que empresas invistam em projetos culturais até 4% do equivalente ao Imposto de Renda devido. O projeto chegou a ser aprovado em caráter terminativo na Comissão de Educação, mas um recurso para que fosse apreciado pelo plenário impediu que seguisse para a Câmara. Uma emenda apresentada pelo senador Sibá Machado (PT-AC) obrigou a volta do texto para a comissão. Ainda precisará ser votado no plenário do Senado e depois ir à Câmara. Como o projeto original fazia referência apenas a "templos", sem especificar sua natureza, ao estender a eles os benefícios da Lei Rouanet, o senador Sibá considerou necessário acrescentar um adendo. A emenda, que teve o parecer favorável do senador Paulo Paim (PT-RS), foi aprovada pela Comissão de Educação e deixa mais claro que o Pronac poderá ser usado para contemplar não só museus, bibliotecas, arquivos e entidades culturais, como também "templos de qualquer natureza ou credo religioso". A proposta agora segue novamente para o plenário, onde alguns senadores prometem reagir contra a idéia. Está mais do que na hora de as pessoas envolvidas e/ou preocupadas com a verdadeira cultura em nosso País, reagirem e tomarem uma providência.


 

Minha resposta

Eu entendo a preocupação do manifesto. É só assistir cinco minutos da programação dos cultos da Universal para ficar nauseado. Sou cristão e me sinto envergonhado com isso. Esse povo não me representa. Que tipo de cultura eles pretendem produzir? Mas o texto abaixo traz um problema ainda mais perigoso, que é o preconceito religioso. O que significa defender a verdadeira cultura das manifestações religiosas? Se com isso a intenção é conter abusos, vá lá. Se com isso a intenção é deixar a cultura de um lado e a religião do outro, então o texto é ofensivo por ser preconceituoso. Quando foi que a prática religiosa - qualquer prática - foi danosa à cultura?

Os brasileiros são produto de três culturas imersas na religiosidade: os negros, que trouxeram consigo o candomblé e outras manifestações; os portugueses, que trouxeram o cristianismo; os índios, que já estavam aqui venerando a natureza. Estas três componentes geraram abundantes manifestações culturais, que hoje consideramos patrimônio brasileiro. Digo mais uma vez: evitar que "templos de qualquer natureza ou credo religioso" entrem em um programa desses é preconceito e significa renegar as nossas raízes. Não adoramos dizer que nossa cultura, religiosa em sua raiz, é rica e colorida? Por que mudar o rumo agora? Vejo neste texto tons de secularismo, e ainda está para ser provado que o secularismo é mais rico culturalmente do que a religiosidade.

E para terminar: por favor, não confundam a Universal e congêneres com o resto dos religiosos. É confundir açougueiro com médico.

Abraço a todos,

 

Marson



Categoria: Cristianismo - Religião
Escrito por Marson Guedes às 00h01
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HANBOK

 

Pintura de FaceZero (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 10 de julho de 2007, às 10h47.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 23h58
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É TUDO IGUAL

 

Saiu a lista das 7 maravilhas do mundo moderno, entre as quais figura nosso Cristo Redentor. Já estive lá, a vista é mesmo linda.

Diz a lenda que houve um campeonato de mentiras no Rio. Ganhou o cara que acordava tão cedo, mas tão cedo, que encontou o Cristo dando sua corridinha na praia...

Bobagens à parte, acabo de ler o protesto de espanhóis, franceses e alemães contra esta eleição, que eles chamaram de "farsa em escala global". O argumento é simples: o Cristo entrou para a lista porque o Brasil tem 180 milhões habitantes e um brasileiro poderia votar várias vezes. Assim, a inclusão do Cristo na lista serviu apenas a interesses econômicos.

Reconheça-se que o argumento é válido, pois ninguém duvida que a lista servirá para aumentar o turismo para "uma das 7 maravilhas do mundo".

Os espanhóis se ressentem da ausência do palácio de Alhambra, os franceses da ausência da torre Eiffel, e um jornal alemão afirmou que a ausência do castelo de Neuschwanstein é um sinal de que o gosto mundial poderia ser mais refinado.

Diga o que quiser, mas essa reação não passa da velha e manjada dor-de-cotovelo. Duvido, e ainda faço pouco, que estes respeitáveis habitantes do Velho Mundo estariam tão indignados com o critério adotado caso seus países fossem agraciados pela votação. Para eles justiça é atender a seus "direitos", mesmo que isso implique em tirar o "direito" dos outros. Duvido que espanhóis, franceses e alemães se queixariam dos euros extras se tivessem em seu território uma das maravilhas do mundo moderno.

Só concebo justiça se a justiça for para todos, não só para um. Se nós brasileiros fôssemos "injustiçados" com a ausência do Cristo, a grita também seria geral. Alguma otôridade se incumbiria de denunciar o complô internacional patrocinado por interesse turísticos escusos. Como isso não foi necessário, todos estão felizes e com a sensação que a justiça foi feita. Os europeus que se lasquem.

A eleição das 7 maravilhas serve para mostrar que todos somos iguais, nivelados por baixo.

Possa o Cristo que já foi carne e osso - o de pedra não serve - ter misericórdia de nossa miserável alma.


 

Enquanto isso, no Brasil, a eleição do Cristo causa outro tipo de desconforto... Charge do Benett (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 9 de julho de 2007, às 10h41.



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 23h53
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VENDENDO GELO PARA ESQUIMÓ

 

Como é que consegui viver até hoje sem o clipes multi-ferramenta do MacGyver? Segundo ele:

Um clipe de papel pode ser algo maravilhoso. Nem sei mais quantas vezes eu já me livrei de enrascadas usando um desses!

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 7 de julho de 2007, às 14h32.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 23h48
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O PODER E O REINO

 

Renan Calheiros está encrencado, parece que só tem a seu favor o tempo. Nem mesmo seus aliados estão dispostos a defendê-lo como fizeram no início do processo no Comitê de Ética do senado. Não é um súbito ataque de moralidade, apenas a luta pela sobrevivência: eles não querem se afogar no mar de lama que é a atividade pecuária do presidente do senado. Bem pode ser que também tenham medo de serem concretados ao chão pelas atividades dos lobistas de construtoras que fazem negócios com o governo (de Alagoas, é claro).

A coisa hoje pendeu para o lado investigativo, ou seja, os responsáveis pelo Comitê de Ética querem determinar se houve crime nas notas fiscais com cara de fajutagem que Renan apresentou em sua defesa. Notas de papel que mais se parecem com uma peneira, visto que o senador, sem tirar o traseiro da cadeira de presidente do senado, consegue obter em Alagoas índices de natalidade, produtividade e preço de venda superiores aos dos melhores pecuaristas da região sul. Nada contra Alagoas, claro. Mas convenhamos, todos sabemos que Alagoas não prima por uma pecuária desenvolvida. Estranho, muito estranho.

Se a versão de Renan for verdadeira, então ele deveria ser apeado da cadeira de presidente do senado - à qual se colou com SuperBonder - e ser conduzido com apupos e reverência ao Ministério da Agricultura. Se este modelo de produtividade pecuária for instalado sob sua regência em todo o país, o Brasil poderia em poucos anos deixar de ser o país do futuro e ser o país do presente próspero. Eu sei, eu sei, são só divagações. Garanto que não fumei um antes de escrever este parágrafo. É ironia mesmo.

Gosto dos comentários políticos do Fernando Rodrigues, pois ele alia a vivência nos corredores de Brasília com análises realistas e prenetrantes. Quanto ao caso de Renan "onde passa boi passa boiada" Calheiros, ele disse que o senado está julgando a quebra de decoro parlamentar, não se houve crime no caso das notas fiscais crivadas de inconsistências. Não é adequado para um presidente do senado ter como mensageiro de luxo um lobista de construtora que constrói coisas para o governo, especialmente quando este governo é representado por ele mesmo, Renan. O que você pensa desse arranjo maligno? Renan pede a um lobista, amigo íntimo de última hora, que leve um pacote contendo R$ 12.000,00 para uma jornalista com quem teve uma filha fora do casamento, a título de pensão alimentícia.

É razoável pedir um favor desse a um amigo? Sim.

É razoável quando você é o presidente do senado e seu amigo é um lobista de construtora? Não.

Portanto, o decoro parlamentar foi quebrado e Renan deveria se despregar da cadeira à qual se amarrou, pois é símbolo do poder. Parece que ele não concebe a idéia de voltar a ser "apenas" mais um senador de um estado da federação. A investigação criminal, que não é atribuição do Comitê de Ética do senado, vai servir apenas como a guilhotina definitiva caso o cheiro de coisa queimada prove ser mesmo um incêndio moral no senado.


 

 

Charge do Marco Jacobsen (link).

 


 

Há uma solução brazuca para isso, que é fechar a investigação no senado e enviar o papelório para uma instância superior, ou seja, para o STF ou STJ. Por que alguém preferiria ser julgado por um possível crime em vez de ser julgado por uma possível quebra de decoro parlamentar? Porque de 483 processos no STJ contra políticos com foro privilegiado apenas 16 processos foram julgados e apenas 5 foram condenados. A condenação é de apenas 1%, comparada com uma chance cada vez maior de perder a presidência do senado e o mandato de senador. Uma manobra legal, mas imoral.

Ontem a Associação dos Magistrados Brasileiros mostrou que o fim do foro privilegiado para os políticos é a melhor arma contra a corrupção, com o que concordo (leia mais no blog do Fernando Rodrigues, link ao lado). Na charge acima, Joaquim "Decepado" Roriz fica à espera de Renan, não quer ficar sozinho no limbo. Mas se a manobra renanzista der certo, Roriz deve esperar sentado. Este saiu pela porta dos fundos por causa de um cheque vultoso, mas Renan quer entrar pela porta da frente no STF ou STJ. É bem possível que saia pela mesma porta da frente, arrostando sua impunidade ou absolvição. Afinal, ele tem 99% de chance de se livrar dessa se contar com o foro privilegiado.

Eu tenho um medo que é atiçado sempre que vejo coisas assim acontecendo neste Brasil bem pouco varonil. É o de achar que a corrupção é tamanha que não há solução. Ou, então, que não vale a pena ser honesto, pois "todo mundo faz isso". Dá vontade de fazer também.

Se critico a corrupção não posso eu mesmo me apegar a ela. Seria o mesmo que ficar igual àquilo que critico. Não quero ser assim, quero crer que o bem vencerá e o mal será eliminado deste mundo em que vivemos.

Paulo, o apóstolo, diz que "O Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria... Aquele que assim serve a Cristo é agradável a Deus e aprovado pelos homens" (carta aos Romanos 14:17-18). Peço aos céus para não deixar que eu comprometa a justiça, a paz e a alegria por causa da minha indignação impotente diante dos descalabros políticos do meu Brasil. Se eu agradar a Deus é líquido e certo que promoverei o bem entre os homens.

Quero ter esperança, mas não quero me enganar nem me anestesiar com o ópio do povo. Quero, sim, me apegar à promessa firme e segura de que um dia essa ordem maligna na qual vivemos será chamada de "antiga ordem", que passará (Apocalipse 21:4). Afinal, essa esperança é a âncora da alma (Hebreus 6:19). A âncora é uma coisa muito útil em tempos de deriva moral.

Quem não tem esta esperança não espera com expectativa, apenas torce para que tudo dê certo. Não quero ser menos do que deveria ser, portanto "torcer pelo bem" continua sendo insuficiente para mim. Vou apegar-me, então, à firme promessa e não ao poder. Quero justiça, para que possamos viver em paz e ver a alegria desabrochar entre nós.

Que venha o Reino!

 


Post publicado pela primeira vez no dia 6 de julho de 2007, às 11h31.



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 23h42
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DUAS DE UMA VEZ

 

Tiras do Laerte (link).

 

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 6 de julho de 2007, às 01h41.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 23h36
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NO MARKETING

 

© 2007 Alexandre Robles (link)

 

Somos desafiados a fazer o que é certo, no tempo certo, da maneira certa. Agir na direção dos mais necessitados e prover-lhes. Levantar em nome da paz e da justiça. Enfim, o exercício das bem-aventuranças.

Agora Jesus nos pede que façamos tudo isso de modo a que pessoas notem o que foi feito, mas não prestem demasiada atenção em quem fez, a fim de que isso gere uma pequena confusão em suas mentes, que fiquem em dúvida se aquilo que foi feito vem de nós ou se é divino.

Então aquilo que fazemos aos outros deve brilhar, como luz, deve ter excelência, para que possa ser confundido com trabalho de anjos.

E não pode ser divulgado, propalado, não pode ser objeto de marketing, pessoal ou político. Temos de ser discretos, andar pelos bastidores de nossas próprias ações no mundo, para que possam ser gratos a Deus.

 


Post publicado pela primeira vez no dia 6 de julho de 2007, às 01h34.



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 23h30
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SATCHMO

 

Caricatura do Louis Armstrong, por Luis Gaspardo (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 5 de julho de 2007, às 12h00.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 23h24
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BOA NOITE, BOM DIA

 

Texto da Gabriela Kimura (link).


 

Papai foi embora da nossa casa levando caixas, malas e mais da metade da mamãe. Mamãe anda tão magrinha que penso mesmo que papai nunca mais vai devolver aquele tanto da mamãe que a deixava mais bonita. Agora ela anda pela casa de camisola e não cuida mais das plantas, não atende a campainha e queima o feijão.

E parece que esqueceu de brigar com os relógios e com os meus modos. Porque mamãe já não liga se hoje tem escola, chuveiro, roupa limpa, pasta nos dentes. Mamãe, penso, esqueceu da gente.

Porque papai saiu com pressa. Tanta que deixou a Margarida. Acho que adulto é assim, fica esquecido com o tempo. Papai gostava muito da Margarida. Mais do que da mamãe. Pelo menos é o que eu ouvia. Todo dia papai pegava a Margarida no colo, escovava os pêlos, olhava os dentes, dava comida, tirava o cocô. Boa noite e bom dia. Eu já quis ser como a Margarida. Também penso que cachorro é mais feliz.

Mamãe gostava do papai. Papai da Margarida. E agora, Margarida gosta de mim. Que sou o papai pra Margarida. Cuido da comida, dos pêlos e brinco de dar vacina. Até ficar grande e esquecido. E ir embora levando caixas, malas e mais da metade da Margarida. Que vai ficar magrinha, fazer cocô por toda a casa e ficar como a mamãe. Sozinha.

Quando eu crescer não vou ter memória. Nem fotografia. Boa noite e bom dia.

 


Post publicado pela primeira vez no dia 2 de julho de 2007, às 21h20.



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 23h17
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ANTIGO TESTAMENTO versus NOVO TESTAMENTO - FINAL - 7 DE 7

 

Quando meu amigo Wanderson pediu para eu escrever sobre a diferença entre o Deus do Antigo Testamento e o Deus do Novo Testamento, eu não consegui calcular o trabalho que isso ia me dar. Mas quem mandou fazer um blog? Agora aguenta.

Desde o início defendi a idéia de que não há dois "Deuses" e que ele usou a mesma medida para julgar seu povo e os outros povos. Quando se fala da injustiça cometida por Israel ao expulsar os cananeus da terra prometida, os cananeus ficam parecendo um monte de gente boa que foi vítima da raiva ensandecida de um Deus caprichoso. Nada disso. Os cananeus cometiam todo o tipo de atrocidades, e alguns povos chegavam ao ponto de queimar vivos seus filhos para o deus Moloque. Não era um povo que se cheirasse e por isso foram expulsos da terra.

Chegou então a vez de Israel ocupar a terra. O tempo mostrou que os israelitas conseguiram ser piores do que os antigos ocupantes da terra; por isso foram julgados e a sentença foi a expulsão da terra, exilados em uma nação pagã chamada Babilônia, tudo com a aprovação vinda do alto (teimosos, rebelde, gente de "dura cerviz" esse povo de Israel). A terra foi privada de inúmeros anos de descanso – o anos sabáticos – e os setenta anos devidos foram devidamente pagos no exílio. Só então puderam voltar para a terra prometida.

A Bíblia parece ignorar solenemente as distinções que usamos hoje em dia. Elas nos parecem tão familiares que é preciso um pouco de reflexão para notar que algumas categorias não existiram desde sempre: socialista versus capitalista, ocidente versus oriente, negros versus brancos, classe operária versus classe dominante e outras tantas das quais você consiga se lembrar.

Para a Bíblia parece que a única distinção relevante é entre gentios e judeus, mais ou menos o equivalente a dizer que o mundo é constituído do povo escolhido e a "rapa". Essa distinção é motivo para muita encrenca no Novo Testamento, exatamente porque em Cristo essa distinção foi extinta. Os judeus reivindicavam para si superioridade no conhecimento de Deus e os gentios se satisfaziam em adorar seus deuses pagãos.

Sempre tive a impressão que a união entre gentios e judeus era uma idéia exclusiva do Novo Testamento, mas percebi que isso é um equívoco. Lembre-se que a lei previa a possibilidade de um gentio tornar-se judeu e que esta mesma lei protegia o estrangeiro, tratando-o como gente. Os gentios sempre foram contemplados na Lei. Mas admito que a união entre estas duas metades da humanidade recebe do Novo Testamento um tratamento mais intenso e profundo.

É dessa união que quero falar agora.


 

Você se beneficiaria em ler o capítulo 2 da carta do apóstolo Paulo aos Efésios (moradores da cidade de Éfeso), a passagem compreendida entre o versículo 11 e o 22. Ou então leia este texto até o fim de depois vá conferir se estou dizendo alguma bobagem. A Bíblia vê com bons olhos o ceticismo dos que buscam a verdade.

Pois ele [Cristo] é a nossa paz, o qual de ambos fez um e destruiu a barreira, o muro de inimizade... O objetivo dele era criar em si mesmo, dos dois [gentios e judeus], um novo homem, fazendo a paz, e reconciliar com Deus os dois em um corpo, por meio da cruz, pela qual ele destruiu a inimizade.

Versículos 14 e 15.

 

Eu sei que seria oportuno explicar porque Jesus desfez a inimizade na cruz, mas isso fica para depois. O assunto merece mais do que uma ou duas linhas. Por enquanto suponha que isso é verdade, pois minha intenção é mostrar meu último argumento em favor de um único Deus, personagem dos dois Testamentos que nos foram legados.

É bom saber que Paulo era um daqueles judeus carolas, dos que não deixavam nada da Lei sem cumprir. Membro da tribo de Benjamim, ele excedia em conhecimento e zelo todos os de sua idade, tanto que até se dispôs em matar alguns cristãos para defender seu judaísmo. Era fariseu de fariseus, o mais aplicado entre os mais aplicados. Ele mais de uma vez consentiu na morte dos que pertenciam ao Caminho. Mas Paulo caiu do cavalo, literalmente. O Jesus que ele perseguia apareceu a ele para perguntae porque estava fazendo toda aquela algazarra (leia o capítulo 9 do livro de Atos para maiores detalhes). Depois disso, Paulo passou de perseguidor a perseguido.

Sendo "judeu roxo", Paulo foi chamado para ser o apóstolo para os gentios. Sua missão era espalhar o cristianismo entre os que não tinham sido "escolhidos". É por isso que seus escritos estão repletos de referências à distância quase intransponível entre os judeus e os gentios. Ele sempre insistia que na cruz de Cristo os dois povos tinham se fundido em um, os seguidores do homem de Nazaré. Mais do que uma nova religião com pretensões expansionistas, Paulo estava descrevendo a nova humanidade possível mediante o sacrifício de Jesus na vergonhosa cruz. É no capítulo 2 da carta aos Efésios que encontramos a melhor e mais clara descrição desta união de todos os homens. Em Cristo não há mais gentio nem judeu, apenas a humanidade redimida de toda a podridão que a consome por dentro.

Ele, Cristo, é a nossa paz, que fez das duas categorias uma só, muro da inimizade que as diferenciava: o resultado o novo homem.

Se o Antigo Testamento dava dicas sobre esta união, o Novo Testamento a deixa escancarada. Esse desdobramento das intenções divinas é chamado de revelação progressiva de Deus. Ele mostrou a Noé algumas coisas, mas Abraão ficou sabendo de outras coisas mais. Então veio Moisés, depois os profetas e, na plenitude dos tempos, Jesus Cristo, Deus feito homem. Cada um desses foi um passo a mais para se realizar o desejo que Deus tem de mostrar-se a nós humanos. Afinal, quando Deus quis servos criou os anjos; quando quis filhos criou os homens (valeu Ariovaldo!).

A Bíblia é de todos, dirige-se a todos, serve para apontar a grande narrativa redentora planejada por Deus desde antes da fundação do mundo. É assim que entendo as coisas. Israel, o povo escolhido, foi um jeito esquisito que Deus usou para revelar ao mundo seu amor, expresso perfeitamente em Cristo (não se esqueça que Jesus era judeu). Sim, o Deus do Antigo Testamento é o mesmo do Novo Testamento; ele apenas foi contando a história aos poucos, iluminando aqui e acolá seus intentos para, enfim, colocar todos os holofotes em Cristo.

Não posso obrigá-lo a concordar comigo – eu nem tento. Fico contente em dizer porque continuo cristão depois de tanto pensar e de tantas crises de fé. É com respeito e mansidão que nossa conversa deve se desenrolar. Espero que o Wanderson esteja satisfeito.

É possível que revisitemos o tema, mas de outra perspectiva. Por enquanto, that’s all folks.

 


Post publicado pela primeira vez no dia 29 de junho de 2007, às 01h06.



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 23h07
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CASAR OU COMPRAR UMA BICICLETA?

 

Uma questão de prioridades.

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 28 de junho de 2007, às 11h04.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 23h04
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EIGHT YEARS: STILL ALIVE, THOUGH NOT ALWAYS KICKING - I

 

Continua no post abaixo


 

 


 

Alive and kicking é uma expressão idiomática, significa algo como "estou vivo e mandando bem". Estou vivo, isso é certo. A parte do "mandando bem" é discutível.

Minha crise é ter um currículo para lá de estranho. Sou técnico formado em eletrotécnica. Trabalhei dois anos com projetos elétricos prediais. Desenhava enormes folhas com símbolos que representavam conduítes e os fios que passavam dentro deles; interruptores, pontos de passagem, prumadas, quadros de luz, de energia e outros tantos. Às vezes deixavam eu fazer pequenos projetos e alguns cálculos. Tinha dezesseis anos e ainda cursava o curso técnico na antiga Escola Técnica Federal de São Paulo, atual Centro Federal de Ensino Tecnológico.

Com vontade ampliar os horizontes, fiz dois cursos de férias sobre eletrônica analógica e digital. Aprendi algumas coisas sobre transistores, capacitores, circuitos de ressonância e filtros. Também aprendi a representação binária necessária para as operações digitais, um jeito de transformar quaisquer informações em seqüência de "zeros" e de "uns". Estes entravam e saíam de portas digitais com nomes herméticos tais como porta "ou", "e", "não ou" e "ou exclusivo". Basicamente é disso que os computadores são feitos, embora levada à complexidade zilhiônica e minituarizada na ordem de picocroscópica. Mas essas portinhas lógicas me ajudaram a arrumar um emprego na recém-formada Unisys, a união entre a Burroughs e a Sperry.

Quando parecia que minha carreira já estava definida como instrutor no centro de treinamento técnico da Unisys – o tempo se encarregaria de me levar à cadeira que meu pai ocupava – comecei a achar tudo aquilo muito estranho. Comecei consertando placas de terminais de vídeo e de impressoras matriciais – eu usava enormes diagramas esquemáticos, osciloscópios invocados, multímetros e ferros de solda. Via à frente uns bons anos carregando bips e saindo em desabalada carreira porque um mainframe estava parado por causa de um disco defeituoso ou de uma unidade de fita magnética que se recusava a dar o boot inicial na máquina. Naqueles dias de mainframe (início da década de 90) falava-se de Cobol, Fortran, CPDs com piso elevado e ar-condicionado, unidades de disco que pesavam 60 quilos e tinham a fantástica capacidade de armazenar 200 megabites de informação (você acredita nisso?).

Certo dia fiz uma inspeção nos meus livros e não encontrei um único livro técnico. Nunca tinha gastado um único centavo para comprar um livro técnico que não fosse imposto pelo curso. Por outro lado tinha comprado "O corpo fala" de Pierre Weil, uma biografia de Freud escrita por Peter Gay e similares. Nunca gostei do que fazia, mas também não odiava. Preferia o laboratório às ruas, CPDs e clientes esquisitos. Mas houve um dia em que estava tentando consertar uma unidade controladora de fitas magnéticas. Era uma espécie de geladeira por fora, com um monte de placas e fios saindo dela. Não consegui fazer nenhum ajuste nem identificar o defeito. Fiquei um dia inteiro me debatendo com a tal controladora, uma noite inteira sonhando com ela e mais outro dia inteiro para consertá-la. Foi então que uma espécie de iluminação me alcançou: consegui dizer para a máquina que eu a odiava. Você consegue imaginar a cena? Pois foi nesse momento em que comecei a me dirigir para a psicologia, foi quando consegui entender que minha vocação estava ligada às pessoas e não às máquinas. As pessoas apresentam uma desvantagem em relação às máquinas, a saber, não é possível usar um soldador para corrigir o mau contato. Isso costuma resolver o problema das máquinas, mas não o das pessoas. "Tudo bem", pensei; as pessoas de longe são mais interessantes. Isso era verdade então, continua sendo verdade hoje.

Cheguei na faculdade psicologia da USP com a intenção de trabalhar em empresas, mas descobri outra das minhas paixões: a ciência. Para mim a psicologia era apenas a psicanálise do sempre presente Freud. Comecei em pesquisa com ratos e depois com humanos. Engatei um mestrado em psicologia cognitiva logo depois da graduação. Dois anos depois estava iniciando um doutorado em neurociências, que infelizmente não consegui terminar.

Achei que, com um currículo desses, não seria muito difícil arranjar emprego como professor em alguma universidade. Afinal, tinha estudado em escolas renomadas. Era a época em que o MEC estava pressionando as universidades particulares para ter um mínimo de professores com mestrado e doutorado. Era a minha chance, a maré era boa. Mas estava errado e passei dois anos trabalhando em uma empresa de porte médio cuidando do departamento técnico. Minha rotina incluía consertar impressoras de transferência térmica, próprias para imprimir código de barras. Havia também os leitores de código de barras – CCDs, laser, linear imagers, bidimensionais. Treinei bastante gente nisso e também me familiarizei com automação industrial: coletores de dados com transmissão por rádio-freqüências integrados a ERPs, os SAPs da vida. Os verificadores de qualidade de impressão de código de barras vieram depois, na esteiras das exigências da ISO 9000. Eu era bom nisso. Não gostava, mas também não odiava. Até que...

 


Post publicado pela primeira vez no dia 26 de junho de 2007, às 14h46.



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 22h56
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EIGHT YEARS: STILL ALIVE, THOUGH NOT ALWAYS KICKING - II

 

Continuação do post anterior


 

Até que recebi o convite para trabalhar na minha igreja, cuidando do pastoreio e do aconselhamento. É uma igreja grande, assim como são grandes as necessidades. Fiquei esperando este convite por cinco anos, em silêncio. "Agora sim", disse para mim mesmo. Descobri que essa realmente era minha vocação. Dois anos depois estava pedindo demissão por motivos alheios à minha vocação. Deixei um sustento certo, com todos os benefícios, e fui em busca de outra vocação: as letras.

Voltei a fazer traduções do inglês para o português, principalmente para editoras cristãs. Imaginava que poderia traduzir e escrever livros ao mesmo tempo. Meu primeiro livro, "O caminho de Jeremias", teve boa receptividade e ganhei um Prêmio Areté com ele, na categoria Devocional. Meu primeiro livro e um prêmio: "estou no caminho certo".

Durante dois anos e meio engatei uma tradução atrás da outra e creio estar perto de publicar meu segundo livro, "O caminho de Jó". Mais um livro e a Trilogia do Caminho estará completa. Notícias alvissareiras, parece que o futuro reserva boas surpresas. No entanto o medo de todo free-lancer mostrou sua cara amarrada para mim: estou há quase um mês sem trabalho e sem perspectivas. Minha ansiedade vai às alturas e a ansiedade da minha esposa também.


 

Tudo que você leu serve apenas como ponto de apoio para o que se segue. Minha intenção é falar da minha esposa, essa cidadã cosmopolitana, de descendência espanhola, que decidiu se casar um com homem cheio de sonhos, cheio de coragem para fazer mudanças radicais de vida, cheio de desejo se seguir a vocação que tem. Há outra interpretação para isso: um homem sonhador (no sentido ruim) que mantém a cabeça no mundo da lua, um inconstante que muda de carreira e de emprego toda hora, um teimoso que não quer admitir a verdade de que não se vive como escritor nesse país verde-amarelo. Fico coxeando entre as duas interpretações: sou um destemido em busca dos meus objetivos ou não passo de um irreponsável com boas intenções. Os dados favorecem a segunda interpretação, pois sou técnico em eletrotécnica, trabalhei com eletrônica, larguei tudo para ser psicólogo, resolvi ser cientista, depois neurocientista, virei escritor, não terminei o doutorado, fui ser pastor e agora sou um tradutor desempregado.

Como se vive do lado de um homem assim? Sei lá! Pergunta para minha esposa.

Essa mulher anda comigo faz dez anos, oito dos quais casada. É hoje que comemoramos oito anos de casamento. Experimentamos poucos momentos de prosperidade e muitos de dureza. Não fiquei seriamente doente, mas ela já foi aprovada no quesito "na pobreza e na riqueza" dos votos matrimoniais, com louvor. Ainda estou devendo o "na riqueza".

A única explicação é que essa mulher me ama. Não tem outro jeito de explicar. Ela não depende financeiramente de mim, começou a namorar comigo quando eu tinha 28 anos e um mestrado pela metade. Toda a família dela desconfiou desse marmanjo que prefere estudar a trabalhar de verdade; eles têm lá seus motivos para isso. Arriscou-se comigo numa terra desconhecida no meio do sertão pernambucano. Voltou sem nada, mas continuou casada comigo. Tem suportado as privações da minha inconstância profissional, mas continua casada comigo. Sabe que as incertezas não acabam de uma hora para outra, mas não dá sinais de querer me abandonar. Se o fizesse, eu entenderia. Mas não fez. Bem-aventurado homem que sou.

Eu me agarro a uma esperança, uma tábua de salvação que meu status ainda mudará. Se um dia eu pegar "na veia" em algum negócio ou escrever um best-seller – escritor conhecido e com dinheiro no bolso – todas as minhas inconstâncias milagrosamente se transformarão, o sapo virará príncipe. O teimoso passa a ser determinado, o inconstante passa a ser o corajoso que não tem medo das mudanças, o nefelibata passa a ser o idealista que pode ajudar a mudar o mundo para melhor. Se... se...

Quer saber de uma coisa? Essa "neura" é minha. Mais do que qualquer coisa hoje, quero ser bem-sucedido para dar a ela o conforto que bem merece. Mas parece que para ela só euzinho aqui já é suficiente. Ela gosta de conforto, não tem vocação para a pobreza voluntária. O certo é que ela não continua casada comigo por causa do conforto que posso lhe dar. Tem que ser amor, não tem outra explicação. Inconstante, teimoso, sonhador, não importa – sou o marido que ela ama e isso basta. O que vier é lucro.

Vai chegar um dia em que poderei levá-la para conhecer a Europa, as ilhas gregas e o litoral nordestino, tudo em grande estilo. Vai chegar um dia em que poderemos praticar o esporte de freqüentar bons restautantes sem fazer as contas com os centavos. Vai chegar um dia que ela terá um marido reconhecido pelo pouco valor que tem. Vai chegar um dia em que... Quando esse dia chegar, terei a satisfação indescritível de saber que ela não é uma aproveitadora de última hora, uma aventureira disposta a surfar uma onda que não é dela.

Enquanto esse dia não chega, devo levantar as mãos para o céu e agradecer pela esposa que tenho. Eu a amo intensamente, entranhadamente. Ela é linda, é sexy, é minha. Não a mereço, mas agora que caiu na minha rede não vou deixar que escape. Posso ser esquisito, mas não sou tonto.

Eight years, still alive, though not always kicking. Estou vivo, mas não ando quicando no ar, cheio de felicidade. Mas essa mulher – Edlâine Ogeda Guedes – é meu motivo para continuar cheio de esperança para viver, trabalhar, cuidar das pessoas e escrever; também para cuidar dela, é claro.

Na impossibilidade de lhe dar um presente decente, resolvi escrever – parece que é a única coisa decente que consigo fazer ultimamente. Quando puder oferecer a ela os presentes que bem merece, eu o farei certo de que os bons ventos da prosperidade ventam sobre a rocha firme do amor de uma mulher forte e frágil ao mesmo tempo; linda, sexy e minha. É o amor verdadeiro que vence tudo, cumprimento do versículo bíblico que consta do nosso convite de casamento: Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte (Cantares 8:6).

Por causa dela entendo melhor o amor de Deus. Por causa dela posso dizer que sou gente. Por causa dela sempre clamo aos céus: "Senhor de toda misericórdia, não permita que eu tire de seu sorriso o viço".

Amém.


 

 

A Edí com o sobrinho Victor (hoje ele calça 42). Paramentada com seu vestido de noiva, carregando um belo buquê de tulipas que combinava à perfeição com o batom, finalizado com uma mantilha (um véu curto à moda espanhola) e um pente (também à moda espanhola). E o sorriso cheio de viço.

 


Post publicado pela primeira vez no dia 26 de junho de 2007, às 14h44.



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 22h50
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WYSTERIA

 

Por Ana Banana (link): esboço e finalização.

 

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 26 de junho de 2007, às 14h29.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 22h34
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DIVINAMENTE JUSTO E PACIENTE - 6 DE 7

 

Confesso que algumas passagens do Antigo Testamento parecem descrever um Deus violento, que não hesita em ordenar a eliminação dos povos que não quis chamar de seus. Parece que ele elimina todos os gentios – todos os que não são israelitas – para favorecer seu povo escolhido, abrindo à força espaço na terra prometida, desalojando os cananeus que já moravam por ali, os "legítimos" donos do lugar.

Parece.


 

No longo processo de ocupação da terra de Canaã, a ordem sempre foi a de não se misturar com outros povos (este processo é descrito no livro de Josué, o sucessor de Moisés). A advertência era severa e repetida diversas vezes. Eugenia? Não. A intenção é que os israelitas não se deixassem seduzir por outros deuses. A idéia era a de evitar que os homens se deixassem seduzir por mulheres de outros povos. Por sua vez, estas seduziriam os irsraelitas a adorar o deus de seu próprio povo, deixando Deus de lado. Com o passar do tempo os israelitas estariam cometendo as mesmas atrocidades que os cananeus cometiam, as mesmas maldades que os expulsaram daquela terra.

Deus é ciumento, do tipo inseguro e possessivo? Parece. Afinal, ele quer seu povo apenas para si mesmo e restringe por meio de ordens que os israelitas debandem para o outro lado. Parece que Deus é adepto da reserva de mercado, do tipo que não suporta a concorrência.

Embora nunca tenha adotado esta interpretação, ela sempre ficou à espreita, pois não tinha uma boa resposta para ela. Não queria adotá-la e não queria descartá-la sem um bom motivo. Não me lembro de ter ouvido uma única palestra na igreja sobre este tema tão espinhoso. Deixado à própria sorte, fiquei pensando e pensando, até entender que a justiça de Deus serve tanto para gentios quanto para israelitas. Quando percebi que a maldade não se restringe a nações ou a credos, fiquei mais tranqüilo. A maldade reside no próprio ser humano. Os cananeus encheram a medida da maldade que Deus usa por que esta maldade já estava dentro deles. Os israelitas fizeram ainda pior por que a maldade já estava dentro deles. Ambos foram expulsos da terra.

Foi assim que me libertei da idéia de um Deus violento e ciumento.


 

Israel foi um reino unido durante o governo de três reis: Saul, Davi e Salomão. Foi o único período em que as dozes tribos de Israel respondiam ao mesmo rei. Depois de Salomão os reinos se dividiram em Israel e Judá. Judá ficava ao sul, era formada pela tribo de Judá e pela pequena tribo de Manassés e Jerusalém era a capital. Israel ficava ao sul, era composta pelas dez tribos restantes e tinha em Samaria sua capital. Judá teve vários reis, alguns deles "foram agradáveis aos olhos do Senhor", mas Israel não teve nenhum. Em termos práticos, isso significa que Israel foi para o exílio antes de Judá. Samaria caiu sob o império assírio em 722 a.C. e Jerusalém caiu sob o domínio babilônio em 600 a.C. No meu entender, os 122 anos de sobrevida de Judá devem-se aos poucos bons reis que Judá teve. Quem seguiu a Deus viveu melhor, pois não deu tanta vazão à própria maldade.

Dois fatores contaram para que os dois reinos fossem expulsos da terra prometida. O primeiro foi a violência contra a terra e o segundo foi a violência contra os humanos.

Quanto à terra, veja o que diz a passagem encontrada em 2Crônicas 36:20-21:

Nabucodonosor levou para o exílio, na Babilônia, os remanescentes, que escaparam da espada, para serem seus escravos e dos seus descendentes, até a época do domínio persa. A terra desfrutou os seus descansos sabáticos; descansou durante todo o tempo de sua desolação, até que os setenta anos se completaram, em cumprimento da palavra do Senhor anunciada por Jeremias.

 

Os israelitas desrespeitaram repetidamente o ano sabático da terra, o sétimo ano em que a terra deveria descansar. Setenta foram as vezes em que o povo desprezou o descanso sabático da terra, setenta foram os anos de exílio. Deus deu à terra o descanso negado por seu próprio povo: a Lei é boa, o ser humano nem sempre. Só depois disso o povo foi trazido de volta, durante o império medo-persa.

Quanto à violência contra o ser humano, a passagem que melhor expressa se encontra em Jeremias 32:35. Jeremias foi um profeta atormentado que previu e testemunhou a queda de Judá perante o poderoso exército da Babilônia, capitaneado por Nabucodonosor:

Construíram o alto para Baal no vale de Ben-Hinom, para sacrificarem a Moloque seus filhos e as sua filhas, coisa que nunca ordenei, prática repugnante que jamais imaginei.

 

Moloque era um Deus dentro do qual ardia fogo. Assim, sacrificar filhos e filhas a Moloque significa "fazê-los passar pelo fogo", entregar filhos vivos para o fogo os devorar. Se os cananeus foram expulsos da terra por tais práticas, os israelitas também o foram. Eles adotaram as práticas dos povos vizinhos, elevaram-nas a níveis antes inalcançados e se colocaram em linha direta com o juízo de Deus. Quem serviu de instrumento para Deus corrigir seu povo? Babilônia, a super-potência daquela época, uma nação pagã. Não é irônico?

Quando um povo, qualquer que seja, chega ao ponto de sacrificar os filhos vivos dentro de um deus ardendo em chamas, atingiu a medida da maldade tolerada por Deus: a ferida tornou-se incurável.


 

Este é outro dos motivos que me levam a acreditar que o Deus no Antigo Testamento é o mesmo do Novo Testamento: ele sabe que a maldade não se restringe aos gentios, pois seu povo superou em maldade os antigos habitantes da terra prometida. Então a proposta deve ser para o ser humano, não apenas para seu povo "escolhido".

Há ainda outro motivo, que é a bondade expressa na demora de Deus em executar seu juízo. Passaram-se séculos até que os cananeus fossem expulsos da terra. O mesmo vale para os hebreus. A demora de Deus não se deve à falta de justiça, mas ao desejo de que o ímpio volte a ser gente e viva:

Teria eu algum prazer na morte do ímpio? Palavra do Senhor, o Senhor. Ao contrário, acaso não me agrada vê-lo desviar-se dos seus caminhos e viver? (Ezequiel 18:23; veja também 33:11)

 

Ímpio é todo aquele que comete maldades, que deixa sua natureza destrutiva se expressar sem rédeas. É um termo que serve para cananeus e para judeus. Se Deus demora, ele o faz por que quer que vivamos. Mais uma semelhança entre o Deus do Antigo Testamento e o Deus do Novo Testamento.

No próximo post voltaremos a atenção para o Novo Testamento.

 


Post publicado pela primeira vez no dia 23 de junho de 2007, às 12h20.



Categoria: Cristianismo - Religião
Escrito por Marson Guedes às 22h27
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MORENA

 

Pintura de Daniel Cox (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 23 de junho de 2007, às 12h15.

 



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 22h26
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FLORIPA

 

Fui a Florianópolis, terra de gente agradável. A viagem foi ontem e antisdônti; fui trabalhar e salvar a pele de um amigo.

Por isso não teve nenhum post ontem. Espero que me compreendam.

Tive que enfrentar aeroportos. Não me saí tão mal': "só" uma hora de atraso na ida e uma hora e meia na volta. Pelo menos não tive que dormir no chão.

Não vi nenhum dos inúmeros viajantes desfrutando (quase disse "gozando") seu tempo de espera. Vi muita gente com notebooks, jogando Paciência, respondendo e-mails atrasados, revisando a apresentação do Power Point ou navegando a esmo na net. Os sem-notebook se contentavam com um livrinho, um tocador de mp3 ou simplesmente se rendendo resignadamente à espera, ao mesmo tempo forçada e improdutiva.

Prometeram que veríamos um espetáculo de crescimento nesses anos. Guido Mantega, ministro da Fazenda, afirmou recentemente que a crise nos aeroportos é sinal de que o Brasil está crescendo. É o jeitinho brasileiro para explicar tudo, inclusive o inexplicável. É a "solução" para explicar a crise que explicita a tragédia administrativa do governo brazuca.

Enquanto isso a gente vai achando que está no lucro por ter vôos com "apenas" uma hora de atraso. Bênza Deus!

Por isso vou me brindar com uma charge do sempre atento Fernandes (link), homem de mente aguçada e mão ligeira. Afinal, não tive que dormir no aeroporto...

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 22 de junho de 2007, às 12h10.



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 22h19
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QUE COISA!

 

Coisa do Orlando Pedroso (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 22 de junho de 2007, às 11h27.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 22h16
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SEM CAPRICHOS NEM FAVORITISMOS - 5 DE 7

 

Continua no post abaixo


 

Muita gente desconfia da Bíblia, especialmente os que possuem uma inclinação cética. Confiam desconfiando, precisam de uma base sólida, normalmente palpável, para acreditar em alguma informação. Muitas destas pessoas respeitam a Bíblia de forma genérica, pois entendem que as diferentes crenças devem ser respeitadas, mas não nutrem grande apreço pelo conteúdo. Do mesmo jeito que não se deve discriminar uma pessoa pela cor da pele, também não se deve discriminá-la por sua crença religiosa. É assim que reza nosso credo de tolerância.

Gosto dessa atitude. Meu problema é que esse posicionamento tende a ser um tanto condescente, caindo pelo lado ruim da palavra. Outras vezes a idéia da tolerância religiosa pode ser traduzida assim: esses religiosas acreditam em qualquer coisa, são movidos pelo ópio dos textos ditos sagrados, são um bando de hipócritas mas a gente tem que respeitar assim mesmo, mesmo que eles não tenham cérebro nem bom-senso. Normalmente os cientistas adeptos do naturalismo "respeitam" a religião dessa forma. Ou, pelo menos, essa é a minha impressão.

É neste contexto que gostaria de tratar a idéia comum que um Deus violento e parcial mandou retirar à força os habitantes de Canaã, a terra prometida, somente para realizar o capricho de arrumar para Israel um lugar para viver. Esse é o Deus do Antigo Testamento, diz-se. Colocada desta maneira, a questão já parece resolvida e reforça a idéia de que a religião só serve para justificar matanças, tudo em nome de Deus. Nessa descrição Deus é parcial, pois tira a terra de seus legítimos habitantes e a entrega para seu povo preferido, Israel, o "povo de Deus". Você é de Israel? Ótimo. Não é de Israel? A espada vai cortar seu pescoço: você não pertence ao povo esolhido. Azar o seu.


 

Não é isso que encontro no texto bíblico. As concepções errôneas a respeito da Bíblia surgem com freqüência dos "achismos", opiniões de uns baseadas em opiniões de outros que se perpetuam e assumem ares de autoridade. Vamos para o texto e retirar dali umas informações que nos ajudam a retomar a sobriedade.

O primeiro texto que me interessa é o de Gênesis, capítulo 15. O conteúdo da passagem compreendida entre o versículo 13 e o 16 são palavras de Deus para Abrão (ele só viraria Abraão no capítulo 17):

Então o Senhor lhe disse: "Saiba que os seus descendentes serão estrangeiros numa terra que não lhes pertencerá, onde também serão escravizados e oprimidos por quatrocentos anos. Mas eu castigarei a nação a quem servirão como escravos e, depois de tudo, sairão com muitos bens. Você, porém, irá em paz a seus atepassados e será sepultado em boa velhice. Na quarta geração, os seus descendentes voltarão para cá, porque a maldade dos amorreus ainda não atingiu a medida completa".

A primeira concepção errônea é corrigida logo no primeiro versículo; afinal, o Deus de um Israel que ainda não existia já disse ao patriarca Abrão que seus descendentes amargariam quatrocentos anos de escravidão em uma terra que não lhes pertencia. Fica difícil sustentar a idéia da parcialidade de Deus, pois seu povo só se constitui como nação na saída do Egito. Está claro que esta escravidão é no Egito, pois durou quatrocentos anos, faraó foi punido com as dez pragas e o povo de Israel saiu de lá com muita riqueza dada pelo próprio povo do Egito. Estes preferiram ficar sem suas jóias preciosas a ver aquele povo por um único dia mais em sua terra. Leia os treze primeiros capítulos de Êxodo se quiser conferir essa história.

Um Deus parcial e cheio de caprichos, que manda matar outros povos em benefício de seu povo, não se harmoniza com a idéia de um povo que nasce da escravidão. É essa a notícia que Abrão recebe, é o próprio Deus que avisa sobre a escravidão que certamente poderia ter evitado. Mas não evitou. O povo de Israel surgiu das sobras da escravidão. É notável, embora seja difícil de entender. O Deus que encontro na Bíblia não é parcial nem caprichoso.

Mas por que a chegada de Israel a Cannã foi postergada? Por que "a maldade dos amorreus ainda não atingiu a medida completa".

 


Post publicado pela primeira vez no dia 19 junho de 2007, às 11h16.



Categoria: Cristianismo - Religião
Escrito por Marson Guedes às 22h13
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SEM CAPRICHOS NEM FAVORITISMOS - 5 DE 7

 

Continuação do post anterior


 

Os amorreus eram um povo que habitava Canaã na época de Abrão, chamada de época dos patriarcas. Mas nesse texto a palavra "amorreus" desempenhava mais de uma função, pois é também uma designação genérica para todos os cananeus. Esse recurso é usado em outras partes da Bíblia. Por exemplo, em Oséias 11:8 a tribo de Efraim, uma das doze que compunham o povo de Israel, é usada de forma genérica para se referir a todo o povo.

Então precisamos entender o que significa "a maldade dos amorreus ainda não atingiu a medida completa".

Uma pista é o motivo pelo qual Sodoma e Gomorra foram destruídas: As acusações feitas ao Senhor contra esse povo são tantas que ele nos enviou para destruir a cidade (Gênesis 19:13; veja também 18:20-21). Outra versão diz: [Nós, os anjos] Vamos destruir este lugar; porque o seu clamor se tem aumentado, chegando até à presença do Senhor; e o Senhor nos enviou a destruí-lo.

Há quem diga que o pecado de Sodoma e Gomorra seja a homossexualidade, de onde se deriva o termo "sodomita" para designar o homossexualismo, mas isso é uma interpretação estreita demais em vista das acusações. O clamor se refere ao sofrimento imposto por estas duas cidades poderosas a todos os habitantes daquela região. Quando esses apresentaram suas queixas e dores ao Senhor, ele decidiu exterminar as duas cidades porque o mal causado por elas "atingiu a medida completa". Em outras palavras, Deus não impede a maldade humana enquanto esta não chegar a um ponto irreversível, um ponto além do qual não há cura possível. É chegada, então, a hora do julgamento e da condenação.

Creio que foi algo semelhante a este tipo de julgamento em relação ao amorreus, ou seja, aos povos que habitavam Canaã à época de Abrão. Os cananeus adoravam a Moloque, um culto disseminado naquela região. A prática nos cultos a esse deus incluíam sacrificar crianças no fogo que queimava dentro da própria imagem de Moloque. Era comum que os pais sacrificassem os próprios filhos. É essa a denúncia feita pelo profeta Jeremias, transmitindo a opinião do próprio Deus: Construíram o alto... para sacrificarem a Moloque os seus filhos e as sua filhas, coisa que nunca ordenei, prática repugnante que jamais imaginei (Jeremias 32:35-36).

Imagine que você está assistindo ao noticiário na televisão e aparecem imagens cedidas pela CNN. A reportagem relata que, em algum quadrante esquecido no Oriente Médio, descobriu-se uma tribo que adota rituais macabros na adoração de seu deus. Eles queimam crianças vivas para aplacar a ira desse deus. Qual seria sua reação?

Bem, opovo que será desalojado de sua terra é um povo que têm tais práticas, pois ultrapassaram o ponto em que a ferida causada pela própria maldade deixou de ser curável. Assim, quando o povo cananeu é expulso de Canaã por um povo que conta coma proteção de Deus, não estamos tratando de gente pacífica que quer apenas trabalhar honestamente e viver em paz. É um povo que abriga dentro de si a disposição de queimar crianças vivas.

É por isso que não concordo que os cananeus são vítimas de um Deus parcial, cuja única atividade é destruir quem não pertence a seu "povo escolhido".

É fato que ainda levaria séculos para que a medida da "maldade dos amorreus" chegasse ao ponto máximo. É fato que essa medida seria alcançada. É fato que eles seriam desalojados por Israel. Mas também é fato que Deus expulsaria seu próprio povo da terra prometida por terem feito pior do que os cananeus.

Deus usou a mesma justiça para lidar com os cananeus e com Israel.

Não, o Deus do Antigo Testamento não é parcial nem injusto. Quem afirma isso sem examinar com cuidado o texto bíblico é apressado em seu julgamento e, assim, torna-se um preconceituoso desinformado.

Está na hora de sermos mais sóbrios. Nada como voltar ao texto bíblico para um bom gole de sobriedade.

Coragem: ainda temos mais a tratar sobre o assunto.

 


Post publicado pela primeira vez no dia 19 de junho de 2007, às 11h14.



Categoria: Cristianismo - Religião
Escrito por Marson Guedes às 22h10
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BABEL AO CONTRÁRIO

 

Charge do Marco Jacobsen (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 19 de junho de 2007, às 24h23.



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 22h07
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O ANO DO JUBILEU - 4 DE 7

 

Vai ficar bem mais fácil se você ler o capítulo 25 do livro de Levítico, o terceiro livro da Bíblia.


 

O ano do Jubileu acontecia a cada 49 anos, o que a Bíblia descreve como sete semanas de anos. Como vimos no texto anterior, as dívidas de um hebreu com outro hebreu deveriam ser perdoadas no sétimo ano, o ano sabático. Mas essas dívidas se referiam a emprétimos de dinheiro sem cobrança de juros, não à terra. É no ano do Jubileu que a Lei trata sobre a propriedade da terra.

A idéia do ano do Jubileu era simplesmente devolver a terra aos seus primeiros donos, mesmo aquelas que tinham sido vendidas para algum conterrâneo. O valor da terra não era medida em valores absolutos, não bastava apenas multiplicar o preço do metro quadrado daquela região pelo número de metros quadrados da propriedade. O que se vendia não era a terra, mas sim o número de colheitas. Se faltassem muitas colheitas antes do Jubileu a terra valeria mais do que se faltassem poucas colheitas.

Assim como acontecia a cada sete anos, no ano do Jubileu Deus prometia abençoar a terra de tal maneira que ela produziria o suficiente para os três anos sem colheita: o suficiente para o sexto ano, para o sétimo ano sem semeadura e para o primeiro ano do ciclo seguinte, em que a semeadura começa. Tudo bem esquematizado.

Um dos objetivos era impedir que um hebreu explorasse outro hebreu, pois a cada 49 anos era possível começar tudo de novo na própria terra: Não explorem um ao outro, mas temam o Deus de vocês (Levítico 25:17). Assim, se um pai descabeçado perdesse temporariamente a propriedade para um comprador, a geração seguinte teria sua própria oportunidade de conduzir a vida de forma diferente.

Outro objetivo do Jubileu era lembrar a todos quem é o verdadeiro dono de tudo: Os israelitas são meus servos, a quem tirei da terra do Egito; não poderão ser vendidos como escravos (Levítico 25:42). Como um israelita poderia escravizar para sempre outro israelita se, de acordo com a Lei, todos os israelitas já pertencem ao Senhor? Não se pode vender algo que pertence a outra pessoa.

O ano do Jubileu também traz a Israel outra lembrança, a de sua condição sobre a terra: A terra não poderá ser vendida definitivamente, porque ela é minha, e vocês são apenas estrangeiros e imigrantes (Levítico 25:23). Por esse motivo só as colheitas poderiam ser vendidas, por que a terra dada por Deus pertence somente a ele, não aos israelitas.


 

Tendo aprendido que a Lei do Antigo Testamento é contrária à graça pregada no Novo Testamento, descobri nas prescrições para o ano do Jubileu um caminho de restauração; descobri que o problema não está na Lei, mas sim nas pessoas que deveriam segui-las.

As implicações do ano do Jubileu são de grande alcance. Em primeiro lugar, só cumpre o ano do Jubileu aquele que confia plenamente na provisão de Deus. Quem tem muito sempre acha que precisa ter ainda mais, e a Lei vem dizer exatamente o contrário disso. O Jubileu é uma prescrição divina contra a ansiedade que só funcionava quando os israelitas confiavam na palavra de Deus descrita na Lei. É uma atitude diante da vida muito semelhante àquela proposta por Jesus: Não se preocupem com sua própria vida, quanto ao que comer ou beber; nem com seu próprio corpo, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante que a comida, e o corpo mais importante que a roupa? (Mateus 6:25).

Em segundo lugar, traz um belo gole de sobriedade quando nos lembra que a terra não é nossa. Também não é de todos: é de Deus. Só vive em paz na terra aquele que sabe ser estrangeiro e peregrino sobre a terra, aquele que sabe ser administrador da terra e não proprietário definitivo. A terra é do Senhor; ela é dada, não é conquista nossa. Isso me lembra a passagem no livro de Hebreus, no Novo Testamento: Todos estes viveram pela fé, e morreram sem receber o que tinha sido prometido... reconhecendo que eram estrangeiros e peregrinos na terra (Hebreus 11:13). "Todos estes" se refere a Abraão e a seus descendentes, a quem Deus prometera a terra, mas que não entraram nela. Então, o autor do livro de Hebreus usa a terra prometida como uma metáfora para a caminhada de fé daqueles que, estando aqui, olham sempre para além. Estes andam na terra, mas não pertencem a ela. Vale a pena ler todo o capítulo 11 para o contexto ficar mais claro.

Tudo isso só faz sentido se entendermos que o Deus descrito no Antigo Testamento é um Deus amoroso e zeloso de seu povo, provendo também condições humanizadoras para todos os que os circundavam: outros povos, escravos e estrangeiros. A bênção era para Israel, mas com endereço certo: todo mundo. Isso o povo de Israel não entendeu. Não deveria se encontrar exploração ou injustiça entre eles, e o Jubileu era um instrumento para evitar tais maldades.

Os mecanismos de controle social encontrados na Lei são realmente muito sofisticados e proveitosos. Mas o Jubileu indica que mais um passo é necessário, um passo na direção da espiritualidade que nos mostra como viver dignamente com o próximo nessa terra. Quem acha que pode viver sozinho sem depender dos outros vai explorar tudo e todos. A Lei é contra esse instinto humano. Quem acha que a terra é sua, expulsa tudo e todos que não reconhece como seu. A Lei é contra esse instinto humano. Aquele que vive como se fosse autônomo, não dá satisfação a ninguém de seus atos, acolhe dentro de si tudo o que há de mais perverso. A Lei é contra esse instinto humano.

Em outras palavras, basta dar vazão a todos os instintos humanos de preservação que o fim será a humanidade explorando a própria humanidade. Os testumunhos em favor dess interpretação são eloqüentes. A única saída apontada pela Lei é entender que a terra não e nossa, é de Deus; assim como a terra precisa de descanso, a humanidade precisa do descanso das ansiedades em Deus; assim como Deus cuida da terra, ele cuidará de nós. A colheita pode ser vendida, a terra não. A falta de semeadura no sétimo ano era a condição para a produtividade triplicada do sexto ano. A promessa de Deus gera a esperança que nos capacita a viver dignamente sobre a terra e com as pessoas que nos cercam. Em outras palavras, é a dependência de Deus que nos liberta, um belo paradoxo bíblico. Esta também é uma mensagem do Novo Testamento.

Agora estamos prontos para discutir um pouco sobre a aparente injustiça de Deus quando tirou os cananeus da terra prometida e a deu aos israelitas. Mas fica para outro dia.

Coragem!

 


Post publicado pela primeira vez no dia 13 de junho de 2007, às 15h54.



Categoria: Cristianismo - Religião
Escrito por Marson Guedes às 21h48
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WINDOW

 

Pintura de Brooke Olivares (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 12 de junho de 2007, às 11h46.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 21h45
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A LEI É BOA - 3 DE 7

 

Continua no post abaixo. Respire fundo que o texto é longo.


 

É evidente que diante de Deus ninguém é justificado pela Lei.

Paulo, em carta para as igrejas da Galácia (Gálatas 3:11)

 

Mas agora, morrendo para aquilo que antes nos prendia, fomos libertados da Lei, para que sirvamos conforme o novo modo do Espírito, e não segundo a velha forma da Lei escrita.

Paulo, em carta para as comunidades cristãs em Roma (Romanos 7:6)

 

Estas são duas das afirmações de Paulo registradas no Novo Testamento. Por causa delas, e de muitas outras, sempre torci o nariz para a Lei, que é uma forma concisa de se referir à Lei que Deus transmitiu a Moisés, ou Lei Mosaica. Há um conflito entre duas formas de viver, uma contraposição da justiça que provém da Lei e aquela que provém da fé. Basta ler o Novo Testamento para notar que é a fé que justifica o homem, ou seja, que o torna justo: O justo viverá pela fé.

É possível argumentar que este conflito entre a Lei e a fé é uma evidência de que o Deus do Antigo Testamento e o do Novo Testamento são diferentes – um mais rigoroso e outro mais condescendente – mas isso é uma leitura apressada. O que me interessa nesse momento é notar o quanto este conflito me cegou para as belezas que há na Lei. Meu raciocínio era o seguinte: se o Novo Testamento rejeita o caminho indicado pela Lei, nem vou me dar ao trabalho de examinar esta Lei. Para que isso serviria? Para nada, oras. Mas minha leitura era apressada.

Pretendo enfatizar a humanidade e a profundidade da Lei de Moisés, chamada de antiga aliança. Mais adiante isso será muito útil quando avaliarmos a nova aliança, proposta pelo próprio Cristo. Se a antiga aliança é boa, que coisa tão boa estaria sendo oferecida pela nova aliança?


 

Digo que a Lei era humana por que tratava dos relacionamentos humanos. As felicidades mais intensas são vivenciadas nos relacionamentos. Também é verdade que as pessoas que mais amamos são as que detém o maior poder de nos machucar. Numa mesma pessoa reside o poder da graça e da traição. Quem não sabe disso? É por isso que legislar sobre os relacionamentos humanos é tão importante, e a Lei não se exime dessa tarefa.

Deixe sua Bíblia aberta no Livro de Êxodo e veja alguns dos temas sobre as quais a Lei se pronunciava:

1. Não maltratem nem oprimam o estrangeiro, pois vocês foram estrangeiros no Egito (22:21). É verdade que os israelitas guerrearam para conquistar a terra prometida por ordem de Deus, mas também é verdade que, por ordem do mesmo Deus, os estrangeiros deveriam ser tratados com respeito. Eles poderiam até mesmo ser considerados israelitas se estivessem dispostos a seguir a Lei. Para mim o mais interessante é a lembrança do cativeiro no Egito, que durou quatrocentos anos. Durante aquele período os israelitas foram desprezados, chicoteados, tratados como animais de carga, tudo em nome do resplendor egípcio. No momento de tratar com os estrangeiros em sua própria terra, eles deveriam se lembrar do quanto seu povo sofreu na escravidão e não repetir a escravidão que Deus abominava. Tendo sido vítimas no estrangeiro, não deveriam transformar em vítimas os estrangeiros que vivam entre eles. É um mandamento que impede a proliferação da escravidão.

Alguém aí conhece algum povo contemporâneo dos israelitas que tivesse um mandamento semelhante a esse?

2. Se fizerem empréstimo a alguém do meu povo, a algum necessitado que viva entre vocês, não cobrem juros dele; não emprestem visando lucro (22:25). Você já precisou pedir dinheiro emprestado depois que tudo na vida deu errado? Ou então quando você fez tudo errado? Eu já passei por isso. O caminho mais óbvio é pedir emprestado para alguém que você conheça. O pedido em si já é humilhante, e você fica torcendo para que a pessoa não o humilhe ainda mais com sermões. Aqui os mais abastados, aqueles que têm sobrando, são instados a ajudar os necessitados com dinheiro sem cobrar juros deles. Quem empresta a juros é banco; irmãos devem agir diferente para que ninguém tenha fome ou frio, para que niguém caia na mão do primeiro agiota que aparecer no caminho. Veja que está implícita a intenção de devolver, pois não se fala em dar o dinheiro; a ordem é para não cobrar juros. Assim, o necessitado não passa fome e o abastado não exerce a violência econômica que tem em mãos.

Diga-outra lei que humaniza desta maneira os vínculos econômicos.

3. Não acompanhe a maioria para fazer o mal. Ao testemunhar num processo, não perverta a justiça para apoiar a maioria, nem para favorecer o pobre num processo (23:2-3). É interessante que a imparcialidade do depoente no processo deve ser mantida para que a justiça seja preservada. Não se defende a mentira em favor do pobre para que este leve vantagem. O processo de julgamento deve fazer a justiça prevalecer por meio da honestidade, sem a necessidade de um Robin Hood. A mesma imparcialidade deve ser mantida se o depoente tem palavras contra a parte mais forte do processo, aquela que normalmente tem a maioria a seu favor: Não acompanhe a maioria para fazer o mal.

5. Não aceite suborno, pois o suborno cega até os que têm discernimento e prejudica a causa do justo (23:9). Nem é preciso comentar este mandamento. Bom seria se os processos judiciais e CPIs no Brasil seguissem este modelo.

6. Plantem e colham em sua terra durante seis anos, mas no sétimo deixam-na descansar sem cultivá-la. Assim os pobres do povo poderão comer o que crescer por si (23:11). Esta é a origem do ano sabático, respeitado por algumas universidades. A cada seis anos de trabalho de um professor, o sétimo é concedido para que ele use este tempo como quiser. O salário e os benefícios são mantidos durante este período. É uma época própria para a renovação pessoal. Alguns usam este ano para escrever, outros para deixar de escrever. Essa mesma sabedoria serve para o trato com a terra. Seis anos a terra dá o melhor de si para que a produção seja a melhor possível, mas no sétimo desfruta do descanso que a permitirá ser produtiva nos seis anos seguintes. Além disso, o que cresce naturalmente serve para alimentar os pobres. O mandamento cuida da terra e o pobre ao mesmo tempo. No versículo 12 diz-se o mesmo a respeito dos animais, dos estrangeiros e dos escravos.

 


Post publicado pela primeira vez no dia 10 de junho de 2007, às 10h59.



Categoria: Cristianismo - Religião
Escrito por Marson Guedes às 21h42
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A LEI É BOA - 3 DE 7

 

Continuação do post anterior


 

7. Se você encontrar perdido o boi ou o jumento que pertence ao seu inimigo, leve-o de volta a ele (23:4). Embora a Lei seja conhecida pela máxima "olho por olho, dente por dente", esta ordem me parece bastante "macia". A obediência a este mandamento abrandaria muitas das rixas existentes naquela época, assim como o fariam hoje. Talvez seu inimigo continuasse um inimigo, mas a animosidade diminuiria. Certamente uma lei difícil de seguir então e agora; certamenete uma Lei humanizadora.

8. Se você comprar um escravo hebreu, ele o servirá por seis anos. Mas no sétimo ano será liberto, sem precisar pagar nada (21:2). Quando um hebreu estivesse devendo tanto a outro hebreu que não tivesse como saldar sua dívida, poderia se vender como escravo ao credor. A Lei aceitava isso, mas havia um limite para este trabalho escravo, o mesmo para a terra e para os animais: seis anos. Depois de servir por seis anos ele estaria livre e sua dívida saldada. Esse é uma das prescrições da Lei que mais gosto, pois reconhece a dívida sem perpetuá-la de forma maligna. O que se vende temporariamente é digno por que vai pagar sua dívida; o que compra um escravo hebreu é digno por que não vai ultrapassar o limite da dignidade de seu escravo.

A pergunta continua a mesma: qual povo contemporâneo dos israelitas tinha uma Lei tão sofisticada e humanizadora como essa?


 

O Deus que aparece no Antigo Testamento é comumente descrito como um Deus sanguinário e há passagens que realmente põem este gosto de sangue na boca de quem lê. Mas acho difícil entender esta descrição violenta sem considerar também os aspectos saudáveis e recomendáveis da Lei; o preconceito nasce dessa parcialidade. A Lei tinha a intenção de organizar a vida dos israelitas e, por conseqüência, todos os povos em sua volta. Os israelitas não tinham um Deus nacional para mostrar, assim como os filisteus mostravam Dagom e os amonitas mostravam Moloque. Isso era um constrangimento para os israelitas daquela época. O que Israel tinha para mostrar era uma forma de viver, e a Lei servia para orientar esse modo de vida. O relacionamento do povo com Deus deveria refletir-se no relacionamento entre cada membro deste povo. Deus pedia que seu povo fosse justo, mas Moloque pedia que seu povo sacrificasse crianças no fogo, os próprios filhos de seus adoradores, para que sua ira fosse aplacada. A diferença é tão óbvia que nem precisa ser comentada.

É verdade que a Lei não foi suficiente para impedir que Israel fosse igual ou pior do que os povos que viviam a seu redor em Canaã, a terra prometida. A ineficácia desta Lei é tratada com muitos detalhes no Novo Testamento, mas isso não quer dizer que a Lei é ruim. Quer apenas dizer que é preciso mais do que uma Lei para transformar o ser humano. Nós precisamos mais que diretrizes para vivermos com dignidade, precisamos de transformação. É isso que a nova aliança veio propor.

Minha intenção é mostrar o aspecto positivo da Lei para entendermos melhor como ela foi corrompida. Antes de tratarmos da corrupção precisamos examinar mais um aspecto dessa Lei, o chamado ano do Jubileu. Então estaremos preparados para ver que o critério usado por Deus para desalojar os habitantes da terra prometida foi o mesmo usado para desalojar seu próprio povo de lá.

Aguarde.

 


Post publicado pela primeira vez no dia 10 de junho de 2007, às 10h58.



Categoria: Cristianismo - Religião
Escrito por Marson Guedes às 21h36
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EAT YOUR PEAS

 

Pintura de Lisa Fields (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 10 de junho de 2007, às 10h45.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 21h31
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PRECONCEITO - 2 DE 7

 

Continua no post abaixo


 

Contra o preconceito use o exame minucioso, a experiência de primeira mão. Abra os olhos!

 


 

Tenho um faro apurado para os debates. Quando uma pessoa fala alguma coisa que me interessa, logo fico escarafunchando mentalmente suas pressuposições, tentando entender como ela pensa e reage. Estaria ela falando por falar, como quem bebe despreocupadamente um copo de água na padaria? Ou a observação feita é fruto da convicção? Será que a pessoa pensou bastante sobre o assunto usando o próprio cérebro, ou ouviu isso de segunda mão e está apenas repetindo, usando a autoridade de algum outro? Teria ela condições de suportar um questionamento mais vigoroso? Uma pergunta cortante? Vale a pena fazer isso? Ou é melhor deixar de lado? Ou...

Tenho um faro apurado para preconceitos, normalmente consigo identificá-los com rapidez e precisão. Preconceito é quando alguém se expressa sobre algo que não conhece, sem exame crítico. O cidadão resolve se pronunciar sem ter conhecimento de causa. O preconceito tem as raízes fincadas na maneira como percebemos as coisas, e nem sempre resistem ao exame minucioso.

Falo isso como quem fala para si mesmo. Tenho meus preconceitos. Não gosto de crente, por exemplo. Embora isso seja uma caricatura, esse povo fica cheio de "glória" e "aleluia" e é pior que muita gente que não liga para Deus. É gente cheia de querer mandar em Deus, quando o contrário seria mais adequado. Devo admitir que sou um deles, lutando bravamente contra tais estereótipos. Tento preservar a pureza do evangelho. Tento.

Também não gosto muito de psicólogos. Sendo um deles, vi muitas vezes o preconceito mandar mais do que o bom senso recomenda, especialmente durante o tempo de faculdade. Minha impressão geral é que, depois do terceiro ano, gente organizada é gente obsessiva, gente limpinha tem transtorno obsessivo-compulsivo e quase nenhum desenho de criança revelava saúde mental. Nos desenhos chamados projetivos minhas professoras só entravam doenças – psicopatologias, para usar um termo mais técnico: medo, defesa, solidão e assim por diante. Alguns professores, incluindo aí alguns que eu respeitava, não respondiam minhas perguntas mais inquietantes. Eles simplesmente mudavam de assunto, falavam algo que lhes dava na telha e encerravam o assunto. Aconteceu com uma amiga de turma: ela foi perguntar à professora de psicopatologia, que era psicanalista, qual opinião tinha a respeito da hipótese do desequilíbrio neuroquímico como explicação para a esquizofrenia. A bela resposta foi: "Não sei, não quero saber, tenho raiva de quem sabe". Uau! Devo admitir que sou um deles, lutando bravamente contra tais estereótipos. Tento ser um psicólogo sem esses cacoetes. Tento.

 


Post publicado pela primeira vez no dia 7 de junho de 2007, às 24h57.



Categoria: Cristianismo - Religião
Escrito por Marson Guedes às 21h26
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PRECONCEITO - 2 DE 7

 

Continuação do post anterior


 

O pior lado de ser psicólogo se reflete em duas situações antagônicas: a criada pelo falante e pelo defensivo. O falante, quando diante de um psicólogo, saca logo a pior pergunta que poderia fazer: "Minha sobrinha viu meu tio pelado quando tinha um ano e meio. Será que é por isso que ela é meio maluca?". Saiba você que esse tipo de coisa acontece na mesa do restaurante, do bar ou da conversa entre amigos. Procuro me sair com uma resposta padrão: "Essa eu só respondo na clínica. Não posso trabalhar de graça". Costuma funcionar para cortar a conversa, embora não seja lá uma estratégia muito educada.

O defensivo diz "não fica aí me analisando, hein...". Primeiro digo que ele também me analisou antes de dizer isso; portanto, ele é tão culpado disso quanto eu. Depois saco minha resposta padrão, aquela eficiente porém pouco educada: "Essa eu só respondo na clínica. Não posso trabalhar de graça".

Por essas e outras tenho preferido dizer que sou tradutor.


 

É claro que tenho grandes amigos tantos entre os crentes quanto entre os psicólogos, mas nenhum deles se encaixa nesse tipo de comportamento. Eles são gente antes de aceitar um rótulo. Se o rótulo cai – na mesa de um restaurante, por exemplo – eles continuam sendo gente.

Sei de alguns outros preconceitos que carrego. Mas aqueles que me amedrontam mais são os que desconheço, são as opiniões preconcebidas que ainda não identifiquei. Por isso tento ficar atento às potenciais bobagens que podem estar na ponta da minha língua. Tento.

Mas por que essa conversa se nosso tema é descobrir de o Deus do Antigo Testamento é o mesmo do Novo Testamento? Por que boa parte do debate está envolto em preconceitos, e neles a discussão está ancorada. Veja: se tudo o que você possui são preconceitos, se seus preonceitos surgem da visão acrítica, só podemos esperar uma briga de opiniões muito semelhante à que acontece entre torcedores do Corinthians e do Palmeiras, entre maloqueiros em potencial e porcos em potencial. Não há como sair dessa sinuca de bico, não há esperança nisso.

Assim, em vez de debater com base nos preconceitos, que tal deixar a Bíblia falar por si mesma? Toda a vez que menciono a autoridade da Bíblia sinto uma agulhada de prenconceito, pois fui treinado a reagir negativamente a essa história de "autoridade". O que me faz continuar com esse papo de Bíblia? É que o exame minucioso desse texto fantástico me cativou. Primeiro sinto o preconceito, depois volto à sobriedade. Nada como a experiência de primeira mão.


 

Penso muito nessa coisa de preconceito com Bíblia. Há os que a negam sem ter chegado perto. Há os que a adotam e defendem sem ter provado de suas difíceis e surpreendentes páginas. Sinto-me sempre no dever de desmistificar essa tal de "autoridade" da Bíblia sempre que a oportunidade se apresentar.

O debate sobre O Deus do Antigo Testamento versus o Deus do Novo Testamento é uma dessas oportunidades.

Um dos preconceitos que encontro freqüentemente é a idéia de que tudo o que existe na Bíblia é copiado de outros povos. Diz-se que a literatura de sabedoria da Bíblia, exposta em livros como Provérbios e Eclesiastes, é derivada da literatura de sabedoria do Egito. Diz-se que a literatura hebraica tem influência dos povos cananeus. Isso sem mencionar a idéia de que a Bíblia é um livro corrompido, modificado pelos interesses da Igreja, única e tão somente por que é um livro religioso.

Não há nenhum problema em admitir que o Egito e os povos cananeus tenham exercido influência sobre Israel; tal intercâmbio é apropriadamente humano. Mas deixar de admitir que o povo de Israel também exerceu influência sobre outros povos é preconceito, assim como é preconceito deixar de admitir que o povo de Israel tem contribuições de valor que lhe são próprias.

Conheço alguns desses preconceitos, pois já os tenho examinado faz algum tempo. Vou tentar mostrar que a Bíblia é um livro coeso, muito cativante, comprometido com a realidade, rigoroso com seus heróis e cheio de respostas revolucionárias. E que o Deus do Antigo Testamento é o mesmo do Novo Testamento. Esse Deus não sofre de desequilíbrio neuroquímico no cérebro.

Como disse, vou tentar. Mas acho que a luta contra os preconceitos faz a tentativa valer a pena. Quem sabe eu mesmo não descubro algum preconceito se esgueirando nos porões da minha mente inquieta?

No próximo post a conversa é sobre a lei de Moisés. Será que há alguma coisa nela que presta?

 


Post publicado pela primeira vez no dia 7 de junho de 2007, às 24h57.



Categoria: Cristianismo - Religião
Escrito por Marson Guedes às 21h19
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DESGOSTO

 

É por isso que eu não gosto de "crente". Duvido que a Assembléia de Deus apoie esta "iniciativa privada".

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 7 de junho de 2007, às 24h54.



Categoria: Cristianismo - Religião
Escrito por Marson Guedes às 21h12
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O HOMEM DA TAL PEDRA NO MEIO DO CAMINHO

 

Caricatura genial do mestre Baptistão (link ao lado), em homenagem ao nosso poeta Carlos Drummond de Andrade. Dá para acreditar que o cidadão faz isso com lápis de cor?

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 5 de junho de 2007, às 12h58.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 21h09
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ANTIGO TESTAMENTO versus NOVO TESTAMENTO - 1 DE 7

 

Resolvi atender à solicitação de escrever sobre o contraste entre o Deus do Antigo Testamento e do Novo Testamento. Meu amigo Wanderson, o solicitante, ouviu certa feita de uma professora de geografia: "Deus mandou o povo de Israel para a terra prometida, só que na terra prometida já havia gente morando!". A pergunta derivada desta afirmação é "Custava ter mandado o povo para outra terra que estivesse desocupada?". É ainda possível perceber nesse questionamento uma indignação – "Isso é injusto!". De fato, parece injusto.

À época da chegada de Israel na terra prometida, ela já estava ocupada pelos cananeus, uma série de povos dividindo uma considerável porção de terra. Para Israel ocupar esta terra foi necessário desalojar todos os povos que já estavam lá. Não seriam eles os legítimos donos da terra? Não seria o Deus de Israel um Deus sedento por sangue e violência, unicamente para favorecer seu povo?

Boa pergunta.

A crise é antiga, pois contrapõe o Deus do Antigo Testamento – irado, feroz - ao Deus do Novo Testamento – amoroso e disposto a perdoar. Se a distinção for verdadeira, então estamos falando de dois Deuses, ou melhor, de um Deus e um deus: não há espaço para dois Deuses; o universo é pequeno demais para isso.

Penso em duas possibilidades. Na primeira, temos que escolher qual Testamento vale. Se o Deus verdadeiro é o do Antigo Testamento, descartamos os 27 livros do Novo Testamento. Se o Deus verdadeiro é o do Novo Testamento, descartamos os 39 livros do Antigo Testamento. Minha experiência me diz que há um forte viés para descartar o Antigo e ficar com o Novo. A segunda possibilidade é admitir que a Bíblia é esquizofrênica, que não apresenta nenhuma unidade de mensagem nem de propósito. Nesse caso, o mais sensato seria rasgá-la em duas, e cada um Testamento por si.

Volto a dizer: é uma boa pergunta, e relevante também.

Como ser responde a uma boa pergunta? Apresentando uma resposta ainda melhor. Creio que a resposta existe. Entretanto, como é de costume, a pergunta não é fácil nem rápida. E quem não tem paciência nem interesse não passa do segundo parágrafo.


 

Abre parênteses.

Ainda estou para ver alguém que faça comentários semelhantes à professora do Wanderson e que conjugue o questionamento com uma leitura séria do texto bíblico. Normalmente a leitura é seletiva, pontual. Arrisco a dizer que a maioria dos questionadores herdou o questionamento de segunda mão, ou seja, repetem o que ouviram de alguém que respeitam. Nem sempre estas autoridades leram com seriedade o texto bíblico; bem pode ser que eles também acolheram um questionamento de segunda mão.

Se você já leu cuidadosamente o texto e continua questionando, bem, não estou falando de você. Bem-vindo a bordo.

"Quem conta um conto aumenta um conto": é só a leitura honesta do texto bíblico que nos trará a sobriedade. Isso não é fácil nem rápido. Quem não estiver realmente interessado não passará do segundo parágrafo.

É improdutivo discutir a Bíblia com aqueles que nunca a leram.

Fecha parênteses.


 

A passagem crucial para nós está justamente no Antigo Testamento, no endereço de Êxodo 3:14: Deus disse a Moisés: "Eu Sou o que Sou". "Eu Sou o que Sou" é o nome de Deus, é a primeira vez em que ele se identifica desta maneira (há uma cena interessante deste encontro no longa animado Príncipe do Egito). A idéia da expressão hebraica é que Deus existe por si mesmo, tudo o que existiu depois dele tem origem nele mesmo. Assim, a expressão indica que Deus não tem crises existenciais nem crises de identidade – ele simplesmente existe, ele simplesmente é. A existência perfeita está indissoluvelmente vinculada à identidade perfeita. Tais crises estão reservadas somente a nós.

É de bom tom reconhecer: devo este argumento à minha filha adotiva, a Renata Bonin.

A expressão "Eu Sou o que Sou" me faz lembrar uma passagem no Novo Testamento escrita por Paulo (sempre ele), encontrada em Romanos 4:17: o Deus que... chama à existência coisas que não existem, como se existissem. A perfeita existência não encontra nenhuma dificuldade de chamar à existência coisas que ainda não existem. Assim, é Deus que gera as coisas em vez de as coisas gerarem Deus. Deus não é uma projeção das coisas, incluido aí nossa mente.

Chego, então, à conclusão que o Deus do Antigo Testamento é o mesmo do Novo Testamento, pois ele não é esquizofrênico, não está cindido em duas personalidades conflitantes. Em vez disso, eles está se revelando gradualmente, da mesma forma que nós nos revelamos gradualmente às pessoas. Isto posto, podemos navegar com mais segurança nestas águas turbulentas.

A pergunta da ex-professora de geografia do Wanderson é boa e relevante. A resposta bíblica é ainda melhor, estou seguro. Se isso não ficar evidente, então terei falhado.

Mas vamos tentar assim mesmo. Avante.

 


Post publicado pela primeira vez no dia 4 de junho de 2007, às 13h58.



Categoria: Cristianismo - Religião
Escrito por Marson Guedes às 21h02
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OLD MAN

 

Por FaceZero (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 29 de maio de 2007, às 02h47.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 00h02
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CONCHIGLIONI A LOS ROBLES

 

Prato em homenagem aos amigos Alexandre, Mariane e Felipe Robles. Eles provaram e aprovaram o prato. O resto é história.


 

Conchiglioni é uma massa grande, em formato de concha. É ideal para rechear. Com um pouco de criatividade ela serve para pratos quentes, saladas e entradas. Basta cozê-la, rechear de ricota temperada com pimenta do reino e bacon frito, rodeá-la com tomate picado com um pouco de sal e manjericão fresco, ralar um belo queijo parmesão por cima e despejar generosamente o azeite por cima. Está feito!

 

        

       

Mas hoje é dia de conchiglioni quente, gratinado no forno. A idéia é simples. Colocar uma pequena almôndega dentro de cada conchiglioni, colocar tudo em um refratário (tipo Pirex) e despejar por cima bastante molho branco puxado no creme de cebola e na mostarda. Tudo isso salpicado com queijo ralado e gratinado no forno. Que tal, parece convidativo?

Você pode começar cozendo a massa (eu gosto da marca De Cecco, mas não experimentei outras) bem al dente, ou seja, com ela ainda durinha. Isso é importante por que, depois de recheada, a massa ainda vai por alguns minutos para o forno. Se você deixar passar demais o ponto, ela pode ficar tão mole que vai ser difícil servir. Outra coisa que você deve observar é que o conchiglioni precisa ser de grano duro, ou seja, sem adição de ovo à massa. Nem sei se existe, mas se existir conchiglioni com ovos na massa simplesmente não compre.

Enquanto aguarda o cozimento da massa, você pode preparar a carne. Vai precisar de 1kg de patinho moído (se quiser gastar mais, pode usar maminha ou fraldinha). Espalhe a carne em uma travessa grande para ficar mais fácil temperar. Você vai adicionar sal, molho inglês, pimenta do reino, algum tipo de bebida (conhaque e uísque são boas pedidas) e um pouco de ervas finas (ou ervas de Provence). Cuidado para não carregar no sal. Lembre-se da regra de ouro: sal pode ser adicionado, mas não pode ser retirado. Misture tudo muito bem. Caso esteja em dúvida sobre o tempero, basta pegar um pedacinho e fritar em uma frigideira pequena com um fio de óleo. Corrija se achar que está faltando alguma coisa no tempero.

Na hora de preparar a carne, eu uso uma chapa de ferro. Faço isso por que o sabor é ótimo e por que não precisa de óleo. A carne bovina é naturalmente gordurosa, tornando desnecessário o óleo. Se você não tiver uma, faça em uma boa frigideira com um fio de óleo ou de azeite. Os pedaços precisam ter um tamanho adequado para ficarem dentro do conchiglione sem deixá-los muito abertos. Olhe para o conchiglioni cozido e o pedaço de carne e faça os ajustes necessários. A carne precisa dar aquela "pegadinha", ou seja, dar uma tostada sem queimar. Este gosto de "pegadinha" compõe muito bem com a massa e o molho branco.

Agora o molho branco. Você vai derreter manteiga (uma colher e meio de sopa) em uma panela grande. Talvez você queira trocar a manteiga pela margarina. É possível, vai funcionar, mas não se engane, pois você vai perder bastante no sabor. De certa forma, é desperdiçar a qualidade do conchiglioni. Mas é você quem sabe. Outra opção é colocar uma colher de manteiga e completar o resto com azeite. Esta sim é uma opção que uso e aprovo, sem restrições.

Depois que a manteiga derreter (sempre em fogo baixo) adicione o correspondente a uma mão rasa de farinha de trigo: ponha mão em concha, despeje a farinha de trigo sem formar um montinho e então despeje esta quantidade em cima da manteiga derretida (desculpe o mal jeito, é que eu faço tudo a olho). Quando a manteiga já estiver misturada com a farinha, comece a despejar leite integral, mexendo sempre. O leite precisa estar na temperatura ambiente; evite usar leite gelado para não empelotar. Você vai precisar de cerca de 1 litro de leite para o molho. Lembre-se que ele precisa cobrir todos os conchiglione. Posso trocar o leite integral pelo leite desnatado? Não. Mas por quê? Por que o molho vai virar um líquido em vez de virar um creme. Se o molho começar a empelotar, tire a panela do fogo e tente desfazer os grumos com as costas da colher. Se a coisa ficou muito feia, você pode usar um recurso radical, que é desfazer tudo com um mix, que pode ir diretamente à panela.

Adicione um copo de requeijão (além do tradicional, você pode usar requeijão com sabores; o de queijo prato ou de cheddar são os mais indicados), polvilhe um pouco de queijo ralado, capriche na mostarda, coloque metade de um pacote de creme de cebola, ponha um pouco de molho inglês e rale um pouco de noz moscada. Misture bem tudo isso e vá provando. Não ponha sal, pois já temos ingredientes salgados no molho, especialmente o queijo ralado e o creme de cebola. Você só vai adicionar sal no fim de tudo, se achar que ainda está faltando.

Quando você sabe que está pronto? Quando tudo está bem derretido, quando chegou na consistência desejada. Se estiver viscoso demais, adicione leite. Se estiver líquido demais, adicione lentamente o creme de cebola. O molho precisa ter um sabor pronunciado de creme de cebola e de mostarda. Então adicione uma caixinha de creme de leite, com o fogo já apagado. Eu nunca arrisco com creme de leite: se você achar o Parmalat, ótimo; caso contrário use o da Nestlé. Se quiser usar outro, é por sua conta e risco.

Ponha a carne já pronta dentro de cada conchiglioni já cozido, arrume-os em um refratário, jogue o molho sobre tudo e polvilhe queijo ralado por cima. Coloque no forno em temperatura média-alta para gratinar. Quando começar a borbulhar já está na hora de tirar e servir.

Apeteça-se, divirta-se!

 


Post publicado pela primeira vez no dia 28 de maio de 2007, às 15h02.



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 23h59
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BLASÉ, MAS NEM TANTO

 

Dentre os trabalhos que conheço do Rod Guen (link), este é meu preferido. O desenho do menino é fantástico.

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 27 de maio de 2007, às 13h25.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 23h54
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O DEUS QUE É DO TAMANHO DO NOSSO BOLSO

 

Fofoca faz trabalhadores desperdiçarem 13 dias úteis por ano

© 2007 Alexandre Robles (link)

 

Uma empresa de consultoria inglesa fez uma pesquisa para o Governo Britânico que apontou que a má utilização do tempo pelos funcionários das grandes empresas afeta a produção e o lucro nacionais em estimados 13 dias de trabalho por ano. O que mais ocupa este tempo mal utilizado é a fofoca. Não me interessou mais o artigo e eu não precisava da consultoria para saber que a fofoca é causa de grandes males. O Tiago há dois mil anos atrás já nos falou que a língua mesmo sendo tão pequena pode fazer grandes estragos.

Mas a questão que emerge nesta avaliação é que a motivação para que a sociedade organizada e os governos estabelecidos se importem com um tema como este, a fofoca, não é o mal que ela causa nas relações humanas, mas o que ela causa no bolso.

Para resolver um problema, mexa no bolso. É assim que se movem os interesses e as tomadas de posição e ação. Jesus nos disse que o Deus Criador tem um rival na terra, e não é o Diabo, é o Dinheiro.

Observe a quantidade de questões éticas que para se fazerem ouvir e valer em nossa sociedade precisam de argumentos financeiros. Coisas como "os abortos clandestino geram aos cofres públicos tanto por ano"; ou "a baixa escolaridade de nossas crianças gera para o governo uma conta anual de"; ou "a seca no nordeste afeta o PIB de grandes estados brasileiros como São Paulo e Rio de Janeiro"; e por aí vai.

Nós não queremos resolver nossos problemas e deixar de fazer o que é errado simplesmente porque está errado, mas só estaremos dispostos a isso quando ficar caro. Então me responda, quem é nosso Deus?

Toda vez que minha ação ou minha omissão se justifica com argumentos financeiro-monetários, denuncio exatamente quem é meu deus, mesmo que minhas orações, canções, camisetas, tatuagens, adesivos de carro e qualquer outro sinal aparente digam que sigo o Senhor Jesus. Na verdade, na tentativa de seguir os dois, a Ele e ao Dinheiro, fico apenas com o Dinheiro, porque Jesus disse que não faria parte desse triângulo vicioso.

Quando os cristãos decidirem esta questão básica em seu coração, então passaremos da brincadeira de criança entretidas pelo mundo "gospel" (diga-se de passagem, lucrativo) para de fato sermos sal e luz em nossa geração.

 


Post publicado pela primeira vez no dia 25 de maio de 2007, às 01h23.



Categoria: Cristianismo - Religião
Escrito por Marson Guedes às 23h45
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TRANSPOSIÇÃO

 

Charge do Benett (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 22 de maio de 2007, às 12h58.



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 23h26
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SOBERANIA TEMPERADA PELA BONDADE - 3 DE 3

 

Continua no post abaixo


 

Tenho em mãos um dicionário de teologia, publicado pela editora Vida em edição de bolso. Foi organizado pelo trio Grenz, Guretzki e Nordling. Veja a definição do verbete soberania (p. 124):

Conceito bíblico do governo supremo e da autoridade legal de Deus como rei de todo o universo. A soberania de Deus é manifesta, exercida e revelada no plano divino da história da salvação e sua realização. É realçada sobretudo na tradição agostiniano-calvinista, em que é paradoxalmente contraposta à responsabilidade humana.

 

Penso que qualquer pessoa disposta a ler a Bíblia com cuidado e honestidade chegará conclusão de que Deus é soberano, pelo menos na ótica dos autores bíblicos. Não é preciso concordar com a Bíblia para reconhecer isso. O leitor honesto também testemunhará que, na Bíblia, soberania é o governo supremo e da autoridade legal de Deus como rei de todo o universo. É uma visão grandiosa, não há dúvida.

É bem fácil se perder no emaranhado de linhas que é a discussão sobre a soberania de Deus. Isso não é problema apenas para os cristãos que acreditam na Bíblia. Há muita gente que não é religiosa que, diante da desgraça, se pergunta "por quê?". Às vezes a pergunta vem acompanhada de um qualificador: "Por que, Deus?". Ouse dizer que esta pergunta resume em si o seguinte: "Se o Senhor pode tudo, Deus, então por que é que meu filho morreu, se eu pedi tanto para ele ser curado?". É uma excelente pergunta, normalmente suscitada no sofrimento. Mas trataremos das questões ligadas ao sofrimento outro dia.

Durante anos fiquei preso a essa questão, sem saber como sair dela. Foi então que essa nuvem se dissipou, bem no meio de uma reunião de trabalho com Ariovaldo Ramos e meu amigo Enéas. Resumindo, o Ariovaldo mostrou que o mais importante não é a soberania de Deus, mas sim seu caráter. Em outras palavras, isso significa que um Deus soberano e bom vai agir com bondade, e que um Deus soberano e maldoso vai distribuir maldade. A soberania não é o mais importante por que é o caráter de Deus que define como ele usará seu poder que a tudo abrange. E a Bíblia diz que Deus é bom: Pois o Senhor é bom, e o seu amor leal é eterno (Salmo 100:5).


 

A definição acima menciona a tradição agostiniano-calvinista. No meio protestante, especialmente no meio dos calvinistas, a discussão a respeito da soberania pega fogo. Há os calvinistas e há os hiper-calvinistas. Os calvinistas realçam a soberania de Deus, enquanto os hiper-calvinistas exageram a soberania de Deus. Como é possível exagerar a soberania de Deus se ela é completa e abrange tudo? Simples: basta pensar um pouco sobre o papel do homem nisso tudo.

Agostinho e Calvino enfatizaram, cada um a seu modo, a soberania de Deus. Também enfatizaram a responsabilidade humana. Isso é paradoxal, pois não é possível Deus definir absolutamente tudo o que acontece no mundo – incluindo o comportamento humano – e o ser humano ser responsabilizado por seus atos. Se a soberania de Deus é total, o ser humano é um autômato. Mas isso entra em conflito com a Bíblia, que reconhece plenamente a responsabilidade dos humanos: Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá (Gálatas 6:7). A Bíblia reconhece que as decisões humanas podem gerar destruição e vida, dependendo do que é semeado.

Este paradoxo é uma tremenda dor de cabeça. Quanto mais interesse você tiver no tema, mais dor de cabeça terá. Agora que o foco da discórdia está definido, vou dizer para você o que levei anos para entender. É perfeitamente possível Deus ser soberano e ainda assim respeitar a liberdade humana. Em primeiro lugar, Deus cria o ser humano e lhe concede a liberdade que gera a responsabilidade. É por isso que somos dignos, estamos brincando de verdade em vez de ficar como café-com-leite, ou seja, correr sem valer. Para fazer isso, Deus escolheu soberanamente se limitar para nos dar espaço. A Bíblia diz que Deus quer nosso amor como dádiva mais valiosa. Como pode haver amor se não houver liberdade? É de amor a declaração extraída à força? Claro que não.

Por que um Deus soberano se limitaria em favor da liberdade humana? Por que ele é bom.

Por que um Deus soberano e bom suportaria tantas bobagens que os humanos teimam em cometer? Por que o amor dele é leal.

Viu? A questão da soberania só se entende quando entendemos a bondade e o amor de Deus. É por isso que a limitação que Deus se impôs não arranha sua soberania. Não há paradoxo.

 


Post publicado pela primeira vez no dia 22 de maio de 2007, às 01h35.



Categoria: Filosofia
Escrito por Marson Guedes às 23h09
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SOBERANIA TEMPERADA PELA BONDADE - 3 DE 3

 

Continuação do post anterior


 

Entendi melhor isso pensando em como os pais educam seus filhos. Quando eles são pequenos, demandam um cuidado muito próximo: eles não sabem ir ao banheiro, não se alimentam sozinho etc. Quando estão maiores, podem brincar em algum "parquinho" sob olhares atentos. Os pais guardam certa distância, mas a atenção está lá. Os pais estão se limitando para que seus filhos tenham espaço para crescer. Se eles caem e começam a chorar, o socorro vem de pronto. E quando os filhos são maiores, quando chega a hora de eles tomarem decisões, os pais abrem espaço e soltam suas crias. Podem inclusive ver que os filhos estão fazendo "burrada", mas deixam eles aprenderem sozinhos. Os pais se limitam para que os filhos tenham dignidade, ou seja, para que eles usem sua liberdade e arquem com as conseqüências.


 

Há enormes implicações filosóficas. A primeira se refere ao livre-arbítrio, a liberdade de fazer escolhas e ser responsabilizado por elas. O ser humano só tem dignidade nesta situação. Os humanos têm muita liberdade de ação e não podem ser considerados autômatos. Imagine o que aconteceria nos tribunais se os advogados não pudessem mais fazer seus clientes passarem por doente ou desequilibrados, vítimas indefesas de sua biologia? Quem passa por isso para se livrar da cadeia também perde a dignidade. Não sai de graça.

Outra implicação que muitos consideram indigesta é que nossa liberdade se mede por um padrão absoluto (absoluto é pecado em nossos dias; a simples menção da palavra causa arrepios). Para muitos isso significa uma prisão, mas aprendi a apreciar este absoluto moral como liberdade. É que ser medido diante de um padrão tão elevado dignifica o ser humano. Quando nos consideramos apenas um animal que reage a instintos primitivos, nós nos tornamos lentamente animais. Não escolhemos mais, pois os instintos fazem isso por nós. Não se admira que, por exemplo, o sexo seja tão banalizado hoje, tão insatisfatório mesmo para aqueles que a mídia oferece como padrão do "sexy".

Se não houver um padrão absoluto, cada um faz o que bem entende. Quando cada um faz o que bem entende, a conseqüência inevitável é "cada um por si". Mas em tempos de "salve-se quem puder", ninguém se salva.


 

Somos dignos, temos responsabilidade. E para os que se assustam com esta perspectiva, quero lembrar que Deus é bom e seu amor é leal.

Deus é soberano, mas soberanamente escolheu usar sua soberania em nosso favor. Isso me basta.

 


Post publicado pela primeira vez no dia 22 de maio de 2007, às 01h35.



Categoria: Filosofia
Escrito por Marson Guedes às 23h07
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QUEM NUNCA QUIS FAZER ESTAS PERGUNTAS?

 

Tiras transcendentais do Laerte (link).

 

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 20 de maio de 2007, às 12h56.



Categoria: Filosofia
Escrito por Marson Guedes às 22h59
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A VERDADE É UMA PESSOA - 2 DE 3

 

Fico irritado sempre que me deparo com discussões filosóficas nos livros a respeito da verdade. Embora eu compreenda a dificuldade da tarefa de discutir um assunto tão espinhoso, continuo frustrado com o resultado. A linguagem é difícil e, depois de muitas voltas, o texto termina sem respostas. É frustrante.

Veja, por exemplo, o exemplo de descobrir a verdade tentando justificá-la. É a tentativa de encontrar a verdade usando algum método de validação. Mas pense bem. Se houver um método para validar a verdade, o método tem mais valor do que a verdade, pois é ele que dá o carimbo de validade para a verdade. Mas o que é mais importante? A casa ou o método de construção? Nem precisa responder.

O método de validação mais importante em nossos dias é a ciência. Mas a ciência não pode se pronunciar sobre questões de significado, apenas sobre aquilo que cabe no método científico. Se não couber dentro dos limites da validação científica, não é possível haver prova. Diferença entre mim e os cientistas materialistas é que enxergo nisso uma restrição insuperável e eles pensam que fora da ciência não existe verdade. Para estes, se não cabe na ciência não serve para nada, é bobagem religiosa. A ciência é uma conquista maravilhosa do maravilhoso ser humano, mas ela só consegue se expressar dentro de sua área de competência.

Pode a ciência dar sua opinião sobre as emoções humanas? Sim e não. A ciência pode estudar o que acontece no cérebro quando experimentamos emoções: medir o nível de atividade em determinadas áreas cerebrais, contar o número de neurotransmissores, medir os hormônios liberados na corrente sangüínea em conseqüência de eventos estressores e coisas assim. Tudo isso é muito útil. Mas a ciência consegue medir e dizer o que a pessoa está sentindo? Não. A química do corpo na alegria intensa e no estresse é muito parecida. Mesmo que um dia consiga estabelecer esta relação, ainda assim não tem nada a dizer a respeito do significado que uma emoção ou imagem mental tem para uma pessoa. Enfim, a ciência é ótima, mas seu método não a permite abarcar o mundo.


 

E agora?

Não quero ser agnóstico, que admite a possibilidade de a verdade existir sem admitir que é possível conhecê-la.

Não quero ser cético, que só admite o que pode ser provado. Os céticos costumam fazer boas e relevantes perguntas, mas resposta que é bom, nada.

Vou desistir da busca e perder o viço, a esperança? Não. Vou dizer para você o que descobri e que me basta.


 

Esta é a cena: Pilatos, representante do mais sofisticado sistema judiciário até então, interroga Jesus, acusado de blasfêmia pela elite da mais sofisticada religião de seu tempo (João 18:28-38). Em algum momento Jesus diz para isto vim ao mundo: para testemunhar da verdade (v. 37). Pilatos respondeu com uma pergunta: Que é a verdade? (v. 38).

Quando imagino esta cena, quase posso ver Pilatos dando de ombros, virando as costas para Jesus e andando a esmo pelo aposento enquanto pensa no que fazer com este "rei dos judeus". Imagino também uma expressão de desdém desesperançado em seu rosto: Verdade? O que é isso? Se é que tal coisa existe... A Bíblia não fala nada disso, mas é assim que imagino a cena.

Outra passagem fundamental é João 14:6, palavras do próprio Jesus: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Embora a passagem se preste a elucubrações e digressões, vou me ater a apenas uma informação. Jesus não veio para representar a verdade, pois ele mesmo é a verdade.

Mais uma passagem e estaremos prontos para chegar a uma conclusão. O texto é João 8:32: E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará. Tenho forte desconfiança de que a busca filosófica pela verdade continua, apesar dos tropeços, por que lá no fundo desconfiamos de que seremos livres quando conhecermos a verdade.


 

Eis minha conclusão: Jesus falou a respeito da verdade, Jesus disse que a verdade liberta e Jesus disse que ele é a verdade. Portanto, a verdade não é um conceito e sim uma pessoa; ou melhor, uma Pessoa. A vantagem disso é que Jesus é sua própria medida, ou seja, não precisa da aprovação de um método externo.

Quer saber a verdade? Ouça o que o Nazareno diz.

Quer viver em liberdade, livrar-se da mentira que aprisiona? Conheça a verdade, experimente a verdade.

Quer conhecer, experimentar a verdade? Conheça e experimente Jesus.


 

Se a verdade é uma pessoa, então descobrir a verdade é uma questão de convivência com esta pessoa, o que é bem mais interessante e frutífero do que ficar folheando livros e livros e permanecer na aridez pessoal. É bem mais interessante e rico do que Penso, logo existo. Se a verdade é uma Pessoa, se esta pessoa é Jesus, somos bem mais do que seres pensantes como queria Descartes. Conhecer a verdade implica estudo, exercício da racionalidade e envolvimento pessoal (digo isso antes que alguém despreze as palavras de Jesus, dizendo que são um convite à crendice com apelo emocionalista).

Isso me satisfaz plenamente. Andar neste caminho às vezes desequilibra a gente. É que andar com uma pessoa que é a verdade costuma colocar em cheque suas crenças anteriores, normalmente nocivas, e substituí-las por outras mais próximas da realidade. Mesmo sendo benéfico, é doloroso. Mas tudo bem, pois antes era doloroso e isso não me levava a lugar nenhum.

Você já pensou nas implicações filósoficas disso, especialmente para a epistemologia? O conhecimento é relacional em vez de ser puramente racional. E o relacional é mais elevado do que o racional, pois o engloba e vai além.

Penso assim quando penso na verdade.

Sempre fui refratário ao discurso aceite Jesus e você vai para o céu. Não que seja mentira, acredito nisso. Mas isso joga fora quase toda a Bíblia e o respeito que ela tem pela reflexão. Não é disso que estou falando.

Temos o impulso de mostrar para as pessoas aquilo de bom que descobrimos, como uma criança no sótão da casa dos avós que encontra um baú cheio de brinquedos chama logo irmãos e amigos. Meu desejo é que, assim como esta Pessoa veio um dia atrás de mim, ele também vá atrás de você com seus braços de amor verdadeiro.

 


Post publicado pela primeira vez no dia 19 de maio de 2007, às 12h50.



Categoria: Filosofia
Escrito por Marson Guedes às 22h51
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JÉSSICA

 

Por Daniel Cox (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 17 de maio de 2007, às 13h45.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 22h41
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A PEDIDOS

 

Alexandre Robles freqüenta estas paragens com seus textos (fora as imagens, alguma coisa tem que se salvar!). Ele pediu que eu colocasse uma foto minha, aos 4 anos, mencionada no post Para A Dona Márcia. Se não leu e quer saber, clique aqui.

Não pude negar este pedido ao meu amigo. Após uma frenética garimpagem, encontrei o que queria. Assim, segue a foto referida e um bônus, que é uma foto linda da Dona Márcia, a senhora minha mãe, quando jovem. Criatura e criadora.

Espero que vocês gostem tanto quanto eu.

 

Reparem na revista do Tarzan


 

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 17 de maio de 2007, às 13h45.



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 22h32
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CARLITO

 

Eu sei, eu sei... Tevez no Timão é coisa do passado, infelizmente. Mas a caricatura do Gustavo Duarte (link ao lado) vale a re-edição.

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 17 de maio de 2007, às 02h22.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 22h18
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VACAS SAGRADAS - 1 DE 3

 

Você já teve a sensação de que alguma idéia está te perseguindo? Parece que você está sendo vigiado de longe. Quando você se ocupa com várias coisas a sensação diminui, quase desaparece. Quando tudo fica em silêncio ela vem à tona, reivindicando sua atenção com uma persistência suave mas implacável. É assim que me sinto quando o assunto é verdade e soberania. Se for Verdade e Soberania, então o caldo entorna de vez.

Se essas idéias são perigosas, então eu tenho um instinto suicida. É a velha história: dou um boi para não entrar na discussão, mas dou uma boiada para não sair dela. As idéias ficam me seguindo, me incomodando lá do fundo da minha mente, e é lá mesmo que eu as deixo. Mas quando chegam ao alcance das mãos – ou melhor, da mente – não quero largá-las. Nem sempre consigo domá-las, nem mesmo sei se um dia as domei. Mesmo quando sou derrotado no embate fico achando que valeu a pena. Quero mais.


 

É de causar espanto o que acontece na Índia: um monte de gente passando fome e vacas saudáveis, cheias de carne, andando livremente pelas ruas. Para os indianos as vacas não são apenas vacas, elas são vacas sagradas. Na Índia ninguém mata uma vaca para comer pelo mesmo motivo que ninguém mata um deus para comê-lo. A expressão extrapolou os limites religiosos e hoje é usada para designar aqueles que estão acima do mal e do bem: o diretor virou uma "vaca sagrada", ninguém toca nele. O erudito faz o que quer e ninguém o questiona, pois ele atingiu as alturas e virou uma "vaca sagrada".

Para os ocidentais o conceito indiano de vaca sagrada é um acinte. Como eles não percebem que a solução para a fome anda à solta pelas ruas? Bem, nós também temos nossas vacas sagradas, coisas tão óbvias quanto vacas andando à solta no meio da cidade. Nós tratamos a verdade e a soberania assim como os indianos tratam as vacas sagradas. Com isso não quero dizer que a verdade e a soberania são sagradas para nós; bem ao contrário. Quero dizer que cometemos o mesmo erro quando olhamos para a verdade e a soberania sem reconhecer nelas seu conteúdo sagrado.

A verdade é uma vaca sagrada por que nós abrimos mão de acreditar que ela existe. Nós, ocidentais cosmopolitas respirando o ambiente pós-moderno, decidimos que insistir na existência da verdade, de uma verdade, é muito prejudicial. Pode ocasionar arroubos de totalitarismo. Então optamos por "cada um tem sua verdade" e por "cada cabeça, uma sentença". É um mundo plural, que respeita as diferenças, que tem como valor máximo a tolerância.

O medo da intolerância tem sentido, assim como tem sentido o medo de se afirmar que existe um verdade absoluta. A intolerância pode levar à violência contra o diferente, a verdade absoluta pode justificar esta violência. A história nos dá exemplos abundantes disso, e as instituições religiosas não estão isentas deste julgamento condenatório.

Deve haver algum problema com esta conversa a respeito da verdade. Na Idade Média, quando a igreja imperava, quando o mundo era inconcebível sem Deus, a verdade religiosa não foi capaz de melhorar significativamente o mundo. Deixou como legado o medo, não a liberdade. Depois veio o Iluminismo, a revolução científica ancorada nos preceitos do racionalismo. Hoje temos ciência e tecnologia, mas não aprendemos a viver em paz. Nunca o mundo testemunhou tamanha escalada de guerras, devidamente apoiadas pela ciência e pela tecnologia. E agora optamos por não acreditar mais na verdade, já que duas das forças mais poderosas deste mundo - a religião e a ciência - não deram conta do recado. Agora é cada um por si e Deus contra todos. Faz sentido.


 

A palavra soberania causa arrepios em qualquer um que tenha se dado ao trabalho de pensar sobre o tema. É justificado o medo.

A soberania, para ser soberania, tem que ser absoluta. Não existe meia soberania e também não existe 99 por cento de soberania. Ou abrange a tudo e a todos em todas as épocas e lugares, ou não é soberania.

Muita gente se pergunta por que existe o mal no mundo, por que tanta injustiça, por que a vida humana tem sido tão banalizada. É nessa hora que surge o antigo e relevante dilema. Por um lado, parece que Deus tem poder para acabar com o mal e não o faz. Então ele é soberano, poderoso, mas não é bom. Por outro lado, parece que Deus quer acabar o mal e não consegue. Então ele é bom mas impotente. Qual é a conclusão que o dilema sugere? Nenhum Deus serve, então vamos nos livrar dele. Faz sentido.


 

 

O que é a verdade? Será que é possível viver em um mundo em que o número de verdades é igual ao número de pessoas? Isso, é claro, sem considerar que a mesma pessoa pode mudar de opinião, mudar de verdade. Tem saída esse labirinto?

O que é a soberania? Serve para alguma coisa? Seria ela uma comparsa da verdade absoluta, esgueirando-se para nos escravizar?

O que proponho nos textos a seguir é indicar da forma mais clara possível minhas reflexões sobre estes temas. Tenho me debatido com os temas há anos. Estou convicto – ter convicções é pecado na sociedade pós-moderna – de que estes conceitos são sagrados. Os abusos religiosos não foram capazes de obscurecer o brilho e a relevância destas idéias. Na verdade, são mais do que idéias. Mas estou me adiantando.

Aperte os cintos, mas fique tranqüilo por que o piloto não sumiu.

 


Post publicado pela primeira vez no dia 16 de maio de 2007, às 02h09.



Categoria: Filosofia
Escrito por Marson Guedes às 22h12
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EU ODEIO POESIA

 

Tira do Custódio, da série Rato de Sebo (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 15 de maio de 2007, às 01h51.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 21h58
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MOWGLI

 

Pintura do Cárcamo (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 15 de maio de 2007, às 01h47.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 21h23
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AL PACINO

 

Este é do Ismael Roldan (link).

 

 

Este é do Luis Gaspardo (link).

 

 

Este é do David Malan (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 14 de maio de 2007, às 10h58.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 21h15
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PARA DONA MÁRCIA

 

 

Ilustração de Weberson Santiago (link).


 

Márcia Eliete Theophilo Guedes Ferreira: este é o longo nome da mulher que atende por Dona Márcia, a senhora minha mãe.

Bem, não sou muito chegado a arroubos de afeto, minhas respostas às vezes são crípticas e também podem ser criptografadas. Um conversa no telefone - foi ela que ligou para saber se estava tudo bem - pode ser um simples "tudo bem", do tipo que emperra a conversa. Nada de "mamãe querida" nem de "puxa, estou com tanta saudade!". Fico me perguntando se ela sente falta de um pouquinho mais de emoção. Fico me respondendo que sim. Ainda bem que posso contar com o coração de uma mãe para entender as limitações de um filho.

Já mencionei que minha mãe corta meu cabelo?

Dona Márcia nasceu em Quatá, uma cidade do interior de São Paulo. É mais ou menos assim: uma rua central, três paralelas para cima e três paralelas para baixo. Em velocidade e arrancada normais, você não consegue engatar a quarta marcha do carro: a cidade acaba antes. Note que estou descrevendo a Quatá de hoje, não a de décadas atrás.

Já mencionei que minha mãe corta meu cabelo?

Minha vó chegou em São Paulo de mala e cuia, com os filhos debaixo do braço. Montou um salão de beleza e minha mãe ralava cuidando do cabelo das madames de Moema. A freguesia era fiel e eu lembro bem do casarão. Foi diante desta casa grande que tiraram de mim uma das fotos que mais gosto. Coloquei um óculos com armação preta, cabelo castanho escorrido brilhando no sol, rindo e nas mãos uma revista do Tarzan. Ah, bons tempos em que eu tinha cabelo...

Bom, agora você entende por que minha mãe corta meu cabelo.


 

Dona Márcia tinha tudo para ser uma dona de casa (Calma! Ser dona de casa é uma tarefa hercúlea), mas ela vive arranjando sarna para se coçar. Nem sei quantos projetos do Capacitação Solidária ela já conduziu. Em todos o mesmo resultado: eficiência e muita gente agradecida. E fique você sabendo que só recentemente ela completou a oitava série.

A nova moda que ela inventou foi aprender a tocar viola caipira. Já tinha aprendido a tocar violão, mas desistiu dele em favor da viola. Hoje ela toca na Orquestra Paulista de Viola Caipira e já bateu perna por aí, tocando em diversas cidades. Ela honra uma espécie de tradição não verbalizada, que deve ter começado com minha vó, Dona Anésia. Dona Anésia - minha irmã mais nova a chama de Magnésia - já está quase nos seus 80 anos e continua do mesmo jeito, ou seja, rodinha no pé ligada no turbo. É um azougue. Garra, fé, criatividade e muita vontade de viver. Esta é a Dona Márcia, minha mãe, de quem eu me orgulho muito. Filha e herdeira legítima de uma tradição que elas provavelmente nem reconhecem.

Eu me viro bem diante de uma platéia, não importa o tamanho. Eu me viro bem com as palavras. Mas ficar dizendo "eu te amo" já é uma coisa bem diferente, que só acontece em situações muito particulares. E já faz um bom tempo que estas situações muito particulares não acontecem.

Todas essas palavras servem para lembrar a Dona Márcia do meu amor e da minha admiração. Sinto-me constrangido a manter a tradição da garra, fé, criatividade e muita vontade de viver. Acho que meus resultados ainda ficam a dever, mas sei para onde olhar.

Se minha mãe tinha dúvidas a respeito do meu amor, que elas agora caiam no esquecimento. Minhas palavras são uma renovada declaração de amor.

E para sempre vou me lembrar que ela corta meu cabelo.

De um filho um exótico (eufemismo para "esquisito"),

 

Marson


 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 13 de maio de 2007, às 13h05.



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 21h08
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LULA TENDO IDÉIAS COM A VISITA DO PAPA

 

Charge do Benett (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 13 de maio de 2007, às 12h49.



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 20h59
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NEM TUDO É BADALAÇÃO

 

Estou impressionado com a comoção gerada pela visita do papa. Além de sua presença, parece que a canonização do primeiro santo nascido no Brasil explica boa parte da badalação. Digo badalação por que a mídia está em polvorosa para cobrir cada passo do representante maior do Vaticano. Até mesmo a TV Record, controlada pela Igreja Universal do Reino de Deus, cedeu e está fazendo a cobertura desta visita. Antes a moda era chutar a santa, hoje... Se você quiser, pode acompanhar pelo UOL minuto a minuto os passos do papa; basta ler o que os jornalistas estão descrevendo.

Por um lado, todo o agito é uma demonstração inequívoca do poder da religião. Quando vejo tanta gente chorando por ter visto o papa a mais de vinte metros de distância, penso no fracasso do comunismo ateu em prover o mesmo conforto. Penso também na famosa frase "a religião é o ópio de povo", cunhada por Heinrich Heine e popularizada por Marx. Mas a citação não serve para explicar a comoção popular. É que gente cheia de fé costuma ser gente boa, que acaba deixando mais coisas boas do que ruins no mundo. Evidentemente há os exageros religiosos, mas vou deixá-los de lado hoje. O que me importa é que o comunismo ateu nunca alcançou a alma das pessoas como a religião o faz. Isso significa que a história é religiosa, não econômica. Marx ficaria muito contrariado com isso.

Por outro lado, houve um incidente que se mostrou bem menos palatável. Já faz algum tempo. Foi quando o papa fez um discurso e se valeu de um escrito medieval que mencionava a violência do Islã. As palavras do papa geraram uma comoção, mas oposta à que estamos testemunhando. Houve manifestações raivosas dos muçulmanos em todas as partes onde o Islã impera. Você deve se lembrar.

Foi o que o Miran, O Fera Benevolente, captou em seu cartum, uma descrição gráfica que condensa sei lá quantas palavras. Veja no post abaixo.

Deve-se reconhecer que aquelas não eram as palavras do papa, mas soaram como se fossem. Isso colocou o Vaticano em uma posição delicada, pois precisava lidar com a reação violenta ao discurso sem reconhecer que o papa errou. Afinal, o pontífice não erra, certo? Então, ele está certo e o resto do mundo interpretou mal sua mensagem. Em menos de duas semanas a coisa tinha se esvaziado e tudo voltou a ser como dantes na terra de Abrantes.

Este ocorrido me traz um consolo: se eu disser palavras infelizes, acidentalmente ofensivas, posso me retratar. Não que isso seja fácil; não é. Mas não tenho que sustentar uma perfeição que não existe. Nunca quis ser papa: nenhum pensamento sobre isso ontem, uma idéia impensável hoje.

Embora seja um truísmo, digo de novo que os seres humanos são imperfeitos. Tal truísmo permanece válido para os seres humanos que conduzem a religião. Mas há alguma coisa nessa imperfeição que muito me agrada, que me é muito familiar.

E o que fazer com o desejo que temos de ser perfeitos? A solução é tão simples quanto profunda: deixar que o Perfeito derrame a perfeição em nós; não o pontífice, mas o Nazareno.

 


Post publicado pela primeira vez no dia 12 de maio de 2007, às 12h46.



Categoria: Cristianismo - Religião
Escrito por Marson Guedes às 20h54
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NEM TUDO É BADALAÇÃO

 

Cartum do Miran (link). Seria ótimo se você lesse o post acima. Vailá.

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 12 de maio de 2007, às 12h45.



Categoria: Cristianismo - Religião
Escrito por Marson Guedes às 20h52
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SETSUNA

 

Óleo sobre madeira da Audrey Kawasaki (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 12 de maio de 2007, às 11h51.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 20h43
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NEM O PAPA SE SALVA

 

Charge do Fernandes (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 11 de maio de 2007, às 19h03.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 20h39
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LULA, HORAS ANTES DE SE ENCONTRAR COM O PAPA

 

Charge do Benett (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 10 de maio de 2007, às 12h58.



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 20h34
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O PADRE DE ROMA

 

Caricatura de Bento XVI, feita pelo Baptistão (link ao lado) e vencedora de prêmios internacionais.

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 9 de maio de 2007, às 15h02.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 20h29
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HOMENS E BARCOS

 

Este texto foi escrito para o caderno de recordações da minha sobrinha Ana Carolina, a grande: é que tem outra Ana Carolina na família, esta bem menor, que ainda não tem caderno de recordações. Quando escrevi este texto a Carol era uma adolescente bonita, hoje ela é uma moça linda. É um dos poucos textos que ainda me agradam, mesmo depois de alguns anos passados. Por isso resolvi compartilhar.

 

Tem a história daquele homem que morava numa vilinha perto do mar (eu acho que é assim que a história começa). Ele tinha outra profissão, mas o que ele gostava mesmo era de construir barcos. Ótimo, especialmente para quem mora perto do mar. Ele não precisava comprar um pronto, ele podia fazer do jeito que quisesse. E o danado do homem era bom mesmo. Ele tinha um monte de ferramentas, e conhecia muita técnicas de construção de barcos. Coisa fina.

Um dia estava na vilinha um homem de fora. Logo contaram para ele sobre um homem meio maluco que estava quase acabando de construir um barco. Mas maluco por que? – quis saber o forasteiro. Disseram para ele mesmo ir lá ver.

Quando o homem de fora da vilinha chegou na casa do outro que construía barcos, viu que tinha pelo menos outros quatro barcos quase prontos. Encontrou o homem e perguntou o porquê daquilo tudo. Então o homem do barco disse que ele gostava mesmo era de de construir barcos, mas que tinha medo do mar...

Às vezes a gente fica só sonhando com o que a vida poderia ou deveria ser. A gente fica construindo barcos... Mas um barco, por melhor que seja, não serve de nada se ficar na terra. O mar pode dar medo, porque a gente não controla o mar, e não sabe se a calmaria de hoje vai virar a tempestade de amanhã. Um pouco de prudência é bom e faz bem para a saúde, mas a maior bobagem que podemos fazer é deixar o barco, feito para navegar na vida, parado, incompleto e sem cumprir sua missão, que é viver no mar.

Viver é perigoso, eu sei. Mas ficar com o barco parado, seco, na praia, é a certeza de que falhamos na vida. Prá resumir: fé em Deus e pé na tábua. Ou seria barcos ao mar...?

 


Post publicado pela primeira vez no dia 9 de maio de 2007, às 14h40.



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 20h23
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WORKAHOLIC

 

Tira do Laerte (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 8 de maio de 2007, às 12h09.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 20h00
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CONTROLE REMOTO PRESIDENCIAL

 

Charge do Fernandes (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 7 de maio de 2007, às 11h26.



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 19h21
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UNDER BRIDGE

 

Por Jared Shear (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 7 de maio de 2007, às 11h22.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 19h11
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SAI DESSE CORPO QUE NÃO É SEU!

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 6 de maio de 2007, às 12h45.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 18h10
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BOM HÚMUS DA VIDA

 

© 2007 Alexandre Robles (link)


Deus deve ter um bom senso de humor. Eu conheço cada figura! E sabendo que Deus é muito mais tolerante que eu, entendendo que seu amor vai além da maioria de minhas restrições, concluo pra mim que seu humor é requintado.

Quando penso sobre mim então! Sobre minhas confusões, vulnerabilidades, futilidades, vaidades! Minhas decisões definitivas que mudam após algumas horas! Meus clamores devotos que são interrompidos pelos mais banais pensamentos! Minhas necessidades de aplauso e reconhecimento e minha crença de que sou especial (que graciosamente sempre é posta terra abaixo pela graciosa intervenção de Deus em não permitir que eu não me cristalize na tolice de ser um ícone entre os homens)! Ah! Quanta paciência Deus precisa ter comigo!

E paciência só é possível com bom humor, caso contrário é resignação.

Se Deus a tem, para manter-se relacionando conosco, é sugestivo que tenhamos também adequado senso de humor, que nos livra da amargura e nos impede de nos tornarmos bobos alegres, que são os que riem de qualquer coisa, por qualquer motivo e a qualquer momento.

Há um quê de espiritualidade no bom humor que deveríamos resgatar em nosso cotidiano.

Ah! Antes de acabar. Você sabia que húmus dá origem a humor e a adubo? Sugestivo também, não?

Bem aventurados os que adubam suas vidas com bom humor, porque sentarão mais próximos do Pai nas rodas de causos do céu.

 


Post publicado pela primeira vez no dia 6 de maio de 2007, às 12h37.



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 18h04
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CUIDADO COM O QUE VOCÊ LÊ

 

Cartum do Miran (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 5 de maio de 2007, às 10h33.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 18h00
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SERÁ QUE DÁ PARA SEPARAR AS COISAS?

 

Cartum do Mauro Souza (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 5 de maio de 2007, às 10h28.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 17h55
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ESSE SABE MUITO...

 

Tira da série Rato de Sebo, do Custódio (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 4 de maio de 2007, às 03h19.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 17h41
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ESCOLHA SEU LINCOLN

 

Este é do Wouter Tulp (link).

 

 

Este é do Ismael Roldan (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 4 de maio de 2007, às 03h13.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 17h34
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FALL

 

Por Lisa Fields (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 3 de maio de 2007, às 14h43.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 17h23
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FÔLEGO DE DEUS NA MATEMÁTICA - 4 DE 4

 

O cientista precisa depositar sua confiança em 95 por cento do trabalho que faz. Precisa fazê-lo por que não é possível realizar todos os experimentos; portanto, ele tem que confiar nos experimentos que seus colegas e antecessores realizaram. Por outro lado, o matemático não precisa depositar sua confiança em nada. Qualquer teorema que tenha sido provado, ele não acredita verdadeiramente no teorema enquanto não estabelecer ele mesmo a prova. Portanto, ele conhece o assunto deste o ponto inicial. Ele tem cem por cento de segurança quanto ao assunto. E isso lhe confere uma extraordinária convicção de infalibilidade e uma arrogância que os cientistas não possuem.

Erick Christophen Zeeman, matemático inglês (1925 - ). Citado em Oxford Dictionary of Scientific Quotations (New York: Oxford University Press, 2005, p. 641:2).

 

Os matemáticos são como certos franceses: quando você conversa com eles, eles traduzem a conversa para sua própria linguagem e, logo depois disso, a transformam em algo completamente diferente.

Johann Wolfgang von Goethe; naturalista, filósofo e escritor alemão (1749 – 1832). Citado em Oxford... (p. 248:11).

 

Ah, esses matemáticos me cansam! Quando se pede que eles executem uma soma, pegam uma folha de papel, enchem-na com As, Bs, Xs e Ys... espalham desordenadamente dejetos de mosca sobre as folhas, para então apresentar uma resposta completamente errada!

Thomas Alva Edison, inventor americano (1847 – 1931). Citado em Oxford... (p. 196:2).

 

Já consideramos e desaprovamos a possibilidade de o universo ter sido planejado por um biólogo ou engenheiro; partindo das evidências intrínsecas de sua criação, o Grandioso Arquiteto do Universo começa agora a se parecer com um matemático puro.

James Hopwood Jeans, físico e matemático inglês (1877 – 1946). Citado em Oxford... (p. 323:6).

 

Certa vez ouvi um argumento matemático contra a Trindade. Era algo assim: "A Trindade é um conceito sem lógica. Se você somar 1 + 1 + 1, o resultado é 3, não 1. Não dá para acreditar nisso". Esse é o tipo de observação que costuma me deixar incomodado enquanto não encontro uma resposta adequada, quer ela confirme minha crença, quer ela a questione. Encontrei uma resposta perfeita, que satisfez minha lógica e aprofundou meu entendimento. A resposta mostrou que o problema está na matemática usada, não na Trindade. Se considerarmos três coisas diferentes, a conta certa é a soma. Mas no caso da Trindade, são três Pessoas que compartilham a mesma natureza (três hipóstases, se você preferir). Pertencendo à mesma categoria, as três Pessoas da Trindade devem ser multiplicadas em vez de serem somadas: 1 x 1 x 1 = 1. Como se vê, não é a matemática que vai impedir a Trindade de existir.

As citações acima abrangem diversas atitudes diante da matemática, ou dos matemáticos. A de Zeeman reforça a idéia da infalibilidade da matemática, da experiência em primeira mão com o objeto de estudo. A afirmação de Goethe já assume um tom jocoso. Edison já a transformou em escracho, mas a de James Jeans dá à matemática uma aura de espiritualidade reverente. Se nós achamos que Deus é brasileiro, James Jeans tem certeza que Deus é um matemático.

Disse no post anterior que a matemática caiu de seu pedestal. Não seria esta uma afirmação grosseira demais, aguerrida demais? Não acho. O pedestal de onde a matemática caiu é o pedestal que os homens construíram para ela, pois a consideravam absoluta. Nenhuma verdade poderia ser proclamada como verdade enquanto não passasse pelo crivo rigoroso da matemática. Gödel se incumbiu de mostrar que a matemática não consegue provar a si mesma e, assim, mostrou que não é absoluta, auto-referente.

Mas essa é uma boa notícia, pois a matemática cai do pedestal, mas continua ocupando o privilegiadíssimo lugar de uma área do conhecimento que abre as portas para conhecermos o universo. Não precisamos adorar a matemática, mas podemos usá-la. E, quando a usamos bem, nosso conhecimento só cresce.

Vejo no apreço pela matemática o próprio ser humano: desejo pelo absoluto, arrogância gerada pelo conhecimento (pretensamente) infalível, desprezo por aquilo que não é igual (a ciência oferece um grau de certeza inferior), erros e contemplação da natureza. Por isso tudo enxergo na matemática uma espiritualidade que me ajuda a enxergar a beleza do universo e, indiretamente, a beleza do Criador. Não posso provar esta afirmação, mas não vai ser a matemática que vai me contradizer. Afinal, estamos igualmente limitados: precisamos descobrir um pedaço sem conhecer o todo. Mas para mim está tudo bem, desde que Deus continue soprando seu fôlego na matemática. Ele certamente o fará.

 


Post publicado pela primeira vez no dia 3 de maio de 2007, às 14h38.



Categoria: Ciência
Escrito por Marson Guedes às 17h17
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DOSE DUPLA

 

Glamour, por Rubio (link).

 

 

Ilustração do Weberson Santiago (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 2 de maio de 2007, às 13h34.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 17h09
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LAURYN HILL

 

Por Ismael Roldan (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 1 de maio de 2007, às 11h00.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 17h02
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SERÁ ESSE O PRÓXIMO GÊNIO DA MATEMÁTICA?

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 30 de abril de 2007, às 15h10.



Categoria: Ciência
Escrito por Marson Guedes às 16h23
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A MATEMÁTICA CAI DE SEU PEDESTAL - 3 de 4

 

Wir müssen wissen

Wir werden wissen

Nós devemos saber

Nós vamos saber

Inscrição na lápide do matemático David Hilbert

 

Se você fosse um matemático por volta de 1930 e estivesse familiarizado com as novidades deste campo, teria recebido o impacto de duas fortes influências. A primeira seria a do trabalho de David Hilbert e, logo em seguida, a influência do trabalho de Kurt Gödel.

O sonho de David Hilbert era dar à matemática completude e consistência, ou seja, deveria ser capaz de responder a qualquer questionamento matemático e deveria mostrar que uma afirmação matemática poderia ser provada por diferentes métodos sem alterar o resultado final.

Em 8 de agosto de 1900, Hilbert fez uma palestra no Congresso Internacional de Matemática, realizado em Paris. Da palestra histórica constava a apresentação de 23 problemas matemáticos ainda não resolvidos que, na sua avaliação, deveriam ser resolvidos com urgência. Era uma época em que a matemática estava sendo higienizada, ou seja, todos os processos e deduções estavam sendo refeitos para consolidar o que os matemáticos já conheciam. Assim, os fundamentos da matemática ficariam ainda mais firmes, possibilitando que a matemática fosse completa e coerente. Quando se aposentou, em 1930, Hilbert estava confiante que uma matememática robusta estava no caminho de se tornar realidade. Mas logo depois entraria em cena um austríaco, que atendia pelo nome de Kurt Gödel.


 

Em 1931, um matemático desconhecido, de 25 anos, lançou ondas de choque para todos os cantos com sua teoria da incompletude, baseada em paradoxos de auto-referência. Ele mostrou que existem afirmações matemáticas indecidíveis, ou seja, não é possível determinar se elas são verdade ou não. São dois teoremas:

Primeiro teorema da indecibilidade

Se o conjunto axiomático de uma teoria é consistente, então existem teoremas que não podem ser provados nem negados. Em português, isso significa que não importa o conjunto de axiomas sendo usado, existem problemas que os matemáticos não podem resolver e, por isso, a completude advogada por Hilbert (e outros) não pode ser alcançada.

Segundo teorema da indecibilidade

Não existe procedimento construtivo que prove ser consistente a teoria axiomática. Em português, isso significa um panorama ainda mais assustador: nenhum matemático poderá ter certeza de que os axiomas escolhidos não o levarão à contradição, invalidando a coerência tão estimada por Hilbert.

 

Vamos considerar a seguinte afirmação:

Você não pode provar que esta afirmação é verdadeira.

Se você conseguir provar que a afirmação é verdadeira, contradisse a própria afirmação e invalidou sua prova. Se você não conseguir provar que a afirmação é verdadeira, então esta é a prova da sua incapacidade. Isto é o paradoxo da auto-referência. Gödel usou a notação matemática para formular este tipo de afirmação e chegou ao coração de sua prova: sempre haverá determinadas afirmações verdadeiras cuja veracidade não pode ser provada.

É possível provar determinadas expressões matemáticas aumentando o número de axiomas, mas isso só joga o problema para frente: os axiomas adicionados levam a outras formulações que não podem ser provadas dentro do próprio sistema.

A matemática não pode aspirar ao lugar de ciência inteiramente lógica, completa, verificável e coerente. Se um dia a matemática foi considerada uma matéria absoluta, Gödel se incumbiu de tirá-la deste pedestal.


 

Penso que o trabalho de Gödel aponta para um problema gigantesco, com implicações epistemológicas e científicas: (1) epistemológicas por que trata diretamente da impossibilidade da matemática ser o guia inconteste para a construção do conhecimento humano; (2) e científicas por que os instrumentos matemáticos aplicados às ciências podem ser valiosos mas, em última análise, não se pode provar que a matemática usada está correta.

Se mesmo a prova matemática é incompleta, como obter algum tipo de certeza? Podemos colocar a questão de outra maneira: como é possível conhecer alguma coisa antes de conhecermos tudo? Desde 1931 a humanidade já sabe que a matemática também não pode responder a esta pergunta.

Nunca ouvi falar de um único cientista ou matemático que tenha desistido de sua área de pesquisa por causa da prova de Gödel. Isso é muito interessante, por que o instinto de conhecimento do ser humano é bem mais forte do que a constatação da incompletude da matemática. A matemática é composta de inúmeras afirmações que foram provadas, mas não é todo-poderosa. Mesmo assim, parece que ninguém a deixou de usá-la por causa disso.

O cristianismo também faz afirmações que não podem ser provadas (alguém aí sabe como provar a existência do espírito dentro do homem?). Mas, segundo John Barrow, se a religião for definida como um sistema de pensamento que requer a crença em verdades que não podem ser provadas, então a matemática é a única religião que pode provar que é uma religião!

É por isso que cada vez mais acho esquisita idéia de que o mundo está aí por acaso, que as coisas – incluindo a matemática – funcionam simplesmente por que funcionam: uma feliz coincidência. Ainda hoje acho válidas coisas que aprendi desde criancinha na igreja, a saber, que Deus criou tudo com inteligência e ordem. Se é possível conhecer Aquele que tudo fez, então fico à vontade para conhecer só um pedaço do universo: tem Alguém que sabe tudo. Não posso provar esta afirmação, mas sei que não é a matemática que vai me contradizer.


 

Texto baseado em: (1) SIMON SINGH, O último teorema de Fermat (Rio de Janeiro: Record, 1999, p. 147-56); e (2) PAUL DAVIES, The Mind of God (London: Penguin Books, 1992, p. 99-103).

 


Post publicado pela primeira vez no dia 30 de abril de 2007, às 15h05.



Categoria: Ciência
Escrito por Marson Guedes às 16h06
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FLASH

 

Por Olgenki e Rod Guen (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 29 de abril de 2007, às 21h09.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 13h55
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UP

 

Pintura do Sam Weber (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 29 de abril de 2007, às 20h59.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 13h51
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ESSE BINGO QUE NÃO ME SAI DA CABEÇA

 

Charge do Fernandes (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 27 de abril de 2007, às 21h50.



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 13h45
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PROVA DE MATEMÁTICA

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 26 de abril de 2007, às 12h59.



Categoria: Ciência
Escrito por Marson Guedes às 13h38
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E QUEM DISSE QUE É ÓBVIO? 2 DE 4

 

Tenho a impressão que existe uma tendência entre os cientistas de todas as áreas, a de considerar a coisa mais natural do mundo a eficácia da própria ciência. Embora o trabalho da pesquisa científica freqüentemente seja árduo e lento, eles entram em seus laboratórios e se põem a trabalhar, seguros de que estão no caminho certo, firmados em terreno seguro. Eles têm motivos para isso, pois a ciência tem se demonstrado um sucesso, seja qual for o critério de avaliação. O empreendimento racional rendeu enormes dividendos, alterando inclusive nossa forma de conversar. Quer encerrar uma discussão? Jogue na cabeça de seu oponente dados científicos. Se ele os rejeitar, chame-o de ignorante, retrógrado (automaticamente você assume o papel de sabido).

A matemática tem um papel de destaque no empreendimento científico. Quando um neurocientista precisa descobrir o número de neurônios presentes em uma determinada estrutura cerebral – hipocampo, amígdalas, cerebelo – ele separa as amostras de corte necessárias, usa uma técnica de coloração do material, e usa um algoritmo pré-definido que reconstrói aquela estrutura. Assim, o cálculo é feito e as possíveis variações devidamente informadas. O psicólogo interessado em cognição pode usar uma tarefa na qual apresenta um estímulo e pede uma resposta do sujeito, normalmente um tempo de reação (o tempo decorrido entre a apresentação do estímulo e a resposta). Depois disso é preciso organizar os dados e aplicar a estatística adequada: análise de variância, análise de variância multidimensional, correlação, teste T, e assim por diante. Quando estuda o comportamento dos elementos subatômicos, o físico de partículas primeiro se debruça sobre o modelo matemático que descreve o comportamento das partículas. Só então planeja um experimento no acelerador de partículas, aquelas máquinas gigantescas (e caríssimas), que fazem as partículas zunirem e colidirem. Qual é o próximo passo? Verificar se os modelos matemáticos empregados eram adequados, usando mais matemática.

É assim que Paul Davies descreve a importância da matemática nas ciências:

O astrônomo James Jeans certa vez proclamou que Deus é um matemático. A frase incisiva expressa em termos metafóricos um artigo de fé adotado por quase todos os cientistas de hoje. A crença de que a ordem subjacente do mundo pode ser expressada na forma de matemática se aloja no próprio coração da ciência, e raramente é questionada. Esta crença alcança tal profundidade que se considera inadequadamente caracterizado um ramo da ciência enquanto este não puder ser computado na linguagem impessoal da matemática.

The Mind of God (London: Penguin Books, 1992, p. 140) (Tradução minha)

 

Mas o que fazer, então, com a idéia de que a matemática só serve para perturbar a vida dos que se inclinam para as humanidades? Não é a matemática um exercício abstrato, completamente desvinculado do mundo real? Parece que é esta a opinião de G. H. Hardy, que se orgulhava da inutilidade da matemática que produzia:

Eu só posso dizer que se um jogo de xadrez é, num sentido rude, "inútil", então isto é igualmente verdade para a maior parte da mais refinada matemática... Eu nunca fiz nada "útil". Nenhuma descoberta que já fiz produziu, direta ou indiretamente, para o bem ou para o mal, a menor diferença na melhoria do mundo. Nem é provável que venha a fazê-lo. Julgada por todos os padrões práticos, o valor da minha vida como matemático é nulo, e fora da matemática o valor desta vida também é insignificante. Eu só tinha uma chance de escapar ao veredicto da completa insignificância, e esta chance é a de que eu possa ter criado alguma coisa que valha a pena ser criada. E não há dúvidas de que eu criei alguma coisa: a questão é se ela tem valor.

Citado em Simon Singh, O último teorema de Fermat (Rio de Janeiro: Record, 1999, p. 158-9).

 

O tempo se encarregou de mostrar que Hardy estava errado, que muitas de suas descobertas tinham, sim, aplicação prática.


 

Penso nas implicações disso tudo. Minha experiência no meio acadêmico me mostrou que muitos cientistas sequer se preocupam com aquilo que Paul Davies chamou de "artigo de fé", ou seja, de que a matemática funciona muito bem para descrever a natureza. Quanto melhor o modelo matemático, melhor será sua capacidade de prever com precisão. Mas isso não é nada óbvio. Se a capacidade de fazer matemática fosse arrancada de nosso cérebro, ainda assim sobreviveríamos. Mas a confluência de duas coisas distintas – o poder que a matemática possui de descrever a natureza, e a capacidade do ser humano para descobrir esta matemática – mostra que aí reside um mistério. Ninguém precisa refletir sobre estas questões para ser matemático ou cientista. Mas para os que têm mentes inquietas, que têm antenas sintonizadas para o inusitado, que procuram incessantemente entender o mundo em que vivem, a correlação estreita entre matemática e natureza é um achado dos mais impressionantes.

Isso está longe de servir como prova de que o mundo foi projetado, de que Deus é um Geômetra benevolente. Mas talvez seja um indicativo intrigante de que há mais na matemática do que simples fórmulas e enunciados inúteis. É possível que nada passe de puro acaso. Mas os que adotam esta posição têm muito mais o que explicar: é funcional e belo demais para ser um rasgo de aleatoriedade.

Chego à conclusão que minha crença em um Deus criador se harmoniza à perfeição com este relacionamento nada óbvio entre matemática e natureza. O Criador que criou a natureza e o cérebro não teria dificuldade alguma em fazê-los trabalhar em conjunto. Deus nos deu a responsabilidade de dominar o mundo, e certamente a matemática foi um dos instrumentos mais eficazes em nosso sucesso.

 


Post publicado pela primeira vez no dia 26 de abril de 2007, às 12h56.



Categoria: Ciência
Escrito por Marson Guedes às 13h31
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O HOMEM DE BRASÍLIA

 

Oscar Niemeyer, por Fernandes (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 25 de abril de 2007, às 10h18.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 13h26
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MÁFIA DO BINGO

 

Charges do Benett (link).

 

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 24 de abril de 2007, às 10h40.



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 13h20
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PRACA

 

Português = 0; Criatividade = 10.

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 23 de abril de 2007, às 11h54.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 13h09
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A BELA MATEMÁTICA - 1 DE 4

 

Imagino que a matemática nunca passou de um estorvo incontornável na vida dos que queriam passar de ano. Muita gente deve ter esta experiência. Gráfico retos, curvos, fórmulas inúteis ("Para quê estou aprendendo isso? Nunca mais na vida vou usar"), raiz quadrada, assíntotas, álgebras, teorema de Pitágoras, teoria dos conjuntos, polinômios, probabilidades, geometria, trigonometria, números complexos (uma terra de degredados, em que um número elevado ao quadrado pode ser negativo): estes são algumas dos objetos matemáticos responsáveis por muito desgosto. Quantos já não se decidiram pela área de humana depois das seguidas torturas nas aulas de matemática? Só posso especular.

Evidentemente há os que se sentem à vontade em meio a essa selva. Eu até que tinha certa facilidade – não talento – mas a preguiça sempre me impediu de prosseguir além do que era necessário para passar na matéria. Pode ser puro preconceito meu, mas parece que estes costumam ter cara de nerds, um jeito meio esquisito. Se você não quer ser nerd, matemática é uma das áreas que você fatalmente vai evitar.

Descobri, no entanto, que a matemática é fascinante. Não me refiro a fazer matemática, por que esta não é "minha praia", nunca experimentei a matemática desse jeito. Refiro-me ao papel que a matemática ocupa na civilização, ao empreendimento intelectual que ela representa. A matemática é o exemplo definitivo da ciência exata, onde não existe espaço para a dúvida nem para incertezas. No senso comum, e também na concepção dos matemáticos, a matemática é o único terreno absolutamente seguro do conhecimento humano. Veja a afirmação de Simon Singh, no livro O último teorema de Fermat (Rio de Janeiro: Record, 1999, p. 41-3):

Se os axiomas estiverem corretos e a lógica for impecável, então a conclusão será inegável... A prova matemática é absoluta... A assim chamada prova científica depende da observação e da percepção, e ambas são falíveis, fornecendo somente aproximações em relação à verdade... A prova científica é inevitavelmente mutável e inferior. Por outro lado, a prova matemática é absoluta e destituída de dúvida.

 

Não é interessante que alguém produzindo filosofia da matemática refira-se à verdade?

Não é interessante que os matemáticos se dêem ao trabalho de mapear a realidade?

Não é interessante que eles se preocupem com a beleza?

Beleza? Onde reside a beleza na matemática? Na engenhosidade das demonstrações. É como tocar algum instrumento: há os que arranham, há os que deslizam com graça. Existe o "cantor" de fim de semana, existe Ed Motta. O mesmo vale para os matemáticos. A matemática precisa ter beleza para ser matemática de verdade. Nas palavras de Godfrey Harold Hardy,

Os padrões do matemático, assim como os padrões do pintor ou do poeta, precisam ser belos; as idéias, assim como as cores ou as palavras, precisam encaixar-se harmoniosamente. A beleza é o primeiro teste; não existe espaço permanente no mundo para a matemática feia (tradução minha).

A Mathematician’s Apology (1940), p. 25; citado em Oxford Dicitionary of Scientific Quotations (Oxford: Oxford Univesity Press, 2005, 264:5).


 

John Horgan é editor da prestigiada revista Scientific American, e Ed Witten é um físico preocupado com a teoria das supercordas. Supõe-se que a teoria das supercordas tem o potencial de descrever todo o universo. Até onde consigo explicar, as supercordas são partículas minúsculas (da ordem de 10[-43]) que vibram em 11 dimensões (vai saber o que são 11 dimensões...). Destas dimensões, sete se encolheram e apenas quatro se manifestaram, gerando as três dimensões de espaço e uma de tempo (o mundo tal como o conhecemos). Todos os átomos e partículas subatômicas são produzidos pela vibração das supercordas. Não sei dizer mais do que isso. Mas preste atenção no jeito com que Witten descreve a teoria das supercordas:

"Boas idéias erradas são extremamente raras", [Witten] disse, "e nunca se teve notícia de boas idéias erradas que chegassem, mesmo remotamente, perto da majestade da teoria das supercordas". Quando [eu, Horgan] continuei a pressionar Witten sobre a questão da testabilidade [da teoria das supercordas], ele ficou exasperado. "Acho que não consegui convencê-lo da maravilha da teoria, de sua incrível coerência, extraordinária elegância e beleza". Em outras palavras, a teoria das supercordas é bela demais para estar errada.

John Horgan, O fim da ciência (São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 92).

 

Diz-se que Witten é mais um matemático do que um físico. À beleza ele adicionou a majestade e a elegância. E ele tem certeza de que estas qualidades da teoria das supercordas permitem explicar o mundo.

Então eu me pergunto: não seria esta beleza, encontrada na matemática, um sinal muito peculiar de religiosidade (no bom sentido, claro)? Pois me parece um desejo intenso de descrever a realidade e que a realidade precisa ser definida com beleza, majestade e elegância. A Bíblia também descreve a beleza de Deus e tem um compromisso do qual não arreda o pé, que é descrever a realidade. Eu sei que não estamos falando da mesma coisa. Mas não consigo evitar a conclusão de que um matemático, ao encontrar beleza em uma demonstração, passa por uma experiência espiritual, em que mergulhou na essência da realidade. E isso me faz suspeitar, cada vez mais intensamente, que o ser humano é irremediavelmente religioso (de novo, no bom sentido). A quintessência do pensamente lógico usa critérios muito parecidos com os meus para encontrar seu objeto de adoração, a saber, a inabalável certeza da matemática. Não consigo disfarçar meu alívio com isso; na verdade, o que sinto é felicidade.

Quero terminar com uma citação de Novalis, um poeta alemão do período romântico, que viveu no século XVIII:

Das Leben der Götter ist Mathematik.

Mathematics is the Life of the Gods.

A matemática é a Vida dos Deuses.

Citado em Oxford Dicitionary of Scientific Quotations (Oxford: Oxford Univesity Press, 2005, 466:5).

 


Post publicado pela primeira vez no dia 23 de abril de 2007, às 11h48.



Categoria: Ciência
Escrito por Marson Guedes às 13h04
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RED WINDOW

 

Por Sarah Wimperis (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 22 de abril de 2007, às 14h26.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 12h49
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RATO OU CAMUNDONGO?

 

Por Rod Guen (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 22 de abril de 2007, às 14h17.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 12h26
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BEIJO ROUBADO

 

Por Orlando Pedroso (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 21 de abril de 2007, às 02h51.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 12h22
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ALANIS MORRISSETE

 

Por Ismael Roldan (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 21 de abril de 2007, às 02h48.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 12h18
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TERRA IMPRODUTIVA

 

Charge do Marco Jacobsen (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 20 de abril de 2007, às 11h28.



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 12h13
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O PÉ QUE É PÉ E MÃO

 

Homenagem ao goleiro Rogério Ceni, no traço inconfundível do mestre Baptistão (link ao lado) e do também mestre Gustavo Duarte (link ao lado).

 

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 20 de abril de 2007, às 11h25.



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 01h26
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VOL-AU-VENT A AMORIM

 

Meu amigo Fernando Fernandes viva me instigando a colocar nome nos pratos que inventava. Sem qualquer imaginação para realizar tal façanha, optei pelo caminho mais simples: dar aos pratos o nome dos meus amigos, fazendo-lhes uma homenagem. Foi assim que surgiram o Filé a Fernandes, Frango a Kilter, Camarão a Oliveira, Frango a Almeida, Macarrão a ZicoLelê, Conchiglioni a Los Robles, Salmão a Corrêa de Sá e Lombo a Ramos, entre outros.

Esta entrada é uma homenagem ao casal Marcelo e Lucimara Amorim. Agora está incluída na homenagem a pequena Ana Beatriz, que eu prefiro chamar de Amorinha. Faz mais de 20 anos que conheço o Marcelo. Já dividimos muitas coisas importantes e ainda mais tempo foi gasto só pelo prazer de estarmos juntos. Como muitos dos outros amigos, eles apreciaram a invenção, embora a Lucimara prefira descaradamente o Conchiglioni a Los Robles. E, como muitos dos outros amigos, vejo que a comida nos aproxima.

Bem, nós viemos aqui para conversar ou para comer?


 

Vol-au-vent (eu falo volovã) é uma massa folhada que pode ser redonda ou quadrada. Quando assada ela estufa e vira uma espécie de caixinha, excelente para ser recheada. Normalmente é servida como entrada.

 

        

 

Você pode começar fazendo aquele frango temperado na cerveja preta. Depois de temperar, corte tudo em tiras bem pequenas e fininhas, caso contrário não caberá dentro do vol-au-vent. Cozinhe tudo numa panela, cuidando para o frango não ficar muito seco. Em seguida asse o vol-au-vent conforme as instruções da caixa. Eu gosto dos produtos da Arosa. Você pode comprar o vol-au-vent com as medidas 7,5 cm por 7,5 cm, de 40g, caixa com 6 unidades. Se for cozinhar para mais pessoas, basta comprar o número adequado de caixas.

Você também vai precisar de Polenghinho, sabor tradicional. A caixa com 8 unidades basta. Você vai colocá-los em uma tigela, amassar tudo com um garfo, adicionar um pouco de mostarda e um pouco de ervas finas.

Faça um molho misturando creme de leite e algum queijo de sua preferência (não use o Polenghinho por que ele não derrete). Use sempre fogo baixo, use também sua paciência para ficar mexendo o molho. Pode ser simplesmente queijo parmesão ralado, requeijão (aqueles com sabores funcionam bem), mussarela, etc. Se você estiver disposto a gastar um dinheiro a mais, sugiro dois tipos de queijo: o Prima Donna, um queijo mais forte; o Maasdamer, de sabor mais suave mas igualmente bom. É possível usar Catupiry, mas prepare-se para gastar um pouco mais de tempo para misturar bem (mas o resultado é muito bom). Você pode também colocar um pouco de queijo ralado e requeijão, ou outras combinações que você achar interessantes. Dê um toque adicional com um pouco de noz moscada ou pimenta da Jamaica em pó e, se for do seu agrado, pimenta do reino moída na hora.

Você vai colocar o Polenghinho no fundo do vol-au-vent, mas não ponha demais por que o frango deve ocupar a maior parte do espaço. A idéia é que este fundo sirva de contraponto com o frango. Quando a gente faz isso, o comensal percebe o contraste mas não sabe dizer do que é que está gostando. Então ele se concentra mais e deixa de comer displicentemente, como quem só se preocupa em matar a fome. É aí que reside a arte.

Em seguida coloque o frango no vol-au-vent e depois ponha-o no prato que vai à mesa. Derrame o molho de queijo sobre o vol-au-vent, cuidando para que o molho ocupe metade da parte superior e escorra por um dos lados. Se você simplesmente jogar o molho em cima do vol-au-vent, vai perder a aparência apetitosa que o dourado da massa folhada tem.

Diz o Claude Troisgros que um prato precisa ser visto, saboreado e ouvido. Além da crocância da massa folhada, adicione mais um barulho. Você pode fazer isso colocando um pouco de amendoim descascado sobre o vol-au-vent ou, se preferir, lascas de amêndoa. Não seja preconceituoso com o amendoim, as duas opções são muito boas.

Basta servir, colher os elogios e ganhar mais alguns fãs.

 


Post publicado pela primeira vez no dia 20 de abril de 2007, às 11h15.



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 01h17
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AQUARELA

 

Por Lelis (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 19 de abril de 2007, às 01h20.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 01h08
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PRACA

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 18 de abril de 2007, às 11h54.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 01h05
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APERTADO

 

O cartum segundo Custódio (link):

 

Cartuns são desenhos de humor sem prazo de validade.
Diferentes das charges políticas, que retratam fatos
jornalísticos e estão atrelados aos noticiários,
os cartuns caminham por uma estrada mais longa e
menos volátil.
Quanto mais tempo um cartum for compreendido
e engraçado, melhor ele é.

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 18 de abril de 2007, às 11h52.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 00h34
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EVA GREEN

 

Por Daniel Cox (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 17 de abril de 2007, às 12h52.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 00h28
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MAIS QUE CAMPEÃO

 

Charge do Benett (link).

 



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 00h04
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MALHA AÉREA

 

Charge do Marco Jacobsen (link).

 



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 23h59
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DERRUBANDO OS MUROS CERTOS

 

© 2004 Alexandre Robles

 

Uma reflexão sobre a eficiência de atos, manifestos, protestos e posicionamentos públicos dos religiosos, na tentativa de manterem a sociedade sob as leis da moral cristã

 

Caro leitor. Após 15 anos da queda do muro de Berlim, que separava a Alemanha em Ocidental e Oriental, uma em cada cinco pessoas preferem o tempo da separação pelo muro. Dizem os ocidentais que os orientais são inferiores e atrasados e os orientais se defendem apontando os ocidentais como arrogantes. Uma prova de que a queda dos muros externos nem sempre afeta os muros internos da intolerância humana.

O evangelho não veio derrubar os muros externos, primeiro, mas os internos. É de dentro do coração do homem que ele mostra o seu poder revolucionário. Jesus Cristo, a despeito de todas as tentativas de seus seguidores e dos temores de seus opositores, não aceitou o caminho político de tomada do poder religioso, mas optou pelo caminho da marginalidade que era seu caminho vicário dentro do plano redentor. Na essência, seu Reino é um reino espiritual, que primeiro tem de acontecer como realidade nos corações dos homens para depois afetar sua realidade histórica.

Todas as vezes que os grupos cristãos trataram as questões de sua geração pela via exterior viram raros resultados de impacto interior.

É como na história do pai que ordena que seu filho sente para tomar a refeição à mesa e o filho permanece em pé. Até que o pai o intimida com ameaças de punição e ele se vê forçado a sentar. Então o filho diz com propriedade: "por fora eu estou sentado, mas por dentro estou de pé".

O processo verdadeiro de transformação de qualquer ordem social em qualquer geração é o de que primeiro caem os muros de dentro para depois caírem, de maneira consistente, os de fora.

Quando o apóstolo Paulo escreve sobre a organização inicial da Igreja, parece não interferir nas ordens sociais e até aprová-las, por mais injustas que pudessem ser. Mas apenas parece. Parece porque ele não altera a situação da mulher, quando diz que ela deve ser submissa a seu marido. Do mesmo modo parece até aprovar o sistema escravagista de sua época ao dizer que os escravos deveriam obedecer aos seus senhores.

O descuido em nossa leitura bíblica e histórica mantém nossa sensação de desconforto em relação ao posicionamento de Paulo, isso quando não oferece argumento falacioso a regimes cristãos de segregação racial, sexual e religiosa em muitos países católicos e protestantes, que apoiados na dúvida, pra mim engano, fomentaram conceitos de raças superiores que detinham o direito religioso de submeterem o que afirmavam serem raças inferiores ao serviço escravo e as mulheres à desigualdade e ao serviço dos desejos masculinos.

Entendo que Paulo está propondo a via interior que gera realidades exteriores. É certo que ele mantém o status social feminino ao declarar a necessidade de sua submissão ao homem, mas também é certo que é aos homens que ele ordena que amem suas esposas como Cristo amou a Igreja. Por trás da leitura descuidada há uma informação que transformou a história das relações entre homens e mulheres, ainda que tardia é verdade e ainda que a despeito de muitas proposições do cristianismo histórico, também é verdade. Mas inegavelmente o que temos nos evangelhos é a valorização definitiva das mulheres. No Reino de Deus não há mulher ou homem, todos são iguais em Cristo.

É certo também que ele mandou de volta o escravo Onésimo ao seu senhor Filemon, mas tão verdadeiro é que exigiu que Filemon tratasse Onésimo como irmão e não como escravo. No Reino de Deus não há escravo ou livre, todos são iguais em Cristo.

O que é isso? É o entendimento de Paulo de que se os muros não caírem do lado de dentro, as revoluções duram alguns anos, por vezes gerações, na maioria das vezes um carnaval. É como moda, festa, encenação. Quando as luzes se apagam os velhos muros da intolerância são reerguidos e é apenas questão de tempo para que os muros de cimento e tijolo também sejam.

A mensagem de Paulo é como uma bomba relógio com hora determinada para explodir. Quando os homens passam a ter consciência do amor que Deus espera deles para suas esposas não é mais necessária qualquer proclamação feminista. Quando os senhores de escravos começam a compreender a igualdade de todos os homens diante de Deus, não há mais escravidão e não somente isso, mas não há mais qualquer espécie de racismo. Todo esforço feminista, que inclusive não desmereço em hipótese alguma o valor histórico, não é capaz de elevar a mulher a um status realmente igualitário ao do homem muito por causa da estrutura de mercado e promiscuidade sexual que insiste em mantê-la como objeto e aos quais elas mesmas se submetem. A escravidão se foi há uma centena de anos, mas o racismo insiste em manter seus muros erguidos.

Portanto, nós temos em mãos a mais poderosa arma de destruição de muros, mas somente tem efeito se for usada dentro dos corações, dentro da consciência. E é aqui que eu queria chegar, porque entendo que a missão da igreja é lançar bombas de amor e não de posicionamentos públicos contrários ou favoráveis em relação aos temas polêmicos ético-corporais de nossos dias, que envolvem opções sexuais e de uso do corpo.

Percebo uma preocupação diferente da de Cristo. O que vejo são manifestações e atos públicos de reprovação a tudo o que se apresenta como tentativa e proposta de liberdade humana; também uma nação inteira escolhendo um presidente tendo como um dos critérios a tentativa de salvaguarda dos muros moralistas e religiosos; e um sem número de crises e sustos dogmáticos de gente preocupada com o que vai acontecer com o mundo se tudo for liberado.

Nós não temos de defender a moral cristã. Deus é o que menos precisa de defesa e se precisasse não encontraria na terra qualquer ser humano capaz de fazê-la. Jesus não atacou, em seus discursos, os sistemas de prostituição ou de corrupção de sua época, mas se envolveu com todos e lançou bombas de paz, amor, tolerância, perdão, restauração, solidariedade, nos corações que trouxeram pra história Levis e Zaqueus, Marias e Madalenas.

A missão da igreja é lançar bombas, através de seu discurso amoroso, não moralista e inquisitório, e de sua prática sinalizadora e coerente. Quando os muros caem dentro, eles caem fora. E se não caírem dentro os de fora, quando caem, são reconstruídos.

 


Post publicado pela primeira vez no dia 17 de abril de 2007, às 12h39.



Categoria: Cristianismo - Religião
Escrito por Marson Guedes às 23h25
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CAÇA NÍQUEIS OU CAÇA-FURACÃO

 

Charge do Marco Jacobsen (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 16 de abril de 2007, às 22h48.



Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 23h16
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PREDADOR

 

Charge do Bennet (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 15 de abril de 2007, às 11h03.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 23h12
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CLAUDIA DE BREIJ

 

Caricatura feita com caneta. Não faço idéia de quem ela é, nem do que faz. Imagino que seja holandesa, assim como o autor, Wouter Tulp (link). Publico por que achei fantástica.

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 14 de abril de 2007, às 14h24.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 23h04
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A ÚLTIMA FRONTEIRA DA ALIENAÇÃO - 6 DE 6

 

Cresci sob o fantasma de ver minha fé questionada por aqueles que não acreditam em Deus. Estes, por conta da fé inabalável em seu ateísmo, sentem-se no direito de ridicularizar os que acreditam em Deus. Fé vira fé cega, crença vira crendice, devoção vira manipulação psicológica, atuação divina vira alucinação coletiva. Sem esquecer, é claro, da história de que a religião é o ópio do povo. Aliás, esta expressão é atribuída a Heinrich Heine, mas ficou famosa na pena de Karl Marx. Sofri bastante com tudo isso, mas todo este questionamento acabou aprofundando muito mais minha fé.

Para Allister MacGrath (The Twilight of Atheism [O crepúsculo do ateísmo], New York: Doubleday, 2004) o ateísmo só surgiu por causa da igreja corrompida, que esqueceu seu chamado para ser sal e luz do mundo e preferiu buscar o poder temporal. A força do ateísmo veio da busca por seriedade moral. Não é irônico? Não é também uma indignação de tons proféticos?

Essas são algumas citações do livro de MacGrath (p. 274-6, tradução minha):

Em última análise, o ateísmo é uma cosmovisão temerosa – um medo, sempre justificado, daquilo que poderia acontecer se os maníacos religosos assumissem o controle do mundo.

No fim, pode-se provar que os debates a respeito da existência de Deus ficam à margem; admite-se amplamente que a existência, ou a inexistência, de Deus não podem ser demonstradas com um grau mínimo de certeza. A questão central é moral e imaginativa (grifo meu).

O ateísmo surge principalmente de uma sensação profunda de que as idéias e valores religiosos são, no mínimo, inferiores aos melhores padrões morais e ideais da cultura humana, e que possivelmente são irreconciliáveis com estes.

Quando a religião começa a ter idéias a respeito do poder, o apelo do ateísmo sobe às alturas.


 

Se MacGrath está tão certo quanto eu penso que está, o problema não é o ateísmo, mas a própria igreja. Se o alvo for uma igreja renovada, purificada e em movimento, o ateísmo se enrola todo: é bem mais difícil mirar em um alvo móvel. Qualquer ateu deve ficar perdido, sem saber para onde apontar seus argumentos, em uma sociedade de crenças religiosas múltiplas.

De fato não acredito que o ateísmo seja um problema atual, pois foi um fenômeno do século XX. Mas esta discussão é relevante por que tem um ponto de contato com os profetas que estudamos até aqui: o povo de Deus precisa de regeneração, de purificação. O mesmo vale para a sociedade.

Os profetas usam suas palavras duras, condenatórias, para alertar sobre a corrupção religiosa, a promiscuidade degradante, a injustiça e tantas outras coisas. Mas esta mensagem serve também para apontar para a cura, para a regeneração que se origina em Deus. Eles nos oferecem a esperança, que é tão segura quanto o Deus que a propõe. Desprezar isso é a última fronteira da alienação.

 


Post publicado pela primeira vez no dia 14 de abril de 2007, às 14h13.



Categoria: Cristianismo - Religião
Escrito por Marson Guedes às 22h46
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ISHIKI

 

Óleo sobre madeira, por Audrey Kawasaki (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 13 de abril de 2007, às 14h35.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 22h36
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ESTÁ FALTANDO ALGUMA COISA

 

Tira do Benett (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 12 de abril de 2007, às 13h05.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 22h30
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OSÉIAS: ADULTÉRIO ESPIRITUAL - 5 de 6

 

Vá, tome uma mulher adúltera e filhos da infidelidade, porque a nação é culpada do mais vergonhoso adultério por afastar-se do Senhor (Oséias 1:2)

Oséias me impressiona pelo vigor de suas profecias, revelando de forma constrangedora os sentimentos de Deus. Quando o convocou para ser profeta, a primeira ordem de Deus foi que ele deveria se casar com uma prostituta. Implícita na ordem estava a traição sexual que Oséias sentiria na pele. Também foi abandonado pela esposa, que preferiu voltar à prostituição. Voltou lá para resgatá-la e limpá-la de sua imundície. Tendo passado por essa experiência amarga, Oséias agora estava em posição de descrever bem a sensação de Deus em relação ao seu povo. Deus equipara traição espiritual com traição sexual. É uma imagem difícil de absorver.

Mesmo assim Deus pretende restabelecer um relacionamento carinhoso com seu povo: Agora vou atraí-la; vou levá-la para o deserto e falar-lhe com carinho (2:14). Se entendermos o relacionamento entre marido e esposa entenderemos o relacionamento de Deus com seu povo. Deus deseja tanta intimidade com seu quanto a alcançada no relacionamento sexual humano. Quem disse que a Bíblia é estraga-prazeres?

Penso naqueles que indicam a traição sexual como melhor remédio para um casamento que esfriou na cama. É para "botar um pouco de fogo" no relacionamento. Pode ser que funcione. Mas o fogo que esquenta é o mesmo que carboniza. Sexo é uma atividade muito espiritual. A fidelidade sexual não é uma restrição absurda proposta por crentes intragáveis, é um espaço delimitado onde a espiritualidade pode ser desenvolver saudavelmente. É uma libertação, não uma limitação. Se você acha que estas idéias são castradoras, mostre-me uma única pessoa promíscua que se sinta verdadeiramente preenchida emocionalmente, e eu mudo de idéia. Aparências não contam, quero saber do que acontece quando tal pessoa põe a cabeça no travesseiro para dormir.

E Oséias trata da cura para a infidelidade, que é o amor de Deus: Eu curarei a infidelidade deles e os amarei de todo o meu coração, pois a minha ira desviou-se deles (14:4). Deus nunca se furta a chamar infidelidade de infidelidade, mas nunca se furta a demonstrar o amor que faz parte de sua natureza. Sorte nossa.


 

Oséias insiste na importância do conhecimento: Meu povo foi destruído por falta de conhecimento (4:6). A palavra hebraica traduzida por conhecimento nesta passagem é uma variante da raiz yâdaʽ, que ocorre também em Genesis 4:1: E conheceu Adão a Eva, sua mulher, e ela concebeu (versão de Almeida, Revista e Corrigida). A versão de Almeida Revista e Atualizada traz Coabitou o homem com Eva, sua mulher, e a Nova Versão Internacional traz Adão teve relações com Eva, sua mulher.

Obviamente não estou afirmando que, para conhecer, é preciso ter relações sexuais. O fato de uma palavra ter inúmeras acepções e nuanças mostra que fazer um vínculo tão estreito assim seria uma temeridade lingüística. Mas de uma coisa estou seguro: conhecer é se envolver. Para nós ocidentais, conhecer é sinônimo de reter informações. Posso descobrir uma enormidade de coisas sobre o interior do Brasil, mas isso não significa que eu conheço o interior do Brasil. Só indica acúmulo de informações, que de fato podem ser importantes. Mas é aquele que faz suas andanças pelo interior do Brasil que o conhece. Recentemente um grupo de pesquisadores quis identificar várias espécies da flora brasileira catalogadas por uma expedição inglesa há 200 anos. O que eles fizeram? Juntaram cada um seus equipamentos e saíram à procura das plantas? Não. Eles localizaram em cada cidade as pessoas mais velhas, que lhes serviram como guia. Estes são os que conhecem a flora de sua localidade, por que tiveram contato direto com ela. Informação não basta.

O mesmo vale para o beijo. O mesmo vale para as pessoas. O mesmo vale para Deus.


 

Oséias insiste na religião verdadeira: Pois desejo misericórdia, e não sacrifícios; conhecimento de Deus em vez de holocaustos (6:6). Sacrifícios e holocaustos faziam parte da vida religiosa de Israel, eram uma instituição divina. Eram atos externos que tinham o objetivo de purificar as pessoas por dentro. Com o tempo os rituais passaram a ser apenas rituais, já não lembravam mais que o exterior sem o interior é vazio de significado. Nessa situação Deus chama a atenção de seu povo, afirmando que não são os rituais que o satisfazem, mas a misericórdia e o conhecimento de Deus. A misericórdia brota dentro de pessoas que sabem precisar de misericórida, o conhecimento de Deus é experimentá-lo. É um grito contra a hipocrisia religiosa, contra o exterior que só serve para disfarçar a ausência de vida interior.


 

Oséias insiste em um Deus que sofre de amores: Como posso desistir de você, Efraim? Como posso entregá-lo nas mãos de outros, Israel?... O meu coração está enternecido, despertou-se toda minha compaixão (11:8). Nós somos bastante influenciados pelo padrão grego, platônico, da perfeição: a impassividade, a imutabilidade. Deus tornou-se apathos, ou seja, sem sentimentos, apático. O mundo vai bem? Deus está impassível. O mundo vai mal? Deus continua impassível. Mas Oséias discordaria com veêmencia desta idéia, pois o Deus a quem representa pode ficar de coração enternecido e ter sua compaixão despertada. É um Deus que não desiste de seu povo, o mesmo povo que rasgou seu coração com adultérios espirituais. É um Deus muito mais fácil de entender do que o Deus impassível.


 

Oséias insite que a morte será engolida pela vida: Eu os redimirei do poder da sepultura; eu os resgatarei da morte. Onde estão, ó morte, as suas pragas? Onde está, ó sepultura, a sua destruição? (13:14). A morte não é natural, é uma aberração na natureza. Podemos reagir com resignação contra a morte, mas dentro de nós sempre existe uma revolta reprimida. A morte sempre desperta em nós a sensação da injustiça. Querer destruir a morte é a tendência mais natural do ser humano. Médicos, cientistas, malhadores de plantão e cirurgiões plásticos que o digam. Até alguns ateus célebres quiseram se imortalizar em suas obras e contribuições para a humanidade.

E Deus tem todas as intenções de nos livrar dela. Que a morte morra logo!

 


Post publicado pela primeira vez no dia 11 de abril de 2007, às 17h23.



Categoria: Cristianismo - Religião
Escrito por Marson Guedes às 22h23
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WEDDING DAY

 

Pintura de Sarah Wimperis (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 10 de abril 2007, às 13h27.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 22h17
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PARÓDIA

 

Auto-retrato triplo do Baptistão "Rocks Well" (link ao lado), parodiando obra semelhante do grande Norman Rockwell.

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 8 de abril de 2007, às 13h22.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 22h09
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AMÓS: OVELHAS E SICÔMOROS - 4 de 6

 

Se o texto escrito pelo profeta Isaías é cheio de recursos estilísticos, o texto de Amós é marcado pela simplicidade. Isso certamente reflete a diferença educacional existente entre um homem da corte e outro que pastoreia ovelhas e cuida de sicômoros (uma espécie de figo silvestre, ou figo bravo). No entanto, a diferença entre estes profetas é apenas de estilo e de circunstâncias. Erra muito quem considera Isaías superior a Amós. Tal variedade é, na verdade, uma riqueza do profetismo de Israel, que não vê nisso limites para a transmissão da mensagem de juízo e posterior restauração.

Acostumado a ouvir piadinhas sobre a alienação causada pela Bíblia – "o ópio do povo" – aprendi a duras penas que a Bíblia não tem nada de alienante. Pelo contrário: às vezes ela é tão realista que fica difícil encarar o texto de peito aberto. Ela identifica problemas humanos com precisão cirúrgica, denuncia sem qualquer restrição os erros de seus heróis e, de alguma maneira, abre caminho de restauração para os que querem ser restaurados. Em vez de alienar, a Bíblia finca nossos pés neste mundo. Amós faz parte desse time, que nos ajuda a recuperar a sobriedade.

Veja esta descrição de injustiça social que acontecia em Israel:

Vendem por prata o justo, e por um par de sandálias o pobre. Pisam a cabeça dos necessitados como pisam o pó da terra, e negam a justiça ao oprimido. Pai e filho possuem a mesma mulher e assim profanam meu santo nome (2:6-7)

Tem mais:

Vocês estão transformando o direito em amargura e atirando a justiça ao chão... Vocês odeiam aquele que defende a justiça no tribunal e detestam aquele que fala a verdade... Vocês oprimem o justo, recebem suborno e impedem que se faça justiça ao pobre nos tribunais (5:7, 10, 12)

Nada disso é novidade para nós: suborno, justiça que de justa não tem quase nada, o pobre não tem acesso a seus direitos e se vê esmagado por aqueles que deveriam defendê-lo. Há até uma versão israelita de Dona Flor e seus dois maridos, mas aqui os protagonistas são Pai e filho, [que] possuem a mesma mulher.

Nos momentos de aflição, o recurso usado por estes que abusam do poder jurídico e econômico era invocar o dia do Senhor. Não pense que os opressores de Israel, a quem Amós se dirige, eram pessoas displicentes quanto à religião. Não. Para eles não havia nenhum sinal de conflito entre a adoração a Deus e seu comportamento. Ao contrário, proporcionava até uma aura de respeitabilidade. Eles não tinham medo de invocar o dia do Senhor. Mas Amós tem opinião diferente:

Ai de vocês que anseiam pelo dia do Senhor! O que pensam vocês do dia do Senhor? Será dia de trevas, não de luz (5:18)

Amós está dizendo que a manifestação do Senhor será de julgamento e de destruição, que foi ocasionada por tanta injustiça e violência. Invocar seu dia era pedir punição.

Amós também faz questão de esclarecer que injustiça e adoração nunca andam juntas:

Eu [o Senhor] odeio e desprezo as suas festas religiosas; não suporto as suas assembléias solenes (5:21)

O critério para a adoração, para os cultos solenes, é a lealdade, a justiça e a retidão sobre a terra (Jeremias 9:24). Isso acaba com a idéia de que estar na presença de Deus é uma questão unicamente de foro íntimo. O que fazemos fora das reuniões importa muito. Adorar a Deus implica ser leal, justo e reto nas coisas aqui da terra. Mais uma vez, os profetas nos mostram que não são alienados, que sua mensagem não é alienante.

Mas a repreensão nunca é a palavra final. Há sempre a promessa de restauração para as pessoas e para a nação:

"Estão chegando os dias", declara o Senhor, o Soberano, "em que enviarei fome a toda esta terra; não fome de comida nem sede de água, mas fome e sede de ouvir as palavras do Senhor" (8:11)

"Plantarei Israel em sua própria terra, para nunca mais ser desarraigado da terra que lhe dei", diz o Senhor, o seu Deus (9:15, versículo final de Amós)

Agora já é possível perceber um movimento comum aos profetas bíblicos: eles identificam as mazelas e a corrupção, denunciam-nas em alta voz e dedo em riste, não poupam ninguém, colocam diante do povo uma opção de arrependimento seguido de restauração, indicam o juízo de Deus para os renitentes e, no fim, mostram que Deus, por ser soberano e misericordioso, pode restaurar seu povo, apontando para um período de paz.

Eu sinto uma coisa que chamo de saudade surreal. Acho que muita gente sente isso. É aquela sensação premente de saudades de um mundo perfeito que nunca chegamos a conhecer. Nenhum de nós viu nem viveu neste mundo. Mas eu continuo sentindo que este mundo está errado, que deveria existir um mundo perfeito. Mas é bem esquisito sentir saudade de algo que nunca conhecemos. Como é isso? O pregador responde: [Deus] também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade (Eclesiastes 3:11).

É o que os profetas têm feito por mim: eles reafirmam que este mundo está corrompido, que merece o juízo de Deus, mas que este Deus sempre tem em mente um mundo perfeito, restaurado, para nós. Eles me dizem que minha saudade faz sentido, e que um dia, quando a vir, reconhecerei imediatamente a realidade perfeita que nunca conheci.

 


Post publicado pela primeira vez no dia 8 de abril de 2007, às 13h10.



Categoria: Cristianismo - Religião
Escrito por Marson Guedes às 22h02
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O PODER DAS FILAS DE BANCO

 

Tira do Benett (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 7 de abril de 2007, às 12h32.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 21h56
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PIADINHA DE PÁSCOA

 

Cartum do Laerte (link).

 

 


Post publicado pela primeira vez no dia 4 de abril de 2007, às 11h45.



Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 21h44
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