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CARTUM
Por Celso Mathias (link). 
Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 13h14
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EVA GREEN
Por Bill Mather (link). 
Por Chris Wahl (link). 
Por Daniel Cox (link). 
Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 00h20
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SE FOSSE VERDADE, A VENEZUELA SERIA O CÉU
Por Benett (link). 
Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 01h04
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SOBRE ESSE NEGÓCIO DE PROVAR A EXISTÊNCIA DE DEUS - PARTE 3
Quando um cientista vai colocar a mão na massa, ele deve se preocupar bastante com o arranjo do experimento que vai conduzir. Em primeiro lugar, o cientista precisa saber o que está procurando, qual é o fenômeno que está investigando. Para isso, ele precisa de uma teoria que dê conta dos fatos, que os explique adequadamente. Uma boa teoria responde bem às questões existentes e suscita novas perguntas, novos questionamentos que, por sua vez, suscitarão novos experimentos. É assim que a ciência funciona. Já se disse que a ciência avança como em uma dança entre teoria e experimento. Nenhum experimento científico sobrevive em um vácuo conceitual. Em segundo lugar, o cientista deve se assegurar que o experimento responde à pergunta que ele, inspirado pela teoria, está fazendo. Esta é uma parte delicada do processo, pois um arranjo experimental capenga leva a resultados capengas que não podem ser devidamente interpretados. Vou dar um exemplo da pesquisa com surdos sinalizadores (aqueles que usam a língua de sinais como meio preferencial de comunicação). Na época em que fiz pesquisas com surdos, minha pergunta era a seguinte: se a língua de sinais tem subcomponentes visuoespaciais à serviço da linguagem, é possível que estes surdos, por conta do uso prolongado da língua de sinais, sejam mais rápidos do que os ouvintes não sinalizadores em tarefas que exijam o raciocínio visuoespacial? Calma. Quando os surdos sinalizadores se comunicam, eles usam os sinais, que são totalmente visuais. Por assim dizer, os surdos sinalizadores conversam usando os olhos. Nos ouvintes, a mesma comunicação se faz com o ouvido. Pense: se os surdos sinalizadores usam o espaço para definir sujeitos, verbos e objetos, eles devem usar componentes do raciocínio visuoespacial para isso. Movimento de braços, mãos e dedos são cruciais para a sinalização eficiente: eles usam e interpretam visualmente os sinais, espaço e movimentos servem de apoio para a linguagem. Depois de ler a literatura relevante deste campo, a pergunta que me fiz foi: será que os surdos sinalizadores apresentam um desempenho superior ao de ouvintes não sinalizadores em tarefas puramente visuais, ou seja, em que o espaço não é usado como meio de linguagem? O que eu precisava fazer era submeter surdos sinalizadores e ouvintes não sinalizadores a uma tarefa que demandasse unicamente o raciocínio visuoespacial, livre de qualquer componente linguístico. Um experimento feito desta maneira, comparando o desempenho destes dois grupos, responderia à minha questão? Aparentemente sim, mas não. É que ficaria faltando algo na hora de explicar uma possível diferença: ela seria atribuída a quê? Como este tipo de diferença tende a favorecer os surdos sinalizadores, pode-se argumentar que é a longa experiência com a língua de sinais que causa o desempenho superior dos surdos sinalizadores em tarefas visuoespaciais. É igualmente possível argumentar que o fator determinante não é a experiência linguística dos surdos sinalizadores, mas o simples fato de que eles são surdos. A primeira explicação é linguística, a segunda é sensorial; a primeira enfatiza a plasticidade neural direcionada pelo uso da língua de sinais, a segunda enfatiza a plasticidade neural direcionada pela ausência da audição. É possível sair desta encrenca adicionando um terceiro grupo experimental composto por pessoas que sinalizem e sejam ouvintes: os intérpretes. Eles são ouvintes, a língua falada é seu meio preferencial de comunicação, mas eles são sinalizadores proficientes e usam a língua de sinais faz muito tempo. Se este grupo entrar no experimento, podemos interpretar adequadamente uma possível diferença de desempenho entre o grupo de surdos sinalizadores e o grupo de ouvintes não sinalizadores. Se os intérpretes (ouvintes sinalizadores) apresentarem desempenho semelhante aos surdos sinalizadores, concluiremos que o fator determinante da diferença entre estes grupos é o uso prolongado da língua de sinais. Por outro lado, se os intérpretes apresentarem desempenho semelhante ao dos ouvintes não sinalizadores, concluiremos que o fator determinante da diferença é a perda auditiva. (Ah sim: neste caso, os surdos sinalizadores estão mais próximos do surdo sinalizador do que dos ouvintes não sinalizadores, favorecendo a interpretação linguística). É preciso muita arte, muito planejamento para que um experimento seja bem conduzido e apresente resultados aproveitáveis. O erro de não incluir o grupo de intérpretes neste experimento deixaria sem resposta uma das perguntas mais importantes, que é saber a que se deve uma possível diferença de desempenho em tarefas visuoespaciais. Seria uma ciência capenga. A coisa se estende a outros aspectos do experimento, notadamente à estatística complexa usada para analisar os dados. Se isso não for feito com cuidado e precisão, o experimento torna-se inaproveitável. Fazer ciência não é fácil, é um processo lento e doloroso, especialmente num Brasil que ainda carece dos recursos e apoio necessários. Mas o que me importa agora é dizer que os experimentos começam com uma teoria, e que não é qualquer experimento que responde às perguntas que a teoria suscita. Estamos prontos para conversar sobre o que significa uma prova da existência de Deus. (continua)
Categoria: Ciência
Escrito por Marson Guedes às 12h35
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ILUSTRAÇÃO
Por Sabrina Eras (link). 
Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 12h29
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ARARA
Por Pedro Conti (link). 
Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 03h30
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HAIR STYLE
Por Bill Mather (link). 
Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 10h50
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CLOWN
Por Tiago Hoisel (link). 
Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 10h52
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TIRA
Por Stocker (link). 
Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 11h50
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TALL FOREST Por Jared Shear (link). 
Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 00h31
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JOSÉ MAYER
Por Baptistão (link). 
Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 10h24
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POLITICADAS
Por Jean Galvão (link). 

Categoria: Miscelânea
Escrito por Marson Guedes às 00h17
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MRS. SMITH
Por Hiro Kawahara (link). 
Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 02h16
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GONE
Por Zhang Jingna (link). 
Categoria: Afins
Escrito por Marson Guedes às 16h33
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SOBRE ESSE NEGÓCIO DE PROVAR A EXISTÊNCIA DE DEUS - PARTE 2
Provado cientificamente é, na verdade, uma expressão forte demais. As pessoas costumam pensar que toda ciência é exata, com precisão de dez casas decimais, e que os achados científicos não podem ser questionados. Elas estariam certas se a natureza da evidência científica fosse a exatidão. Percebeu a mudança de discurso? Estava falando da impressão injustificada de que a ciência é exata, incontestável, e usei, como quem não quer nada, a palavra evidência. Evidência é uma palavra menos contundente do que prova, mas ela é mais apropriada para a ciência. Obter evidências é um jeito de dizer "acúmulo de dados que sugerem uma interpretação compatível com uma determinada teoria". Tem outra expressão interessante, que é "evidências convergentes". Ela quer dizer "dados obtidos de diferentes áreas de pesquisa apontam para a validade de uma determinada teoria". Evidências convergentes são mais fortes do que evidências. Vamos aos exemplos. Evidência é quando se descobre que o hemisfério esquerdo do cérebro é dominante para linguagem, e que o hemisfério direito é dominante para o processamento espacial e visual. Como se descobre um negócios desses? Estudando o caso de pessoas com lesões cerebrais, normalmente causadas por AVCs (acidente vascular cerebral), os famosos derrames. O resumo da ópera é que pessoas com lesão no hemisfério esquerdo do cérebro apresentam dificuldades com a linguagem, quer dizer, elas não conseguem falar direito ou não compreendem direito aquilo que ouvem, dependendo da localização e da extensão da lesão. Pessoas com lesão no hemisfério direito do cérebro apresentam dificuldades na hora de copiar desenhos e de montar cubos pintados de acordo com um modelo. Estas são as evidências, e esta é a interpretação destas evidências. Por que estes dados não são provas, apesar de serem contundentes? Porque há muita variação entre o tamanho das lesões, de sua localização, da idade dos pacientes, das suas habilidades adquiridas antes da lesão, da origem da lesão e diversos outros fatores. Isso impossibilita um estudo preciso, e por isso os neurocientistas precisam trabalhar com evidências e não se dão ao luxo de chamá-las de provas. Evidência convergente é quando se descobre que surdos sinalizadores apresentam o mesmo padrão de deficiências cognitivas em consequência de lesões no hemisfério esquerdo ou direito. Surdos sinalizadores são aqueles que usam preferencialmente a língua de sinais, que no Brasil se chama LIBRAS (língua brasileira de sinais). Estes surdos usam o espaço para sinalizar, eles processam os sinais e seus movimentos complexos usando a visão. Então, a primeira suspeita seria que o processamento linguístico dos surdos sinalizadores seria feito no hemisfério direito, que é especializado no processamento visual e especial. Certo? Não, não é assim que acontece. As pesquisas mostraram que o mesmo padrão ocorre nos surdos sinalizadores: eles apresentam problemas linguísticos quando a lesão é no hemisfério esquerdo do cérebro, e problemas visuo-espaciais quando a lesão está localizada no hemisfério direito. Eu acho isso impressionante, e mostra que o hesmifério esquerdo é dominante para linguagem independentemente da modalidade em que essa linguagem se apresenta (auditiva versus visuo-espacial). Evidências convergentes são assim: elas vêm de áreas diferentes de pesquisa e apontam para a mesma direção, para a validade de uma determinada teoria.
No entanto, mesmo as evidências convergentes têm suas limitações, que são bem parecidas com as das evidências. Apesar de serem impressionantes, elas apontam para a mesma falta de imprecisão. As lesões nos surdos apresentam as mesmas complexidades apresentadas pelas lesões em ouvintes. Elas acontecem em lugares diferentes, têm tamanhos diferentes, e têm origem diferentes (AVC, acidentes de carro, tiros etc). Essas lesões não são diretamente comparáveis e, portanto, são evidências de alcance limitado e de difícil interpretação. É assim que caminha a neurociência. Agora a ciência não parece tão exata, parece? Mais uma coisa: estes estudos do funcionamento do cérebro humano usam, sem exceção, a estatística para tirarem sua conclusões. São análises de variância, de contraste, análise multi-variadas, coisas que assustam os mortais só de pensar nelas. É importante observar isso, pois a estatística aplicada nestes experimentos trabalha com faixas de valor e determina se as faixas são significativamente diferentes entre si. Se a ciência fosse tão exata como se costuma pensar, ela não precisaria da estatística e trabalharia com valores absolutos. Isso não depõe contra a ciência, a neurociência ou outros ramos de pesquisa. Longe disso. É a maneira árdua e lenta de a ciência avançar. É notável que, apesar destas dificuldades, a ciência avance. É assim que a coisa funciona. Vamos tomar cuidado com a expressão "prova científica". Ela é um equívoco. (continua)
Categoria: Ciência
Escrito por Marson Guedes às 00h46
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